O casamento entre o monopólio de imprensa e o velho Estado na censura da discussão sobre o genocídio na Palestina e no Brasil

Publicamos artigo de Marconne Oliveira acerca da censura imposta ao debate sobre o genocídio do povo na Palestina e no Brasil.

O casamento entre o monopólio de imprensa e o velho Estado na censura da discussão sobre o genocídio na Palestina e no Brasil

Publicamos artigo de Marconne Oliveira acerca da censura imposta ao debate sobre o genocídio do povo na Palestina e no Brasil.
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O monopólio de imprensa O Globo publicou, no dia 16 de novembro, um artigo de autoria dos jornalistas Lauro Jardim e Rodrigo Castro, que discorre sobre a promoção de uma mesa intitulada “Racismo e sionismo: as armas de Israel matam jovens no Brasil e na Palestina” nos eventos promovidos pelo Centro Acadêmico Luiz Carpenter (CALC) da Faculdade de Direito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) no Mês da Consciência Negra. A mesa ainda não tem data definida, mas, segundo aponta o artigo, já está gerando “polêmicas”. 

O artigo de Jardim e Castro, bem curto, busca demonstrar a famosa imparcialidade típica da imprensa monopolista na escolha das palavras, escondendo, porém, por trás do discurso asséptico, as suas verdadeiras intenções: a criminalização ou, no mínimo, a intimidação de quem denuncia os crimes da entidade sionista Israel contra os civis palestinos de Gaza, que, até o momento, matou no mínimo 11.470 pessoas, entre as quais uma maioria de crianças e mulheres – de fato, mais crianças foram mortas nas três primeira semanas do conflito nos 365 km² da Faixa de Gaza que em todo o mundo em confrontos armados dos últimos quatro anos, já não sendo mais possível dimensionar há dias quantas mais foram mortas desde os ataques ao hospital Al-Shifa e quantos mais foram mortos no geral, uma vez que toda a Saúde em Gaza foi paralisada pelos bombardeios sionistas. 

Jardim e Castro, utilizando a boa e velha retórica pseudo-jornalística, relacionam as falas do atual gerente do velho Estado, Luís Inácio, que comparam as ações sionistas com as do Hamas, à mesa promovida pelo CALC, para justificar o “temor” de uma inflamação do debate. Ora, nem os autores nem Luís Inácio temem a nada senão ao povo e à luta popular e as implicações desta para suas carreiras de auxiliares do imperialismo. Enquanto os “intelectuais” buscam culpabilizar a “esquerda” pelo “perigo” do “antissemitismo”, igualando todo o povo judeu aos sionistas invasores da Palestina, o carreirista “líder sindical” lacaio de Washington, de forma tão ou mais reacionária, iguala a luta popular ao terrorismo e o genocídio fascista perpetuado por Israel há 75 anos contra os, também semitas, palestinos, às ações da Resistência Nacional Palestina lideradas pelo Hamas pela conquista do direito à liberdade nacional.

O artigo passa a “apresentar” (de fato incitar) a “possibilidade” da censura do debate, relatando que ele pode ser enquadrado como discurso de ódio, uma vez que a UERJ tem e teve vários alunos e professores de origem judaica. Relaciona, outrossim, em sua “imparcialidade”, tal possibilidade ao ocorrido com o professor Michel Gherman, que foi, no dia 11 de outubro, rechaçado na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) após afirmar que os atos do Hamas foram “uma ação de terror da pior espécie”. O que os autores falham em relacionar, em sua impecável sofística, é que no primeiro caso o que se “relata” (se incita) é uma medida institucional de censura, enquanto no segundo foram as próprias massas de estudantes que expulsaram o palestrante ao verificarem em seu discurso “especializado” a defesa da continuidade de uma injustiça histórica contra os palestinos. 

Qual é, porém, o teor da censura contra um debate que discuta as relações entre o militarismo brasileiro e o sionista? Onde se encontra em tal debate qualquer forma de “antissemitismo”? Vejamos.

