RJ: Mãe de jovem executado na Maré denuncia intimidações da PM

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Mãe de Marcos Vinicius segura camisa ensanguentada do filho assassinado na Maré. 'Essa é minha bandeira de luta'.

Bruna da Silva, mãe de do jovem assassinado durante operação da Polícia Militar (PM) no Complexo da Maré, denunciou que vem sendo alvo de ações de intimidação de policiais na comunidade.

Desde o assassinato de seu filho, Bruna tem se dedicado com afinco a denunciar os crimes do velho Estado não só contra seu filho, mas contra toda a juventude pobre e preta das favelas.

A grave denúncia de intimidação da mãe foi feita durante uma plenária da Campanha Não é só pelos 23! É por todos que lutam!, ocorrida no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ, no centro do Rio, em 2 de agosto.

Os eventos da campanha – que tem como objetivo denunciar a perseguição política de ativistas que participaram das combativas manifestações de 2013/2014 e defender o direito de manifestação e organização popular – têm sido importantes espaços de denúncia dos crimes contra o povo na cidade e no campo. 

‘Quanto mais me oprimirem mais eu vou falar’

Bruna, 36, nascida e criada na Maré, relata que antes de iniciar as denúncias do crime contra seu filho nunca havia sido abordada por policiais em sua comunidade. E, justo agora, é alvo frequente de abordagens.

Em entrevista exclusiva ao jornal A Nova Democracia, a mãe relatou a covarde ação de intimidação de que foi alvo momentos antes de uma entrevista que estava marcada com jornalistas do jornal espanhol El País.

— Semana passada eu fui abordada por policiais na porta da minha comunidade. Eu estava indo buscar dois jornalistas e uma viatura me perseguiu.

Ela denuncia que um carro de polícia com cinco PMs abordou Bruna em um ponto de ônibus na Avenida Brasil, na altura da entrada da favela da Maré quando a mãe se dirigia ao encontro dos jornalistas. 

— O motorista saiu com a arma na mão e me abordou. Segurou o meu braço por duas vezes — afirmou a mãe. Percebendo a truculência da abordagem e que corria perigo, Bruna correu e foi perseguida por dois dos policias com arma em punho.

Ao se deparar com os jornalistas, os policiais tentaram persistir nos abusos, estendendo as intimidações aos trabalhadores da imprensa. Mas, encontrando resistência na firme atitude de Bruna, desistiram de prosseguir com a ação.

Quando questionado sobre a abordagem truculenta, o PM alegou que a mãe estava parada no ponto de ônibus de “maneira suspeita”.

Enfrentando a dor da perda de seu filho, ameaças e perseguições, Bruna da Silva, como tantas outras mães que têm descoberto no assassinato de seus filhos o caráter antipovo deste Estado burguês-latifundiário, não abaixou a cabeça e mantém-se convicta da necessidade e justeza de sua luta.

— A minha luta é por justiça. Eles não podem me coagir. A minha luta é pelo meu filho, minha filha, pelas crianças da minha comunidade. A minha luta é a luta de todos. Eu estou representando aquele povo da maré que não tem voz — cravou.

E prossegue: — Foi o estado do Rio de Janeiro que assassinou meu filho com essa intervenção. Quanto mais me oprimirem mais eu vou falar. O sangue do meu filho pede justiça. A minha luta é essa e eu não vou me calar. Eu não vou parar. A gente quer o fim dessa polícia assassina, chega desse Estado genocida! — dispara a mãe.

 

‘Intervenção veio para matar’

Na edição nº 212 de AND, denunciamos o bárbaro crime que vitimou o jovem de 14 anos.

A operação policial na Maré, mais precisamente nas comunidades Vila do Pinheiro e Vila do João, contou com a participação de policiais civis e militares e também de soldados do Exército, que deram cobertura para a ação.

Quando perguntada sobre a intervenção militar na cidade do Rio e a ação das polícias na favela da Maré, Bruna desabafou:

— Nunca confiei na intervenção militar. Eles vieram com esse nome ‘bonitinho’ de intervenção para assassinar, matar agente dentro da comunidade. Como fizeram com meu filho naquele dia. Esta intervenção veio para matar, roubar e destruir nossa vida, nossa paz, nosso sossego.

— Meu filho sempre foi estudante da rede pública. Eu criei ele dentro daquela comunidade. Aquela comunidade ‘truculenta’, ‘violenta’ que eles dizem. Eles que fazem a minha comunidade ser perigosa. O primeiro tiro quem deu dentro da minha comunidade foi o Estado, foi a Polícia Civil.

— A polícia não faz nada em prol da gente. Pelo contrário. Ela só faz assassinar os nossos filhos. O que é que meu filho fez a eles? Então eles calaram meu filho, não calaram a mãe do Marcus Vinícius. Onde eu puder ir e levar o nome do meu filho eu vou levantar aquela blusa machada de sangue. Aquela blusa é a vergonha do Estado que assassinou meu filho pelas costas com um tiro de fuzil. 

A mãe concluiu a entrevista conclamando todos para tomarem parte na luta por justiça, em defesa dos direitos do povo:

— A gente tem que falar, denunciar. Se o Estado fez alguma coisa contra você, não fique calado, venha para rua, se una com a gente. Vamos fazer eventos, manifesto, o que for. Vamos cobrar justiça, queremos um país melhor. 

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