Dia 7 de setembro de 2026: completam-se 1.066 dias desde o Dilúvio de Al-Aqsa. Quando este boletim vai ao ar no Brasil, na manhã de 8 de setembro, no horário de Brasília (GMT-3), a Palestina já adentra a noite do mesmo dia, sob o fuso de Gaza e Al-Quds (GMT+3).
Esta edição do Plantão Palestina destaca que, ao longo dos últimos seis dias, a ocupação aprofundou simultaneamente a ofensiva na Cisjordânia e a preparação aberta para expulsar a população de Gaza. O salto mais grave veio no dia 7. Israel Katz declarou que Netanyahu e ele haviam ordenado ao Exército preparar uma “guerra em grande escala” na Cisjordânia e ameaçou estender a ofensiva à própria Autoridade Palestina, com deslocamento de tropas e esvaziamento de localidades.
No outro grande eixo da semana, a segunda campanha da agressão do imperialismo ianque contra o Irã voltou a atingir diretamente embarcações e território iranianos. Teerã respondeu contra bases, navios e a arquitetura militar ianque espalhada pela região. No mesmo momento, informes da própria inteligência do país Estados Unidos (EUA) passaram a descrever o Irã como mais confiante, melhor informado sobre suas capacidades e disposto a prolongar o confronto.
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Katz ordena preparação de ‘guerra em grande escala’ na Cisjordânia
A ordem foi anunciada depois de uma operação palestina realizada em 7 de setembro nas proximidades de Osarin, ao sul de Nablus. Um palestino atacou a faca um colono sionista e o feriu gravemente antes de deixar o local. O Exército mobilizou tropas, fechou aldeias e iniciou uma perseguição de várias horas; posteriormente, anunciou ter assassinado o autor da operação.
Israeli occupation soldiers abduct a Palestinian youth during an ongoing incursion into the town of Qabalan, south of Nablus. pic.twitter.com/IRuzc96QDv
— Quds News Network (@QudsNen) September 7, 2026
A Resistência Palestina saudou a ação como resposta às invasões militares, às expulsões e à violência dos colonos. Foi nesse contexto que Katz declarou que ele e Netanyahu haviam mandado preparar uma “guerra em grande escala”. Segundo a radiodifusão sionista, o ministro afirmou ainda que não permitiria que uma nova revolta palestina “durasse anos” e prometeu encerrar rapidamente qualquer confrontação mais ampla.
A ameaça não surgiu no vazio. Um dia antes, colonos armados invadiram Hajjah, a leste de Qalqilya, entraram em residências e abriram fogo contra moradores. Omar Muhammad Tubasi, estudante de odontologia da Universidade Nacional An-Najah, foi atingido na cabeça e morreu. Outros palestinos foram baleados, um deles no peito e em estado crítico.
Já em Al-Mughayyir, no início do período coberto por esta edição, uma invasão conjunta de colonos e tropas terminou com o assassinato de Omar al-Naasan, de 19 anos, e Khalil Shehadeh, de 16. Colonos haviam entrado na aldeia, levado ovelhas de moradores e desencadeado confrontos; soldados posicionados na área abriram fogo.

Os ataques acompanham uma transformação territorial de grande escala. Em 2 de setembro, a organização B’Tselem informou que 66 comunidades palestinas haviam sido completamente esvaziadas desde outubro de 2023, além de outras 18 parcialmente expulsas. Foram removidas 4.931 pessoas, entre elas cerca de 2.339 crianças e adolescentes. Naquele mesmo dia, a ocupação demoliu todos os imóveis residenciais de Khirbet al-Taban, em Masafer Yatta, deixando cerca de 70 pessoas sem suas casas.
Em 6 de setembro, um segundo levantamento mostrou que a colonização já transbordava as fronteiras da área C definidas pelos Acordos de Oslo. Colonos tomaram mais de 100 mil dunams – cerca de 100 km² – nas áreas A e B, enquanto 26 postos coloniais e fazendas foram identificados somente na área B. Pela primeira vez desde Oslo, ordens militares de confisco dentro da área A foram expedidas especificamente para atender às necessidades da colonização, incluindo uma estrada entre assentamentos próximos a Jenin.
A declaração de Katz, portanto, ocorreu depois de uma semana em que a ocupação já ampliava na prática o emprego combinado do Exército e dos colonos para tomar terra, expulsar comunidades e esmagar a resistência palestina.

