Ativistas são baleados e presos em manifestação em defesa da Venezuela em Recife, PE

Pelo menos cinco pessoas foram atingidas por disparos com arma de fogo e balas de borracha, e dois ativistas foram detidos arbitrariamente.
Manifestação no Recife. Foto: AND.

Ativistas são baleados e presos em manifestação em defesa da Venezuela em Recife, PE

Pelo menos cinco pessoas foram atingidas por disparos com arma de fogo e balas de borracha, e dois ativistas foram detidos arbitrariamente.

Após 25 dias da agressão imperialista à nação e povo venezuelano, manifestantes de Recife, neste 28 de janeiro, realizaram um combativo protesto contra a intervenção imperialista na Venezuela. Durante a marcha os manifestantes foram violentamente reprimidos pela Polícia Militar, que atirou com arma de fogo letal e balas de borracha contra os manifestantes. Pelo menos cinco pessoas foram atingidas pelos disparos e dois ativistas foram detidos arbitrariamente.

A concentração do ato ocorreu na Praça do Derby às 17h, atendendo o chamado de diversas organizações democráticas e revolucionárias, como a Liga Anti-Imperialista Internacional (LAI) e o Comitê de Solidariedade à Palestina de Pernambuco. Estiveram presentes diversas organizações como o Mangue Vermelho e o Movimento Ventania. Também esteve presente no ato uma delegação de camponeses da Liga dos Camponeses Pobres (LCP).

Na frente do conjunto de manifestantes, estava uma faixa, onde podia-se ler “Fora ianques da América Latina! Viva a luta anti-imperialista!” assinada pela LAI e outra, assinada pelo Comitê de Solidariedade à Palestina de Pernambuco, onde podia-se ler “Abaixo o imperialismo! Fora Estados Unidos da Venezuela e da América Latina!”.

Segundo acusações da Polícia Militar, manifestantes haviam lançado coqueteis molotov e rojões contra uma estrutura do monopólio ianque McDonalds, localizada entre duas das maiores avenidas da cidade, a Av. Agamenon Magalhães e  Av. Conde da Boa Vista. Durante todo o ato, manifestantes estouraram rojões para cima e entoaram gritos como: “E viva as bombas e as malvinas da invencível luta anti-imperialista!” e “O povo prepara sua rebelião! Se abre um novo tempo para a revolução!”.

Polícia Militar, agente dos interesses ianques no Brasil

Os manifestantes haviam se organizado para caminhar até o Consulado ianque, como destino final do ato. Ainda no início do trajeto, policiais militares passaram a reprimir os manifestantes, atirando com munição letal e balas de borracha contra o protesto e jogando spray de pimenta contra os ativistas. Durante a ação covarde da PM-PE, dois ativistas foram detidos e diversos foram baleados. Após a repressão do velho Estado, ainda podia-se ouvir gritos como “Ir ao combate sem temer! Ousar lutar! Ousar vencer!”.

Registros de manifestantes que foram atingidos pela PM com balas de borracha e munição letal e spray de pimenta; Fonte: AND.

Durante toda a manifestação, desde o momento da concentração, os ativistas foram duramente vigiados pela PM. Os manifestantes denunciaram ao correspondente local de AND em Recife que há meses, desde os protestos em solidariedade à Palestina, não possuem acesso à fachada do Consulado Ianque, sob justificativa de “ações violentas por parte dos manifestantes”.

Após a convocação da última manifestação em solidariedade ao povo Venezuelano, foi emitido um comunicado aos cidadãos norte-americanos em Recife no portal da Embaixada e Consulado dos EUA no Brasil afirmando que deveriam evitar a Conde da Boa Vista e que “historicamente, aglomerações desse tipo têm sido pacíficas e ordeiras; no entanto, manifestações podem rapidamente tornar-se imprevisíveis” e que “as autoridades de segurança pública brasileiras estão cientes sobre estes protestos e monitoram a situação”, deixando claro que a Polícia Militar monitorou o ato a mando direto do imperialismo e que imperialistas, em território nacional, estão ativamente monitorando os movimentos populares.

Crescem as manifestações em solidariedade à Venezuela

A manifestação do dia 28 de janeiro em Recife já é a segunda na cidade. O primeiro foi realizado no dia 5 de janeiro e foi, também da praça do Derby, ao consulado geral dos EUA em Recife. Ao chegar em frente ao consulado, manifestantes realizaram a queima das bandeiras do imperialismo ianque e da entidade nazi-sionista de Israel, entoando gritos como “Yankees, go home!”, palavra de ordem que consagrou a luta anti-imperialista na América Latina no século passado (“Ianques, vão para casa”). Após a queima, outro grupo de manifestantes pixou o asfalto com a mensagem “EUA = Terrorismo! Abaixo o imperialismo!”. 

Após a invasão ianque na Venezuela e o covarde rapto do presidente Nicolás Maduro no dia 3 de janeiro, massas populares de todo o mundo levantaram uma poderosa onda de manifestações anti-imperialistas em solidariedade ao povo venezuelano, onde se teve registro em toda a América Latina: no México, Chile, Argentina, Cuba e Equador, próximo às embaixadas dos EUA. Em Porto Alegre, 2 manifestantes foram detidos pela Brigada Militar durante a ação de solidariedade.

Em publicação recente, a Liga Anti-Imperialista Internacional convocou o Dia Internacional de ações em solidariedade ao povo e nação venezuelanos. Em nota oficial, a LAI denúncia que “este ato de guerra, que inclui bombardeios, assassinatos e sequestro do presidente Maduro e sua esposa, constituem uma flagrante violação da soberania nacional, seguido de declarações de que Estados Unidos ‘governará’, ameaças de levar a cabo ataques maiores e declarações de que Estados Unidos controlará o petróleo venezuelano” e orienta a “preparar-se para uma luta prolongada que culmine no varrimento definitivo do sistema imperialista da face da Terra, transformando o “quintal” ianque em um cemitério para os invasores”.

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