Dia 1° de setembro de 2026: completam-se 1.060 dias desde o Dilúvio de Al-Aqsa. Quando este boletim vai ao ar no Brasil, na manhã de 2 de setembro, no horário de Brasília (GMT-3), a Palestina já adentra a noite do mesmo dia, sob o fuso de Gaza e Al-Quds (GMT+3).
Esta edição do Plantão Palestina destaca os novos detalhes da operação clandestina realizada no oeste da Cidade de Gaza. O Plantão anterior havia registrado a descoberta da força infiltrada e sua retirada às pressas sob intensa cobertura aérea. As informações divulgadas posteriormente pelas estruturas de segurança da Resistência acrescentaram que o alvo principal da ação não foi capturado, integrantes da força sofreram baixas, armas e equipamentos foram recolhidos e três colaboradores que davam apoio de inteligência e logística à operação foram presos. A ocupação conseguiu sequestrar outro oficial da Segurança Interna palestina, Moein Mohammed al-Arabeed, depois de feri-lo; sua esposa foi assassinada e alguns de seus filhos ficaram feridos.
No mesmo dia, Washington ampliou novamente os bombardeios contra o Irã. Explosões foram registradas de Bandar Abbas e Qeshm a Jask, Chabahar e Konarak; um ataque atingiu uma festa de casamento em Sirik e matou civis. Poucas horas depois, mísseis e drones iranianos foram lançados contra bases utilizadas pelo EUA em vários países. A sequência ocorreu um dia depois de documentos internos revelarem que mandos dos comandos ianques da Europa, Indo-Pacífico e Sul haviam advertido Pete Hegseth de que sustentar por longo prazo o atual volume de operações contra o Irã era “insustentável”.
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Resistência frustra alvo principal da operação, apreende armas e prende três colaboradores
A força sionista infiltrada entrou na região de Al-Katiba, no oeste da Cidade de Gaza, utilizando veículos civis. Relatos palestinos indicam que a operação tinha como alvo uma figura central ligada às estruturas de segurança da Resistência. Sua presença foi descoberta antes que alcançasse o objetivo e seguiram-se confrontos armados.
A plataforma Al-Haris, vinculada à segurança da Resistência, informou posteriormente que o alvo principal escapou, a força sionista sofreu baixas e deixou para trás armas e equipamentos, que foram apreendidos. Três colaboradores que prestavam apoio de inteligência e logística à operação de “Israel” foram detidos. As informações divulgadas em 2 de setembro detalham o desfecho da ação ocorrida na terça-feira.
A ocupação conseguiu, contudo, sequestrar Moein Mohammed al-Arabeed, oficial da Segurança Interna que estava no local. Segundo o Ministério do Interior em Gaza, al-Arabeed foi ferido durante os confrontos; sua esposa foi assassinada e alguns de seus filhos ficaram feridos. A entidade apresentou o prisioneiro como dirigente central do aparato de segurança do Hamas, enquanto as estruturas palestinas contestaram a descrição de suas atribuições feita pela inteligência sionista.

Quando a força sionista foi descoberta, aviões e drones passaram a atacar intensamente Al-Katiba e Ansar. Uma fonte de segurança palestina disse à Al Jazeera que os integrantes da unidade recuaram em motocicletas, ainda sob fogo dos combatentes, enquanto a aviação abria caminho. Mais de dez aeronaves participaram da cobertura; fontes sionistas contabilizaram ao menos 12 ataques sobre a área.
Os bombardeios atingiram uma região repleta de tendas e abrigos para deslocados. O Hospital Al-Shifa registrou quatro mortos – três crianças e uma mulher – e oito feridos durante a operação. Drones e quadricópteros abriram fogo nos arredores do hospital de campanha instalado em Al-Katiba e dificultaram a chegada de equipes de socorro.
O Hamas afirmou que a operação, os assassinatos e o sequestro fazem parte de uma tentativa de derrubar o cessar-fogo e retomar em maior escala o genocídio. Desde a entrada em vigor do acordo, a ocupação já assassinou 1.326 palestinos e feriu 4.398.

