PE: Criança de 9 anos, filho de liderança camponesa, é assassinada por pistoleiros

PE: Criança de 9 anos, filho de liderança camponesa, é assassinada por pistoleiros

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Geovane, líder camponês e seu filho Jonatas, covardemente assassinado por pistoleiros em Engenho Roncadorzinho. Foto: Reprodução

Escondido debaixo da cama, Jonatas Oliveira, uma criança de 9 anos, buscava se proteger quando foi covardemente assassinado por pistoleiros na noite de 10 de fevereiro. Os criminosos que afirmaram ser policiais não exitaram em alvejar a criança, filho de Geovane da Silva Santos, líder camponês. O odioso fato ocorreu em Engenho Roncadorzinho, no município de Barreiros, na Mata Sul de Pernambuco, onde o latifúndio continuadamente tenta expulsar os camponeses de suas terras.

Pistoleiros ceifam a vida do menino Jonatas

De acordo com as denúncias, sete pistoleiros encapuzados e fortemente armados alegando serem policiais, invadiram a casa do líder camponeses por volta das 21h e alvejaram os moradores. Um tiro acertou de raspão o ombro de Geovane, mas segundo as testemunhas os criminosos gritavam “No coroa não, no coroa não!”. Na sequência, atiraram contra o filho do camponês que estava embaixo da cama junto com sua mãe. Ferido, Geovane procurou socorro na casa de um dos camponeses.

Na área onde ocorreu o crime vivem há mais de 40 anos cerca de 400 camponeses, 150 destes são crianças. Geovane é presidente da Associação dos Agricultores Familiares do local e já foi alvo de outras ações criminosas.

Segundo o advogado Plácido Júnior, da Comissão Pastoral da Terra (CPT), foram encontrados vestígios de uma área onde pistoleiros faziam campana para acompanhar os passos do líder camponês.

No dia seguinte, antes do velório do menino, centenas de moradores da região realizaram um protesto exigindo justiça.

O latifúndio tenta expulsar camponeses em Roncadorzinho

O Engenho Roncadorzinho, onde vivem os camponeses, foi propriedade da Usina Central Barreiros e também da Usina Santo André (Companhia Açucareira Santo André do Rio Una), pertencente aos latifundiários da família Bezerra de Mello. Porém, o local com cerca de 900 hectares foi ocupado há pelo menos quatro décadas pelos trabalhadores ou credores das antigas usinas que, após a falência, não pagaram as devidas indenizações às famílias. 

A área que atualmente é considerada massa falida, apesar da ocupação histórica dos camponeses, está sob administração do judiciário.

A Agropecuária Javari, também reivindica a terra dos camponeses. O latifúndio  arrendou o Engenho Roncadorzinho, há pelo menos 10 anos. Os conflitos pela terra entre os latifundiários e os camponeses, no entanto, começaram cinco anos depois. A usina, com objetivo de expandir a monocultura de cana-de-açúcar, iniciou a destruição das lavouras, usando agrotóxico que contaminava fontes de água potável e a plantação dos camponeses. 

Há três anos atrás, os latifundiários por meio de processo judicial iniciaram uma tentativa de despejo das famílias. O judiciário não proferiu uma decisão sobre o caso, o  Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), propôs uma “conciliação amigável”.

No entanto, segundo relatos dos camponeses, as intimidações e as ameaças continuaram sendo promovidas pelos latifundiários.

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