No dia 09 de novembro, a Polícia Militar e sua tropa de Choque lançaram bombas de efeito moral e atiraram com balas de borracha contra manifestantes pró-palestina frente ao Consulado ianque, que defendiam como cães de guarda, na cidade do Rio de Janeiro. Os policiais, mostrando sua covardia, seguiram a manifestação empurrando idosos, agredindo jornalistas populares (os únicos que cobriram a manifestação, uma vez que ao monopólio de imprensa só cabe esconder a luta popular e rechaçá-la) e, por fim, tendo como prêmio a exibição de um saco cheio de fezes que tiraram do chão vitoriosos pensando se tratar de algum objeto deixado pelos manifestantes. Pelo lado dos populares e ativistas, conseguiram fazer as demonstrações e denúncias contra o sionismo frente à casa de seu amo no Rio, queimando uma bandeira de Israel e uma bandeira do USA manchadas de tinta vermelha representando sangue, jogando tinta vermelha contra o Consulado, pedras contra suas janelas e atirando rojões contra as tropas agressoras e contra o prédio

No dia 03 do mesmo mês, a prefeitura do Rio havia aderido à definição de antissemitismo promovida pela Aliança Internacional pela Recordação do Holocausto (IHRA), como foi apontado em recente e importante artigo publicado no AND, em flagrante apoio à tentativa de censurar e criminalizar a defesa da Palestina e as denúncias contra o genocídio promovido pela entidade sionista, o que se tornou, com o atual conflito, a tarefa da organização que diz representar os judeus e a memória do holocausto, mas de fato age como representante ideológica do sionismo. Segundo a definição, qualquer denúncia sobre a ilegalidade do Estado sionista, sobre sua atuação racista e fascista, pode ser enquadrada como antissemitismo. 

O teor da censura da denúncia da violação dos direitos do povo palestino como violação dos direitos do povo palestino, do racismo como racismo e do fascismo como fascismo repete-se, fica claro, na tentativa de censurar o debate sobre o racismo e fascismo brasileiro nas operações antipovo e ilegais das forças de repressão nacionais, Polícia Militar, Civil, Federal, Rodoviária e Exército, e suas ligações com o sionismo. Ou seja, agora, além de não podermos chamar a violação dos direitos do povo de violação de direitos do povo, o racismo de racismo e o fascismo de fascismo, também não podemos dizer que as forças de repressão no Brasil, que, no mesmo dia 09 das manifestações, prenderam duas pessoas acusadas de ligação com o movimento Hezbollah sob ordens da agência de inteligência israelense Mossad, prendendo outra no dia 13, em operação fajuta, são ligadas ao sionismo. Igualmente, pareceria, pela reação do reacionário e oportunista ministro de Justiça Flávio Dino, que não podemos acusar as forças de repressão brasileiras de serem submissas à Mossad, uma vez que o que o enervou quando a agência divulgou a coordenação das ações com a Polícia Federal para a prisão não foi outra coisa que a evidenciação da subordinação do velho Estado ao posto avançado do imperialismo ianque no Oriente Médio, isto é, ao próprio imperialismo ianque.

Contudo, seria extremamente injusto de nossa parte dizer que apenas nas atuais violações de direitos do povo brasileiro, inclusive o direito à soberania, sob o mando da Mossad encontram-se os elementos da ligação entre as forças de repressão brasileiras e o sionismo. De forma alguma cometeremos contra o sionismo e contra o velho Estado brasileiro essa injustiça. De forma alguma deixaremos de lembrar que, apenas na história mais recente, o governo de Luís Inácio, em 2003, abriu um escritório das Forças Armadas em Tel Aviv, que, no contexto das manifestações de 2013, o velho Estado sob gestão de Dilma Rousseff promoveu a modernização das Forças Armadas comprando equipamentos de Israel para reprimir manifestantes no país, que o governo de Alckmin, atual vice-presidente de Luís Inácio, em São Paulo, no ano de 2015, adquiriu dos sionistas 6 blindados no valor de 30 milhões de reais, que o governo de João Doria, em 2020, armou a Polícia Militar de São Paulo de armas “Nagev”, metralhadoras leves importadas de Israel, para dar continuidade ao genocídio nas favelas, que o governo de Jair Bolsonaro assinou contrato, ainda vigente, de cooperação na área de defesa com Israel, também inserindo o Brasil no quadro dos observadores do IHRA, ou que a Câmara dos Deputados, já no contexto do conflito, aprovou três acordos de cooperação com Israel, incluindo um acordo na área de segurança e no combate ao crime organizado. 

