Editorial - Colossal rechaço à farsa eleitoral

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Quarenta milhões de brasileiros e brasileiras disseram não à farsa eleitoral, em maior parte abstenção e em menor voto nulo e branco. Seguramente o número é maior ainda, milhões de jovens de 16 a 18 se recusam a alistar-se para votar, afora os persistentes abstencionistas de eleições passadas já riscados do cadastro de eleitores.

Esta foi a maior demonstração dos últimos tempos, não só da insatisfação, mas também, muito mais que isso, da decisão de cerca de 20% de abster se negando radicalmente a legitimar a farsa, que de engano em engano vai afundando o Brasil.

A pancada doeu tanto que os analistas dos institutos e dos meios de comunicação, “cientistas políticos” (escribas de fato), tiveram que buscar fajutos motivos para tamanho rechaço. Acontece que, além disso, tem que levar em conta o fato de que, além dos que tomaram esta grande decisão, a maioria dos votos em Bolsonaro foi também um clamoroso grito de protesto contra tudo que aí está.

Cansado de tudo, obrigado a votar e sem ver outra saída que não as eleições, grande parte dos votantes em Bolsonaro, induzidos ou não por seitas religiosas e congêneres, viu nisto a forma de chutar o pau da barraca. Votou nele achando que estaria vingando-se da politicalha.

Bolsonaro era até então um ilustre desconhecido da imensa maioria dos que votaram nele. Nos seus últimos 28 anos (sete mandatos de deputado federal), metade de sua vida, ele viveu às custas do suor das massas, votando contra direitos do povo, esbravejando contra fantasmas comunistas, defendendo torturadores, assassinos e criminosos de guerra, embolsando polpudos salários, se refestelando em mil privilégios e as indecentes mordomias que compõe a vadiagem dos membros do Congresso Nacional. Esta é sua carreira: extrema direita de carteirinha, capitão reformado do Exército, militar medíocre e dublê de deputado federal. Mas a parte do povo que acha que não tem outra forma de ação política senão votando em alguém que lhe aparenta menos pior, viu no seu discurso duro o rechaço a tudo que aí está.

Uma visita à História do Brasil mostrará que as bravatas de Jânio Quadros, o “homem da vassoura vem aí...” e de Collor de Mello, o “caçador de marajás”, compaginam com as de Bolsonaro, e o seu “contra tudo que está aí”. No que deram as bravatas de salvadores da pátria de Jânio e Collor? Em crises maiores ainda e mais chicote no lombo do povo.

Ao contrário da conclusão da podre Rede Globo e do chororô da falsa “esquerda” oportunista eleitoreira, de que as massas foram para a direita, ao fim e ao cabo estas eleições confirmarão para os 40 milhões que a rechaçam e deixarão claro para os que ainda se iludem com elas, que os direitos e interesses mais legítimos do nosso povo e a independência e progresso de nossa Pátria jamais poderão ser alcançados através desta farsa eleitoral.

Porque, esteja quem estiver nos governos de turno deste velho e genocida Estado de latifundiários e grandes burgueses, serviçais do imperialismo, principalmente ianque, esta velha ordem de exploração, opressão e injustiças sobre o povo e de subjugação da Pátria seguirá intacta. Permanecerá afundado na crise crônica do seu atrasado capitalismo burocrático determinado pela condição semicolonial e semifeudal do país. Este seu velho Estado e seus governos de turno são só a máquina de repressão e de extorsão sobre o povo. Reprimem brutalmente manifestações do povo pelas demandas mais elementares e tratam a ferro, fogo e sangue os seus intentos de derrubar esta ordem tão injusta. Recolhem os impostos que o povo paga e açambarcam a maior parte para a minoria de grandes burgueses, latifundiários e corporações estrangeiras, além de sustentar a burocracia parasita dos três poderes da república, com ganhos mínimos de 30 mil reais mensais. Pagam juros escorchantes aos bancos, financiam os grandes empresários e as multinacionais. Vendem a Pátria e suas riquezas por trinta dinheiros. Mas, para os verdadeiros produtores de toda a riqueza, os trabalhadores da cidade e do campo, ao contrário, o que fazem é atirar o povo nas sobras dos precários e cada vez mais caros serviços públicos de saúde, educação, transporte, luz, água e saneamento.

Só a revolução democrática poderá pôr fim a tanta exploração, opressão, injustiças e corrupção. Pois só a revolução democrática terá a força para destruir toda esta maquinaria burocrática que vive para extorquir e reprimir o povo, arrasando com toda a reação que tentará desesperadamente salvar sua velha e carcomida ordem. Mas esta grandiosa e libertadora façanha não se poderá lograr da noite para o dia, demandará uma luta prolongada. Assim como o povo só pode se organizar na revolução, parte por parte, da mesma forma irá destruir todo o sistema de exploração e opressão, parte por parte, e criará passo a passo a República Democrática Popular do Brasil Novo.

NÃO SAIA AINDA… O jornal A Nova Democracia, nos seus mais de 18 anos de existência, manteve sua independência inalterada, denunciando e desmascarando o governo reacionário de FHC, oportunista do PT e agora, mais do que nunca, fazendo-o em meio à instauração do governo militar de fato surgido do golpe militar em curso, que através de uma análise científica prevíamos desde 2017.

Em todo esse tempo lutamos e trouxemos às claras as entranhas e maquinações do velho Estado brasileiro e das suas classes dominantes lacaias do imperialismo, em particular a atuação vil do latifúndio em nosso país.

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