EUA amplia bombardeios contra costa iraniana; retaliação alcança rede regional de bases
O Comando Central ianque anunciou uma nova onda de ataques a partir do meio-dia de 1º de setembro. Explosões foram registradas em Bandar Abbas, Qeshm, Jask, Minab e Bandar Lengeh, na província de Hormozgan, e em Chabahar e Konarak, no Sistão-Baluchistão. Washington afirmou ter atacado radares, sistemas de defesa aérea, comunicações, meios navais e estruturas relacionadas às minas em Ormuz.
Um dos golpes atingiu uma festa de casamento em Sirik, no litoral de Hormozgan. O Crescente Vermelho iraniano confirmou a morte de civis, entre eles uma criança, e dezenas de feridos; a rede elétrica provincial também foi atingida em vários pontos. As informações iranianas sobre o número de mortos oscilaram entre quatro e cinco durante as primeiras horas após o ataque.
WATCH | Iran’s state TV shared footage of Iranian Army drone strikes on US army positions and radar installations at bases in Bahrain and the UAE.#Iran #IranWar #WestAsia #UAE pic.twitter.com/XqKPcYmjMx
— Al Mayadeen English (@MayadeenEnglish) September 2, 2026
Teerã iniciou a resposta ainda na terça-feira. Os Guardas da Revolução anunciaram ataques de mísseis balísticos contra uma instalação utilizada por fuzileiros ianques na Jordânia; o Exército iraniano lançou drones contra instalações de radar e posições estadunidenses na base Sheikh Isa, no Bahrein. Houve também ataques contra posições ligadas ao EUA em Erbil, no Iraque. Washington contestou os balanços iranianos de baixas, mas confirmou a ofensiva contra suas posições.

A operação prosseguiu durante a madrugada de 2 de setembro. Os Guardas da Revolução anunciaram que mísseis e drones atingiram a base aérea Ali Al Salem, no Kuwait, concentrando o ataque no alojamento e no quartel-general de um mando militar ianque, além de um hangar e plataformas de drones. Teerã afirmou ter causado baixas e destruído aeronaves; o EUA ainda não havia confirmado o balanço iraniano.
The moment an American drone was shot down. https://t.co/cc8c8BHetZ pic.twitter.com/bEg9V4O5LH
— IRIB (Islamic Republic of Iran Broadcasting) (@iribnews_irib) September 1, 2026
O Exército iraniano anunciou também ataques com dezenas de drones contra radares e posições utilizadas pelo EUA nas bases Al Dhafra e Al Minhad, nos Emirados Árabes Unidos, além de novas ações no Bahrein. Assim, no desdobramento iniciado em 1º de setembro, instalações usadas pelas forças ianques em Jordânia, Bahrein, Iraque, Kuwait e Emirados Árabes Unidos foram colocadas sob ataque.
The IRGC announced Wednesday that it targeted the residence of the US commander at Ali Al Salem Air Base in Kuwait, along with the base’s drone hangar and launch platform.
— Al Mayadeen English (@MayadeenEnglish) September 2, 2026
It added that several "enemy personnel were killed" and that a number of its drones were destroyed at the… pic.twitter.com/YTFJxuS7fh
No dia anterior, os documentos obtidos pelo Washington Post haviam registrado que apenas cerca de um quarto dos destróieres ianques estava pronto para nova mobilização, que estoques de Patriot, THAAD e Tomahawk haviam sido severamente reduzidos e que aproximadamente um quarto dos MQ-9 Reaper do Pentágono já havia sido perdido durante a guerra. A nova sequência exigiu outra rodada de interceptações e defesa simultânea de posições espalhadas pela região.

Dois petroleiros atingem minas em Ormuz enquanto Tesouro ianque promete ‘asfixiar’ economia iraniana
O Estreito de Ormuz permaneceu no centro da atual campanha. Os Guardas da Revolução informaram em 2 de setembro que dois petroleiros pegaram fogo e foram danificados depois de entrarem numa rota minada que Teerã havia declarado não autorizada. Segundo o comunicado, as embarcações seguiram orientações estadunidenses apesar dos avisos iranianos sobre a passagem.
As restrições à navegação já haviam reduzido o movimento para uma fração dos níveis anteriores à guerra. Washington segue exigindo circulação sem controle iraniano, enquanto Teerã permite passagem por corredores autorizados e vincula a normalização completa do Estreito ao cumprimento dos compromissos firmados no memorando de junho.

