General ianque admite derrota no Afeganistão: ‘Não podemos vencer essa guerra’

A- A A+
 


Guerrilheiros talibãs (imagem ilustrativa)

A guerra contra a nação afegã não pode ser vencida, admitiu o general ianque Austin Scott Miller, recém-nomeado encarregado das operações do USA e da Otan no país. Ele afirmou ainda que a única forma de sair da guerra é através de uma resolução política diretamente com o Talibã – grupo de maior relevância que compõe a Resistência Nacional afegã –, em entrevista à NBC News, no dia 2 de novembro.

“Isso não pode ser vencido militarmente. Isso está indo para uma solução política”, afirmou ele. Essa declaração, vinda do responsável pelas tropas invasores, é inédita em mais de 17 anos de guerra de agressão e configura uma importante derrota militar, política e moral para o imperialismo ianque.

A declaração do general corroborou a opinião do Departamento de Estado do imperialismo ianque, emitida em agosto. Na ocasião, o Departamento declarou que o USA estava “fazendo o possível” para concretizar “negociações de paz” entre o Talibã e o governo afegão.

Recentemente (04/10), o general Miller quase foi aniquilado por um ataque realizado por um guerrilheiro talibã durante uma reunião de alto nível entre comandantes militares, em Kandahar. Miller saiu ileso, mas o principal comandante militar regional do Estado fantoche, Gul Ahmad, foi aniquilado.

O histórico e para onde marcha a nação afegã

A guerra iniciou-se em 7 de outubro de 2001 com invasão de tropas norte-americanas e de aliados, juntamente com forças mercenárias locais. O objetivo da guerra era eliminar o poder e a influência que o grupo Talibã tinha sob o território do país, colocando em seu lugar forças locais que servissem melhor a seus interesses econômicos e políticos. A guerra tinha, além disso, uma importância a longo prazo, pois conquistar o Afeganistão é parte da estratégia do imperialismo ianque de estender a sua área de influência para todo o Oriente Médio Ampliado, retirando da região a influência exercida pela Rússia.

O Talibã e sua origem remontam a 1979, quando a juventude e massas camponesas em geral, sob uma orientação religiosa e jihadista sectária, organizararam grupos guerrilheiros para combater e expulsar as tropas do social-imperialismo russo. Na ocasião, os social-imperialistas invadiram o país para esmagar as guerrilhas muçulmanas que haviam deposto Mohamed Daoud (então presidente do país que aplicou uma política de subjugação nacional, convertendo o Afeganistão em uma semicolônia do social-imperialismo). A intromissão da União Soviética revisionista no Afeganistão e sua guerra de agressão movida contra a nação – que chegou a acumular 115 mil soldados russos em terreno – resultou em uma das mais vergonhosas derrotas militares do revisionismo e, embora com uma ideologia reacionária, as guerrilhas aglutinaram em torno de si toda a nação.

Após a retirada dos soviéticos, em 1989, as várias frentes guerrilheiras dividiram-se em bandos comandados por caudilhos militares em busca de controle territorial e de mais poder. O Talibã, que constituía uma parcela dessas várias guerrilhas, seguiu desenvolvendo uma guerra civil para conquistar o território e centralizar poder, desbaratando outros caudilhos. Em 2001, quando o Talibã detinha 90% do território, ocorreu o atentado contra as Torres Gêmeas, no USA, que foi utilizado como justificativa para iniciar a atual guerra de agressão.

Contra a invasão, o Talibã organizou e praticou novamente a guerras de guerrilhas contra o invasor. “O governo talibã pode cair, mas retornaremos aos tempos da jihad e serão estabelecidas novas frentes guerrilheiras. No começo pode ser que as coisas sejam fáceis para vocês. Mas as consequências serão muito severas.”, advertiu ao USA Omar Mohamed, chefe do Talibã, às vésperas da invasão de 2001.

Apesar de ser uma força política e militar feudal e ter uma ideologia religiosa ultrarreacionária, o Talibã cumpre uma das tarefas da Revolução Afegã na atualidade, que é combater o imperialismo e expulsar as tropas invasoras que submetem o povo ao terror e ao genocídio.

A retirada das tropas ianques e outros invasores que atuam sob seu mando representa uma vitória da guerra de resistência nacional levada a cabo pelas guerrilhas e pelos combatentes da Resistência Nacional. Ao mesmo tempo, uma vez que o imperialismo passe a utilizar formas de dominação nacional mais sofisticadas (como a dominação econômica, política, cultural etc.), deixando de lado a guerra como forma de dominação, essas forças tendem a capitularem e passarem a colaborar com a dominação imperialista, em troca de serem eles os gerentes de turno a administrar a semicolônia – o que demonstra a limitação de classe do Talibã e sua incapacidade de libertar a nação afegã definitivamente, tarefa esta que só pode ser levada a cabo pelo proletariado, por meio de seu partido revolucionário.

Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Rua Gal. Almério de Moura 302/4º andar
São Cristóvão - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: anovademocracia@gmail.com

Comitê de apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro
Reuniões semanais de apoiadores
toda segunda-feira, às 18:45

Seja um apoiador você também!

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda

Editor-chefe 
Mário Lúcio de Paula
Jornalista Profissional
14332/MG

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas
Fausto Arruda
José Maria Oliveira
José Ramos Tinhorão 
José Ricardo Prieto
Henrique Júdice
Hugo RC Souza
Mário Lúcio de Paula
Matheus Magioli
Montezuma Cruz
Paulo Amaral 
Rosana Bond
Sebastião Rodrigues
Vera Malaguti Batista

Redação 
Ellan Lustosa
Mário Lúcio de Paula
Patrick Granja