Olavo e ‘Carluxo’, os ventríloquos do fascismo

Olavo e ‘Carluxo’, os ventríloquos do fascismo

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Artigo do professor Fausto Arruda, diretor geral do jornal A Nova Democracia, que será publicado na página 3 da edição nº 227 (2ª quinzena de setembro e 1ª de outubro de 2019), que estará disponível na internet e nas bancas de todo o Brasil ainda esta semana.


Conhecido como o “zero dois” por Bolsonaro, Carlos Bolsonaro (o “Carluxo”) deveria ser o “zero um”, por ser ele o preferido do pai, o qual é agradecido por haver criado-lhe condições para alcançar o mandato de presidente da república. 

Recentemente, o “zero dois” afirmou que “por vias democráticas a transformação que o Brasil quer não acontecerá”, sugerindo ainda que o governo atual, de seu pai, está atado ao Alto Comando das Forças Armadas: “Os que sempre dominaram seguem nos dominando de jeitos diferentes”. Essas afirmações só são dele na qualidade de ventríloquo de seu pai, o fascista Jair Bolsonaro, que já não pode dizer abertamente tudo que pensa pela posição que ocupa.

De certo modo, o grupo de Bolsonaro tem razão: não que os fascistas possam dar solução aos problemas do país (longe disso, o que propõem só agravará todas as desgraças para as massas e a Nação), mas sim, de fato, o governo está em outras mãos.

Ademais, quais seriam os atributos de Carlos? Não existem outros além da vasta verborragia chula utilizada para desqualificar seus detratores, cujos alvos preferenciais são a imprensa dos monopólios, os generais e quem mais se interponha no caminho de Jair Bolsonaro, cujo plano é virar a mesa para implantar um regime fascista no Brasil.

Carlos já sugeriu até mesmo que a guarda oferecida pelo Gabinete de Segurança Institucional, do general Augusto Heleno, está comprometida contra seu pai. No 7 de setembro, em um ato simbólico, como aquele que busca defender o pai, sentou-se no banco de trás do automóvel presidencial e, em seguida, montou uma parafernalha de vídeos para monitorar o procedimento dos médicos durante a cirurgia do presidente fascista. Recentemente, pediu inclusive licença da Câmara de Vereadores do Rio para exercer a atividade de guarda-costas do pai.

Carlos é reconhecido pelo pai como detentor de “profundos” conhecimentos em redes sociais, capaz de eleger um presidente da república. Também como quem é capaz de usá-las para manipular as consciências de milhões de brasileiros através de “fakes” ou mentiras disparadas em massa por um verdadeiro exército de repassadores treinados para afirmar e reafirmar as maiores idiotices e vulgaridades extraídas da lata de lixo da humanidade. E serve à causa muito bem, causando confusão com finalidade de naturalizar o caos num ambiente propício à implantação do fascismo.

Mas ele não é nada mais de que um sabujo da trupe de reacionários de uma extrema-direita mundial, que só vê o futuro pelo retrovisor da história, que desdenha dos avanços que a humanidade obteve com muito derramamento de sangue, como foi a derrota imposta sobre as hordas nazifascistas. 

O que Jair Bolsonaro e seus rebentos almejam é levar adiante, no sentido da corporativização, o golpe militar para prevenir o levante das massas, golpe que inexoravelmente se chocará com a Revolução Democrática, Agrária e Anti-imperialista que de forma represada vem se gestando há mais de século e que, apesar de a reação sempre ter desmantelado-a a ferro, fogo e sangue, nunca logrou afogá-la. A Revolução persiste e se levantará, novamente, com muito mais força, consciência e certeza de seu triunfo.