No mesmo dia 1º, o secretário do Tesouro ianque, Scott Bessent, anunciou novas sanções bancárias e afirmou que Washington pretende “asfixiar economicamente” o Irã. Bessent chegou a prever que, em dois anos, Ormuz se tornaria um “pedaço de água sem valor”, porque oleodutos terrestres substituiriam a rota marítima.
A interrupção já força mudanças muito mais imediatas. O porto jordaniano de Aqaba registrou aumento de 155,1% no volume de cargas em trânsito no primeiro semestre de 2026, impulsionado pelo desvio de mercadorias que antes chegavam ao Iraque pelo Golfo. Os contêineres descarregados em Aqaba percorrem cerca de 760 quilômetros por terra até o território iraquiano.

Arquivos vazados revelam contratos militares sionistas com Uganda às vésperas de envio de tropas a Gaza
Documentos internos da fabricante sionista Elbit Systems revelados pelo Drop Site News detalharam em 1º de setembro uma relação militar de anos com o regime de Yoweri Museveni. Um contrato assinado em março de 2024 prevê US$ 52,1 milhões por quatro drones Hermes 900, infraestrutura de apoio, sistemas de vigilância de grandes áreas e equipamentos destinados à Inteligência Militar e ao Comando de Forças Especiais de Uganda.
Os arquivos registram também drones Hermes 450 fornecidos em anos anteriores, munições vagantes SkyStriker, sistemas de inteligência eletrônica e projetos para centros capazes de transformar dados coletados pelos drones em inteligência operacional. Um documento de 2021 avaliava em US$ 16,1 milhões um pacote com dois Hermes 900, manutenção de outra aeronave e estruturas de controle e treinamento.
A revelação aparece poucas semanas depois de o Parlamento ugandense autorizar o envio de tropas para Gaza dentro da chamada força internacional de “estabilização” articulada pelo Conselho de Trump. “O presidente da República de Uganda está pronto para se deslocar à Faixa de Gaza”, afirmou o ministro da Defesa, Kiryowa Kiwanuka, durante a votação. Um deputado da oposição respondeu perguntando “de que lado nosso Exército vai lutar?”.

Uganda e a entidade assinaram um acordo formal de cooperação militar em 2022. Poucos dias antes da autorização parlamentar para Gaza, o atual comandante militar ugandense e filho de Museveni, Muhoozi Kainerugaba, inaugurou no aeroporto de Entebbe um monumento a Yonatan Netanyahu, irmão de Benjamin Netanyahu morto durante a incursão sionista realizada ali em 1976.
Os mesmos documentos identificam como beneficiárias dos sistemas da Elbit estruturas de repressão interna. Em 2021, o próprio Departamento do Tesouro do EUA sancionou o então comandante da Inteligência Militar ugandense, Abel Kandiho, citando denúncias de prisões por motivos políticos, espancamentos, abusos sexuais e eletrocussão durante interrogatórios.
A documentação tornou-se pública dias depois da prisão de dirigentes da Liga Comunista de Uganda (LCU), que acabara de realizar seu 1º Congresso Nacional. A organização vem ampliando células de estudo, trabalho entre jovens, operários e camponeses e denuncia tanto a dominação das potências imperialistas ocidentais quanto a ingerência russa e chinesa no continente.

Entidade tomou área equivalente a 109 km² de terras palestinas sob atual governo
A Comissão de Resistência ao Muro e à Colonização divulgou no fim de 1º de setembro que a entidade sionista retirou do controle palestino 109.141 dunams – aproximadamente 10,9 mil hectares, ou 109 km² – durante o atual governo.
As principais modalidades foram 69.084 dunams apropriados por decisões sobre limites e reservas naturais e outros 29.131 classificados como “terras de Estado”. Ordens de apreensão e expropriação completam o levantamento.
Quase 89% do total foi tomado somente em 2023 e 2024: 50.525 dunams no primeiro ano e 46.597 no seguinte. Depois de 5.572 dunams em 2025, a entidade voltou a acelerar em 2026: até agosto, já eram 6.447 dunams, 875 a mais do que durante todo o ano anterior. Nablus concentrou cerca de 24.749 dunams das terras cuja localização pôde ser atribuída a uma única província; Jericó e o Vale do Jordão vieram depois, com 12.709.
Também na terça-feira, colonos atacaram casas em Kisan, a leste de Beit Lahm, e tentaram roubar ovelhas, mas moradores os enfrentaram e impediram o saque. Em Abu Njeim, ao sudeste da mesma cidade, outro grupo arrancou e levou o portão de uma residência, uma bomba d’água e três caixas de água, além de espalhar pregos pela estrada.