Muito menos, de fato, podemos esquecer de mencionar que o muro erigido para separar da favela da Maré nas Olimpíadas, quando o velho Estado estava ainda sob a gestão de Dilma Rousseff, foi construído sob os auspícios da International Security & Defense Systems Ltd. (ISDS), empresa sionista de assessoria e soluções em defesa e segurança, que, também treinou na época o Batalhão de Operações Policiais Especiais do Rio de Janeiro (BOPE), ou da parceria firmada em 2022 entre a Stand With Us, que age como um think tank  sionista, e a Força Aérea Brasileira (FAB), a Escola Superior de Guerra (ESG) e a Escola Superior Naval (ESN). Devemos ainda lembrar que a própria produção de armas no Brasil, na figura das empresas AEL, Ares Aeroespacial e Defesa SA, por exemplo, que são de propriedade da Elbit Systems Ltda., empresa bélica de Israel, está intimamente ligada ao sionismo – e, sejamos ainda mais justos e expliquemos que, apesar da Ares Aeroespacial anunciar orgulhosamente seu atendimento direto às Forças Armadas brasileiras, que com igual orgulho utilizam os equipamentos fornecidos na repressão dos camponeses e nas ocupações em favelas, essas empresas também produziram os blindados guarani APC usados também na repressão do povo filipino, demonstrando que não estão ligadas, de fato, apenas às forças de repressão brasileiras, mas à repressão do povo de forma geral e em toda parte.

Disponibilizando dados de cidadãos brasileiros ao bel-prazer da Mossad, comprando armas e veículos de fabricação israelense para cometer o genocídio contra o povo, principalmente no campo e nas favelas, deixando o treinamento das tropas da repressão nas mãos de mercenários sionistas e firmando acordos para formação ideológica junto aos sionistas, erigindo os muros da segregação no Rio de Janeiro sob o olhar atento dos mesmos, bem como submetendo a própria indústria bélica do país ao sionismo, o velho Estado brasileiro de fato torna difícil a nossa tarefa de demonstrar suas ligações com a entidade ocupante das terras palestinas. Difícil também, tendo em conta os dados divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em 2020 sobre a violência no país, de que 75,7% das vitimas de homicídio no país são negras1, grande parte dessas vítimas de violência policial, as pesquisas da Human Rights Watch, que destacaram que a ação policial nas favelas e demais bairros pobres é conduzida sem qualquer prudência, com três quartos dos mortos em 2015 tendo sido homens negros, ou as pesquisas do Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense (Geni/UFF), que apontam que na região metropolitana do Rio de Janeiro a eficiência das operações policiais chega à “enorme” taxa de 1,7%, a maioria resultando em muitas mortes e uma quantidade ínfima de apreensões de armas2, extremamente difícil, repetimos, é demonstrar o racismo e a atuação generalizada contra as massas mais empobrecidas das forças de repressão brasileiras e sua analogia com a atual e histórica sede genocida de Israel. Sendo o Brasil um dos países fora do contexto de guerra declarada que mais mata no mundo, inclusive matando mais que alguns países em guerra aberta em momentos recentes, com o grosso dessas mortes nas cidades ocorrendo sob a bandeira da Guerra às Drogas, guerra de baixa intensidade contra o povo, de fato, o velho Estado, com toda certeza, nos dificulta ainda traçar entre a agressão contra palestinos, feita sob a bandeira do combate ao terrorismo, e aquela contra todo o povo brasileiro, principalmente as massas nas favelas e o campesinato pobre, qualquer paralelo. 

Não, meus amigos, não poderemos aqui nem comparar nem traçar paralelos entre a violação de direitos, o racismo e o fascismo dos sionistas e das forças de repressão do velho Estado brasileiro, uma vez que, apesar de todo o povo brasileiro estar mais do que disposto a expulsar a corja de politiqueiros de quinta categoria, de assassinos covardes e de sanguessugas exploradores que engordam às suas custas das terras que nos pertencem, o velho Estado é um câncer e um parasita “legitimamente” atuante através dos preceitos “democráticos” da Constituição “Cidadã” e o seu amo ianque prefere usar os investimentos, o FMI, o Banco Mundial, a pressão militar e, quando muito, os golpes de Estado, para manter sob rédeas bem curtas, mas de aparência legal, as nossas elites e seus representantes políticos, atiçando-as apenas contra as massas e em prol de seus próprios interesses. 

