Trata-se de uma demonstração prática de que a podridão é multi-institucional, suprapartidária, da extrema direita à falsa esquerda. Afinal, Vorcaro encontrava portas abertas em diferentes partidos e instituições porque o grande capital não está submetido às fronteiras eleitorais com que seus representantes dividem o povo.
STF termina sessão sem decidir sequer se Moraes será investigado; pedido de vista de Flávio Dino suspende julgamento por até 90 dias e pode empurrar retomada para dezembro.
Moraes chama relatório da PF de “farsa” e invoca “interferência estrangeira” para salvar a própria pele, enquanto Dino pede apuração sobre encontro de Mendonça com Vorcaro e possíveis interesses do Master em concessões públicas.
Fachin passou o dia consultando ministros e Paulo Gonet para definir como a Corte julgará o relatório da PF que alcança um de seus próprios membros; diligências consideradas sensíveis continuam fechadas.
Ministros da casta judiciária derrubam as ordens uns dos outros, 11 dos 13 diretores da PF põem os cargos à disposição e as apurações são suspensas justamente quando alcançam os próprios julgadores.
Decisão separa a acusação de Moraes contra Mendonça do inquérito relatado pelo próprio acusador; diferentes grupos de Poder já disputam quem conduzirá os casos Master e INSS.
A velha ordem, asquerosa como seja, precisa decompor-se para servir de matéria ao que nasce sobre ela: o terreno de onde brotará uma nova realidade e uma nova democracia.
A divulgação do relatório agravou a pugna no interior do STF e entre as instituições do velho Estado, chegando a demonstrar também as relações diretas entre o Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, e o ex-banqueiro. O próprio relator André Mendonça também chegou a ter reunião com Vorcaro.
Em profunda crise de legitimidade, as instituições do velho Estado afundam no descrédito, mas o ministro do STF tem uma receita para a velha democracia burguesa: reformar as eleições – num sistema do qual ele próprio é velho conhecido.