Marabá: Encontro denuncia crimes de mineradoras e reúne ativistas do PA e MA

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Moradores de Barcarena (PA) denunciam poluição causada por vazamento da Mineradora Hydro

Com informações do Comitê de Apoio ao AND de Marabá

Ativistas dos Estados do Pará e Maranhão reuniram-se num encontro realizado em Marabá para debater e encaminhar propostas de lutas contra as ações de exploração das Grandes Mineradoras que atingem populações dos dois Estados, alterando drasticamente as dinâmicas nos territórios. O encontro, que aconteceu nos dias 21 e 22 de julho, é organizado anualmente desde 2009.

O comitê de apoio do Jornal A Nova Democracia marcou presença no evento e montou banquinha de divulgação, distribuindo mais de 50 jornais aos participantes do evento.

Das quase cem pessoas que participaram constaram trabalhadores e trabalhadoras rurais, indígenas, quilombolas, pescadores, extrativistas, estudantes, professores e representantes de movimentos e entidades que tratam da problemática. Entre indígenas participaram os Krenak da Bahia e Guajajara do Maranhão, dos camponeses estiveram presentes delegações de Canaã dos Carajás (PA) e Buriticupu (MA). Dos movimentos populares estiveram Justiça nos Trilhos, Comissão Pastoral da Terra (CPT), Brigadas Populares do Pará, Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), Executiva Nacional de Estudantes de Pedagogia (ExNEPe).

Convidados para tratarem de situações emblemáticas compareceram pessoas de Mariana-MG, Barcarena-PA, Moju-PA e Altamira-PA. Trouxeram a denúncia sobre as péssimas situações que vivem as populações atingidas pelas tragédias causadas pela Mineração nestas localidades.

Os relatos também feitos pelas pessoas das inúmeras localidades dos Estados do Pará e Maranhão, embora com algumas peculiaridades, convergem num mesmo sentido: a tragédia muitas das vezes anunciada e a conivência dos governos do apodrecido Estado brasileiro.

 

Grandes Mineradoras: exploração imperialista do povo e recursos minerais

Desde o instante em que o minério se transformou em commodities e a ter influência significativa na balança comercial, as atividades das Grandes Mineradoras vem tendo prioridade sobre as terras produtivas dos camponeses, onde quer que haja ocorrência mineral.

Sob o domínio das Grandes Empresas Mineradoras, os territórios são invadidos, os trabalhadores são expulsos e os conflitos se agudizam. As cidades dos municípios minerados aumentam de imediato a população e, diferentemente do que anunciam como “desenvolvimento”, o povo, na realidade, vive uma situação de desemprego, sem moradia, precarização dos serviços de atendimento elementares como a saúde e educação públicas, saneamento básico e lazer.

Diante das dificuldades enfrentadas, das resistências desencadeadas pelos povos e da forte aliança entre governos e grandes empresas mineradoras, muitos dos participantes foram incisivos em proporem que as alternativas de agora em diante serão lutas de enfrentamento para derrotar os inimigos.

Neste contexto que ocorreu a palestra sobre a situação política nacional e internacional no evento. Uma importante fala de um dos membros dos Brigadas Populares do Pará destacou como o USA ascendeu a superpotência hegemônica única após II Guerra Mundial e a restauração capitalista na União Soviética com a morte do Camarada Stalin. Ressaltou que as potências imperialistas, em especial, o USA age com aparatos militares com conivência dos “capachos nacionais” para subjugar os países do terceiro mundo como a Ásia, África, América Latina a seus interesses. Assim que em 64, no Brasil, o gerenciamento dos militares em nada tinha de nacionalista senão que aprofundou a entrega das riquezas minerais para o capital estrangeiro. Um marco foi o ano de 1967, quando o governo fez alteração no código da mineração da década de 40, flexibilizando a extração mineral: criação da Vale da Rio Doce, associada aos ianques.

No entanto, a sangria das riquezas minerais não parou neste momento. O que o regime militar fascista de 64-85 não fez, o governo oportunista do PT fez. Fez Santo Antônio, Belo Monte, Jirau. E agora, destacou o palestrante, com o impeachment da Dilma, na necessidade de salvar o velho Estado brasileiro, apresentam-se vivas as Forças Armadas. Estamos prestes a uma nova Intervenção Militar. Não como 64, buscam ainda manter a fachada de democracia, mais de 200 militares se candidataram para participar da farsa eleitoral. Mas, os exemplos são concretos como a Intervenção no Rio de Janeiro, que está fracassada é verdade, e o próprio julgamento contrário ao Habeas Corpus do Lula foi pressão da milicada.

Na palestra também foi denunciado que este golpe militar está em curso no país como medida preventiva à inevitável rebelião das massas.

E ainda complementou a análise política afirmando que depois das eleições, vai piorar, o “pau vai cantar”. Por isso, que desde já a saída não são as eleições, mas irmos às ruas, às lutas. Seguirmos os exemplos das massas camponesas que das lições das resistências de 64, especialmente, da Guerrilha do Araguaia, aprenderam a necessidade de avançar a luta de forma combativa.

 

 

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