Israel, por outro lado, é um complexo militar ianque a céu aberto destinado a manter todas as nações árabes submissas, no qual são investidos anualmente bilhões pelo USA, no qual todos os soldados são colonos e todos os colonos são ou viram soldados da ativa quando necessário. Estranho seria ver alguma comparação entre Gaza, uma prisão por este complexo guardada e atacada em casos de revolta ou por qualquer motivo que apresente-se suficiente para o sionismo, e a atuação da Polícia Militar, Civil e do Exército nas favelas do Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia etc., nas incontáveis chacinas e na prática, que se evidencia em uma simples conversa com qualquer morador, de controlar a entrada e saída de cidadãos nas ocupações em pontos de checagem militar, ou mesmo relacionar os muros da segregação existentes aqui e lá, apesar do denominador comum já apontado. Nada disso, infelizmente, podemos fazer sem nos remeter tanto ao sionismo quanto à sua classificação como entidade violadora dos direitos do povo, racista e fascista, é bem verdade. 

De fato, a possibilidade da censura do debate que relaciona e demonstra a cooperação entre o sionismo e o velho Estado brasileiro é real, tão real quanto a atuação conjunta da Polícia Militar e de suas tropas de Choque com os militantes de extrema direita na repressão do povo nos protestos pró-Palestina no Rio de Janeiro, os últimos atiçando as forças de repressão para atacarem os manifestantes e os primeiros se servindo bem da tentativa de acossamento das massas para agredirem idosos e jornalistas com bombas de efeito moral, empurrões, balas de borracha e spray de pimenta – fato mostrado ao vivo na cobertura do jornal AND. É também tão real quanto o fato de que, atualmente, a extrema direita e o sionismo andam irmanados para cima e para baixo, tão profundamente irmanados que o embaixador israelense se encontra, em despeito ao governo do fraco oportunista Luís Inácio, com o fascista Bolsonaro mesmo após os esforços do velho Estado para torná-lo inelegível e salvar a pele dos generais envolvidos nas intenções golpistas. 

Sionismo e fascismo não são, de qualquer forma, contrários, mas complementares, são o mesmo, e sua unidade reafirma o que já é conhecido: o inimigo do fascismo não é o judaísmo, mas o povo, e o povo judeu que defende os direitos democráticos dos palestinos não tem qualquer problema em reconhecer isso. Disso não se extrai qualquer negação do sofrimento desse mesmo povo judeu sob o holocausto nazista, mas sim que dizer defender os interesses do judaísmo não exime a qualquer um de ser fascista ou racista, muito menos quando se faz parte de um Estado de apartheid contra povos árabes, que, inclusive, promove também apartheid contra os judeus etíopes. A censura da condenação de Israel por seus crimes e por suas ações análogas às dos nazistas, que não é apenas possível, mas provável, se funda não no “temor” do “antissemitismo”, mas na própria defesa do fascismo/sionismo promovida desde os interiores do velho Estado brasileiro, que apenas se expressa de forma mais ativa nas figuras da extrema direita. 

O monopólio de imprensa O Globo também declarou, no dia 05 de novembro, em seu editorial que “A solução para o conflito no Oriente Médio exige a criação de um Estado palestino, convivendo lado a lado e em paz com Israel”. Grandiosa solução, uma vez que não é solução alguma, bem à moda do que não é nem censurável nem reprimível pelo velho Estado. Israel vem deslocando a população palestina há 75 anos, desde o Nakba, e continuamente expande suas operações, sendo a Faixa de Gaza, inclusive, um resultado de incursões ocorridas na década de 1960. Agora que a maldição da oitava década cai sobre as cabeças sionistas, falaremos descaradamente de paz? Muitas das organizações políticas palestinas, inclusive o Hamas, tentaram resolver por meios pacíficos o conflito e inclusive chegaram a aceitar a dita “solução de dois estados”, a qual, por sua vez, foi inevitavelmente nulificada pelo sionismo, que é a violência contra o povo palestino em seu estado mais sangrento hoje. Contudo, o editorial do monopólio quer nos fazer crer que não defender a essa mentira e utopia é ser antissemita, uma vez que defender a inexistência de Israel é, para eles, o mesmo que ir contra o povo judeu e defender a Resistência Nacional Palestina é defender o terrorismo. O monopólio, portanto, age tanto em favor da censura quanto da criminalização de qualquer um que desafie a mentira sionista da ancestralidade e do direito divino e que exalte a luta popular como a verdadeira solução, negada e tornada em uma ilusão sob qualquer outra forma seja pela ação sionista ou pelos debates infrutíferos na autodenominada Organização das Nações Unidas (ONU), para a questão palestina. 