O núcleo duro da extrema-direita (Bolsonaro, seus filhos, chefes de igrejas neopentecostais, guiados pelo anticomunista fanático Olavo de Carvalho), observando um turvo caminho que as classes dominantes terão que percorrer para impulsionar o capitalismo burocrático (caminho perigoso, pois para tanto é necessário espoliar e massacrar as massas populares já revoltadas) tem uma percepção de que o único caminho de prevenção à rebelião das massas – a única forma de abortar o perigo de revolução – é a instalação de um regime militarista corporativista para embaucar as massas, com base no anticomunismo hidrofóbico. Com isso, criar caldo de cultura que justifique o terror desenfreado contra as organizações democráticas e populares – no terror e repressão, a propósito, tal núcleo e os generais direitistas convergem como ninguém.

Para aplicar tal plano, a retórica da extrema-direita é a de que “tudo o que está aí” é obra dos comunistas (vejam só!), que, segundo sentenciam os delírios olavistas, estariam infiltrados nas instituições, difundindo o “marxismo cultural” que domina a imprensa e a universidade. Por isso, em sua posse, Bolsonaro disse que o “problema ideológico” era pior que a corrupção. Para justificar sua obstinação pelo regime militar fascista para “salvar o país do comunismo”, a extrema-direita acusa a todos que passaram pelo governo pós-regime militar, com exceção de Sarney e Collor, por tal “crime”. Notórios direitistas anticomunistas (como o próprio general Villas-Bôas) tornam-se, da noite para o dia, “comunistas” de carteirinha para os bolsonaristas mais fanáticos.

O governo de fato do ACFA restringe o grupo de Bolsonaro, pois tem plena consciência do quão desastroso para a contrarrevolução seria neste momento a imposição de um regime militar, que só faria levantar uma ampla frente de resistência na sociedade, uma onda de total repúdio às Forças Armadas e aos militares. No campo da contrarrevolução, para a extrema-direita, como disse o guru bolsonarista Olavo de Carvalho, “a única saída é o presidente apoiar-se no povo que o ama”, disse, referindo-se às massas iludidas e, apoiando-se nessa massa, criar uma “militância bolsonarista” ativa para “impor sua autoridade por igual a civis e militares”. Aí ele refere-se, é claro, à necessidade de uma corporativização fascista da sociedade. E ele foi mais longe: “Ou isso, ou já estamos numa atmosfera de golpe não declarado”.

A realidade é que, tanto a extrema-direita e seu projeto de “revolução” fascista quanto os generais direitistas e seu projeto de velha “democracia” bonapartista lançarão mão de uma superexploração inaudita das massas de nosso povo. Bolsonaro, buscando ganhar apoio de mais setores do imperialismo ianque, predica converter o Brasil num protetorado ianque, entregar os recursos naturais e minerais e a produção agrícola.

Nessa situação, às massas, açoitadas que serão como sempre têm sido, só restará combater por seus minguados direitos até encontrar o luminoso caminho de sua libertação. O Novo só pode surgir em nosso país através da liquidação de toda essa estrutura: a base semifeudal e condição semicolonial embrulhadas em modernidade e tecnologia de ponta, liquidação que virá quando o poder popular de Nova Democracia se impor e a soberania nacional falar mais alto. O Novo Estado revolucionário, uma nova economia e nova cultura materializados na liquidação do latifúndio pela distribuição de terras aos camponeses sem terra ou com pouca terra, na nacionalização dos setores estratégicos da economia e no confisco de todo o grande capital estrangeiro e local para serem aplicados em prol do progresso do povo e da Nação.

Que o território nacional seja povoado por pequenos produtores organizados em cooperativas com assistência técnica efetiva, garantida pelo Novo Estado, em acelerada mecanização e coletivização da produção voltada à alimentação da população e abastecimento de matérias-primas para o salto da industrialização completa do país, voltada principalmente à satisfação da Nação e à cooperação e solidariedade aos povos e nações também em luta por sua libertação do jugo imperialista.

Só a Grande Revolução Democrática fará nascer o Brasil Novo!

Ao longo das últimas duas décadas, o jornal A Nova Democracia tem se sustentado nos leitores operários, camponeses, estudantes e na intelectualidade progressista. Assim tem mantido inalterada sua linha editorial radicalmente antagônica à imprensa reacionária e vendida aos interesses das classes dominantes e do imperialismo.
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