Os Porcos da Amerikkka

Os Porcos da Amerikkka

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Reproduzimos por ocasião dos recentes protestos contra a violência contra o povo preto e pobre nos USA o artigo publicado originalmente no site do Coletivo Estudantes do Povo (CEP), sobre a histórica repressão policial naquele país.


Arte de Emory Douglas, ministro da cultura do Partido dos Panteras Negras e responsável por colocar (diante de várias publicações nos veículos de propaganda do partido) a assimilação entre policiais como porcos.

Manifestante exibe cabeça de porco em referência aos policiais. Foto: Jeff Wheeler / Star Tribune via AP

”O que é um porco? Uma besta de baixíssima natureza sem qualquer compromisso com a justiça, lei ou os direitos do povo; uma criatura que morde a mão daqueles que a alimentam; um imundo e depravado traidor que é geralmente encontrado disfarçado como a vitima de um ataque não provocado”

Emory Douglas

Ante ao assassinato do jovem George Floyd por policiais, temos despertado ao mundo a faceta de si que o imperialismo ianque quer esconder: As cores de sua bandeira têm sangue de genocídios coloniais e que o seu slogan de ”terra de liberdade” não vale a todos e principalmente, não vale ao povo negro.

A conjuntura da pandemia, por exemplo, deixa isso claro, basta termos em mente que o grande número de mortos do país é formado majoritariamente por negros e imigrantes. Já no Brasil (onde a maioria da população negra habita comunidades), a porcentagem oficial de infectados negros vem aumentando, enquanto o de brancos vem decrescendo. Os EUA e nosso país também são dotados de números alarmantes de negros compondo a maior parte da população carcerária, onde na terra do Tio Sam é maior que o número de escravizados no período colonial.

Essa barbárie é o que nós – povos semi-coloniais e semi-feudais – somos obrigados a bancar: uma nação que despreza e mata seu próprio povo. Porém, felizmente, a raiz de luta pela libertação dos povos oprimidos pelo sistema surge em qualquer lugar e esta é uma das irmãs daqueles que lutam contra o imperialismo, basta olharmos para os grandiosos exemplos de antigos revolucionários da libertação negra no país, tais quais: Malcolm X, W.E. Dubois, Huey Newton, Bobby Seale, George Jackson, Herman Wallace, Assata Shakur e Mumia Abu Jamal (sendo dos dois últimos Assata considerada terrorista procurada e Mumia ainda encarcerado), todos que se mostravam unidos aos povos revolucionários do mundo e que os próprios revolucionários em si os adotaram igualmente.

Portanto, não é apenas uma questão americana, é uma questão de solidariedade a luta dos povos por sua libertação. Também não é uma questão de ”direitos humanos”, pois os capitães do mato e jagunços do velho estado que hoje usam farda e distintivo não defendem o povo e jamais defenderão, principalmente se tratando do povo negro que tendo como exemplo o Brasil – País semi-colonial onde um apologista da escravidão é escolhido pelo governo como chefia da cultura afro brasileira. Para esses porcos é dada a liberdade sem terra e intervenções criminosas contra suas comunidades, das quais assim como os EUA tiveram suas figuras de destacas e suas rebeliões, também tivemos os nossos, como Zumbi com o quilombo dos palmares, João Cândido com a revolta da chibata, Luís Gama como patrono da abolição da escravatura e muitos.

Na conjuntura atual temos mais uma rebelião no seio das massas (como a de todas as figuras citadas) contra um sistema criminoso, criado e alimentado pelo racismo. Devemos todos levantarmos nossa defesa às manifestações, além de nos posicionarmos contra a versão dos monopólios de mídia burguesa, grandíssimos canalhas que tentam a todo custo taxá-las de desenfreadas e desorganizadas para dar a impressão de que não se trata de algo justo se o protesto não for pacífico e que – no Brasil – são os mesmos que propagam como solução à violência das comunidades as intervenções de milicos, que ”nem todo o policial é como dizem” e etc… Apologistas de todos os crimes do velho estado ao povo, crimes dos quais mais uma vez querem nos sujar, o que como diz o presidente Mao a respeito disso: ”é importante que nos sujem para que assim seja proposto uma linha que nos separe deles”.

Devemos mostrar também que tal crime não é um caso isolado e nem ao menos um caso exclusivo aos EUA, a polícia carrega as armas que mataram o desarmado pantera Fred Hampton (dentro de sua própria casa com sua mulher e seu filho assistindo), o jovem pantera rendido de 18 anos Bobby Hutton (que foi usado de encomenda contra Malcolm X), que matou o jovem de 14 anos João Pedro no Rio de Janeiro recentemente, que cortaram a cabeça de Zumbi e que transformam a comunidade do Mosquito no RN, Alemão no RJ e muitas outras em palcos de guerra. O povo trabalhador quer respostas e se o sistema não responde (já que colabora com isso), que o mesmo sofra todas as consequências.

Saudamos desde já todos os atos desde o Minnesota até Austin, sendo no primeiro um dos casos mais notórios e no segundo onde os revolucionários da região historicamente marcada pela escravidão e sua defesa pelo exército confederado na guerra civil americana tiveram presença ativa nos protestos.

“O capitalismo costumava ser como uma águia, mas agora se parece mais com um urubu, sugando o sangue dos povos. Não é possível haver capitalismo sem racismo”.

Malcolm X

Protesto de Revolucionários e povo em Austin, um dos estados alinhados na história da Guerra Civil Americana aos confederados escravistas.
(FONTE: Tribune of the People)

Em Minneapolis, massa enfurecida incendeia prédio em protesto contra à morte de Goerge Floyd.

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