Contaminação da água quase triplica em Gaza; 6,6 mil amputados precisam de cuidados prolongados
A Organização Mundial da Saúde informou que a proporção de amostras de água com contaminação microbiológica em Gaza passou de menos de 6% em janeiro para mais de 18% em agosto. Mais de 6,7 mil amostras foram examinadas durante o período.
Os casos de diarreia aquosa aguda quase dobraram no mesmo intervalo. A OMS advertiu que a chegada das chuvas pode espalhar esgoto, lixo e água contaminada pelas áreas onde famílias deslocadas dormem e cozinham.
A organização calcula ainda que 6,6 mil palestinos amputados necessitam de cuidados de longo prazo. Próteses não entram normalmente na Faixa desde maio de 2024; entre 4,6 mil pessoas que perderam membros desde outubro de 2023 e estavam registradas até julho, somente 12% haviam recebido uma prótese levada pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha.
Na mesma jornada, o gabinete palestino informou que a ocupação havia retirado o registro de 37 organizações humanitárias internacionais atuantes em Gaza e na Cisjordânia. Quase dois milhões de palestinos dependem em algum grau da entrada regular de alimentos, medicamentos, combustível e outros suprimentos na Faixa.

Resistência Libanesa volta a lançar drones enquanto ocupação prossegue com demolições no Sul
Durante 1º de setembro, um drone sionista atacou Nabatieh al-Fawqa; artilharia atingiu Houla e Al-Mansouri, e máquinas pesadas da ocupação avançaram sobre Al-Mansouri para demolir residências. Disparos de metralhadora foram registrados nos arredores de Aita al-Jabal. O Ministério da Saúde libanês elevou o balanço desde 2 de março para 4.353 mortos e 12.323 feridos.
Já no fechamento de 2 de setembro, a Resistência Libanesa anunciou o lançamento de dois drones carregados com explosivos contra tropas sionistas no Sul do Líbano, enquanto os ataques da ocupação contra aldeias, casas e infraestrutura prosseguiam. O anúncio marcou nova ação direta da Resistência durante a sequência de ataques iniciada no dia anterior.

Luxemburgo deixa vencer autorização para títulos sionistas; Reino Unido prepara medidas contra colônias
A autorização que permitia à entidade vender Israel Bonds em toda a União Europeia venceu em Luxemburgo em 31 de agosto e não foi renovada. Sem a aprovação de um regulador de algum país do bloco, a entidade não pode continuar oferecendo esses títulos aos investidores europeus pelo mesmo mecanismo.
Os títulos são empréstimos feitos diretamente ao governo sionista e alimentam seu orçamento geral, inclusive as despesas militares. Depois de outubro de 2023, foram promovidos internacionalmente com o slogan “Support Israel at War”. Segundo dados citados pela Anistia Internacional, foram levantados US$ 4,5 bilhões no mercado internacional entre outubro de 2023 e janeiro de 2025; emissões comercializadas na União Europeia representam cerca de US$ 2,5 bilhões por ano.
A Irlanda havia sido anteriormente o país responsável pela aprovação e decidiu não renová-la após pressão política relacionada ao genocídio. Luxemburgo assumiu a função e agora também deixou a autorização expirar. A entidade terá de encontrar outro regulador europeu disposto a assumir a operação.
Em Londres, o chanceler Ed Miliband anunciou que o governo prepara um pacote “abrangente” contra a expansão das colônias na Cisjordânia, incluindo a possibilidade de proibir mercadorias provenientes dos assentamentos. Pesquisa citada pela QNN aponta que 87% dos filiados ao Partido Trabalhista apoiam uma proibição desse comércio. A entidade ameaçou responder expulsando representantes britânicos do centro de coordenação para Gaza mantido sob direção ianque em Kiryat Gat.
