França: Após violentos protestos, governo recua e baixa preço do combustível

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O governo francês do primeiro-ministro reacionário Emmanuel Macron voltou atrás e suspenderá aumento dos impostos sobre combustíveis que seriam cobrados a partir do dia 1 de janeiro de 2019. A informação foi veiculada por "fontes do governo" no monopólio de imprensa. A revogação ocorre após uma onda violentíssima de protestos que envolveram milhares de pessoas em toda a França.

Em todos os dias do mês de dezembro ocorreram violentos protestos das massas, que enfrentaram sem temor as tropas policiais que buscavam impedir seu protesto.

No dia 1/12, mais de 130 pessoas ficaram feridas no que foi o terceiro fim de semana seguido de protestos; outras 300 pessoas foram detidas. Vidraças de bancos foram quebradas e tapumes foram usados para protegê-las. Barricadas em chamas foram erguidas, prédios de órgãos do governo foram destruídos e viaturas foram atacadas. O protesto se dispersou entre os bairros pobres de Paris e percorreram toda a madrugada. Ante o incontível protesto, Macron cedeu e implorou por “diálogo”, mas não foi ouvido. No dia seguinte, novos protestos: desta vez, 48 policiais foram feridos pelos manifestantes na cidade de Toulouse, na região da Occitânia.

O aumento de impostos sobre combustíveis é uma das medidas que estão sendo aplicadas pelo governo Macron que afetam diretamente consumo e o salário das massas populares, enquanto promove isenção fiscal para corporações e grandes burgueses.

A onda de protestos, conhecida como protestos dos “coletes amarelos” (tipo de vestimenta obrigatória para motoristas na França), foi uma explosão espontânea de massas proletárias, trabalhadores liberais e pequenos proprietários urbanos. Em pesquisas realizadas na França, 84% consideraram justos os protestos. O movimento, em um dado grau de desenvolvimento, passou a questionar o próprio governo e a falsa democracia.

‘Sempre com as massas’

O Partido Comunista Maoista da França (PCmF) emitiu pronunciamento apoiando as manifestações e convocando todos os militantes maoistas e ativistas revolucionários a intervirem decididamente para influenciar as massas em luta e dar-lhes direção política para ganhar os elementos mais ativos para a revolução.

"Alguns ativistas estão envergonhados em participar pelo fato de que o slogan ('Contra o imposto!') parece ter sido formulado por fascistas, além de que os patrões do transporte estão tentando controlar a mobilização. Muitos dizem que o movimento tem uma tendência à direita e dizem para que não se participe. Isto é um método metafísico de analisar.", criticam os maoistas. Com "patrões do transporte", referem-se às grandes empresas de logísticas que têm interesses na queda do imposto, tal como as massas, e estão sendo acusadas de alimentar os protestos (situação similiar à greve dos caminhoneiros, no Brasil).

Os maoistas, prosseguindo, fundamentam sua posição por participar das manifestações, ainda que isto convirja com interesses das empresas logísticas. "Hoje este movimento está com uma multiplicidade de interesses. O interesse de classe do proletariado, a curto prazo, quer a queda geral dos preços (isto é, indiretamente, o aumento geral dos salários), e uma fração da burguesia reacionária está também interessada na queda no preço da força de trabalho, por meio da queda no preço da gasolina.".

Combatendo a tergiversação de alguns setores do movimento popular que acusam o movimento de "tendência à direita", os comunistas explicam que "existem sim muitos elementos reacionários, como colocar o imposto como questões central, a posição contra imigração. Mas, isto é uma visão da burguesia que se infiltra nas fileiras do proletariado". E, citando Lenin, arrematam: "Quem quer que espere uma revolução 'pura' nunca viverá o suficiente para vê-la".

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