Que devemos fazer, segundo o monopólio de imprensa, para não sermos antissemitas? Calarmo-nos quanto ao genocídio, esperar que a entidade sionista ilegal, racista e fascista decida que já matou o suficiente e aceitar tanto a ocupação quanto suas consequências sob a perspectiva de que, em algum momento ideal, haverá consenso entre os fascistas e o povo sobre a “solução de dois estados”? Claro, o editorial do monopólio de imprensa não nos permitiria ao menos utilizar, em sua grande “cientificidade”, a palavra “genocídio”, uma vez que considera que a existência de palestinos em terras (ocupadas pelos) sionistas é prova de que não se promove ali uma limpeza étnica ou que o crescimento populacional palestino é suficiente razão para não se poder considerar Israel como genocida. 

Evidentemente, para as brilhantes mentes por trás do lixo ideológico, para quem o critério da verdade é expresso em dólar, de nada conta que o sionismo esteja agora mesmo invadindo, bombardeando, agredindo, trucidando, prendendo de forma irrestrita, torturando, perseguindo política e economicamente etc. a todos os palestinos na Cisjordânia ocupada, que os sionistas estejam demitindo os palestinos ou que apenas os vissem, de qualquer forma, como mão de obra barata mesmo quando os contratavam, não diferindo nisso de qualquer colonialista. De nada conta que já se tenha sido feito comparação por um militar sionista, no atual conflito, entre os palestinos e animais a serem exterminados, que as Forças de Ocupação tenham justificativa para estuprar mulheres árabes como forma de levantar o moral, que o Estado de Israel seja, precisamente, erigido sobre o pressuposto da negação do direito aos palestinos, aos moldes fascistas, e promova um morticínio geral mesmo fora dos conflitos contra o povo palestino. De nada vale que se mate mulheres e crianças, que se mate bebês em incubadoras, que escolas e hospitais estejam cobertos de sangue e pedaços de corpos, que mais de metade das habitações em Gaza tenham sido destruídas, que os colonos ajam, na prática, como os “camisas-negras” de Hitler, sendo inclusive armados para aterrorizar cidadãos e mesmo indo até escolas exigir a retirada de bandeiras da Palestina, que os “corredores humanitários” sejam armadilhas mortais para os sádicos snipers ou que, assim como Hitler nos princípios de sua “solução final”, Netanyahu busque deslocar os palestinos de suas terras sob falsos pretextos diplomáticos. De fato, para o editorial do monopólio de imprensa, devemos não apenas esperar por tudo aquilo que já foi definido, sentar e assistir a tudo isso, mas também é necessário aguardar a hecatombe geral do povo palestino para classificarmos a atuação de Israel como genocida. 

Se juntamos os “temores” de Jardim e Castro e as afirmações do editorial d’O Globo, obtemos o escopo geral da atual covardia dos títeres do imperialismo e da determinação do monopólio de imprensa em, preventivamente, tentar coibir uma revolta popular de maior monta decorrente do atual conflito, da posição antipovo do velho Estado brasileiro, seja na política internacional ou na repressão da luta popular pró-Palestina, e do inevitável aumento da consciência das massas sobre sua própria opressão. Neste sentido, andam de mãos dadas essas tristes figuras da imprensa monopolista com o próprio velho Estado, que sempre as alimentou muito bem, tentando censurar na opinião pública e mesmo no debate acadêmico o que as leis municipais do Rio de Janeiro aliadas aos cassetetes, bombas e tiros da polícia querem censurar na prática. Contudo, esses mentirosos profissionais deveriam lembrar-se do amor que lhes deu o povo brasileiro dez anos atrás, nas Jornadas de Junho, expulsando-os como galinhas assustadas dos protestos e dando uma demonstração da verdadeira democracia e da verdadeira liberdade de expressão popular, que consiste também na supressão da liberdade de quem está contra o povo e em seu rechaço completo. 

  1.  CERQUEIRA, D et al. Atlas da violência – 2020. Brasília: IPEA, 2020. Disponível em: <https://www.ipea.gov.br/atlasviolencia/arquivos/artigos/3519-atlasdaviolencia2020completo.pdf> ↩︎
  2. HIRATA, D. Por um plano de redução da letalidade policial e sua supervisão pelo Observatório Judicial sobre a Polícia Cidadã. Geni/UFF, 2011. Disponível em: <https://geni.uff.br/wp-content/uploads/sites/357/2021/11/Relatorio-embragos_GENI_FOGO.pdf> ↩︎
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