Inteligência do EUA avalia Irã pronto para prolongar guerra; apenas 25% dizem que agressão vale o custo
A nova campanha ianque começou com bombardeios que voltaram a atingir território iraniano no início de setembro. O Ministério da Saúde do Irã informou em 2 de setembro que os ataques haviam deixado 18 mortos e 108 feridos. Entre os alvos esteve uma residência em Sirik onde ocorria uma festa de casamento.
Teerã retaliou contra instalações militares utilizadas pelo EUA no Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Jordânia e outros pontos da região. Ao longo da semana, o confronto voltou a concentrar-se também no mar: Washington atacou três petroleiros vinculados ao Irã; os Guardas da Revolução responderam contra três petroleiros que navegavam por rotas não autorizadas e outros três navios ligados ao EUA.
Na madrugada do dia 6, os Guardas anunciaram ainda o lançamento de mísseis balísticos contra um porta-aviões e um destróier da Marinha ianque envolvidos no bloqueio. O Irã afirmou que os dois navios sofreram danos e abandonaram a área. O Comando Central ianque confirmou que ambos foram alvos de mísseis, embora tenha alegado que os projéteis não os atingiram.
No dia seguinte, o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Mohsen Rezaei, afirmou que Ormuz permanecia “completamente fechado”, contrapondo-se à versão de Washington. Segundo ele, o fluxo havia caído para apenas sete ou oito embarcações transportando mercadorias essenciais ao Irã. Rezaei anunciou ainda a preparação de uma “zona proibida” além do Estreito, estendida a partir da linha do bloqueio naval ianque para setores do Golfo. Navios que nela entrassem sem autorização seriam submetidos a restrições iranianas.

O quadro militar começou a aparecer nos próprios informes de Washington. Avaliações de inteligência divulgadas pelo New York Times afirmaram que, após seis meses de guerra, o Irã está mais confiante em sua capacidade de atingir alvos regionais e sustentar o confronto durante meses. Os informes atribuem a Teerã maior domínio sobre suas reservas de mísseis e drones, sobre o efeito econômico de Ormuz e sobre os limites impostos à continuidade de ataques ianques pela redução dos estoques de munição.
Também surgiram sinais de desgaste logístico. Uma investigação repercutida em 3 de setembro apontou que ataques iranianos haviam afetado a rede regional de abastecimento da Marinha, obrigando navios ianques a percorrer distâncias maiores e a depender mais de operações de reabastecimento em alto-mar.
Os custos acumulados ajudam a medir o impasse. Até 5 de setembro, a guerra havia consumido mais de US$ 37,5 bilhões, segundo dados publicados pela imprensa ianque. O próprio Pentágono admitia 18 militares mortos e 790 feridos desde fevereiro. Trump tentou reduzir o peso desses números chamando o conflito de “small potatoes”, algo de pouca importância, enquanto JD Vance recusou-se a qualificá-lo de guerra e não apresentou prazo para seu encerramento.
O desgaste militar já se combina ao político. Pesquisa Reuters/Ipsos divulgada no dia 4 constatou que somente 25% dos estadunidenses consideravam que a guerra contra o Irã valia seu custo.
Washington iniciou a primeira campanha pretendendo desarmar e submeter o Irã e voltou ao ataque depois que esses objetivos fracassaram. A segunda campanha reencontra os mesmos problemas: Teerã mantém capacidade de retaliar em profundidade, suas relações regionais não foram rompidas, Ormuz continua funcionando como instrumento de pressão e a extensa rede de bases criada pelo imperialismo ianque tornou-se, ela própria, uma rede de alvos.

Netanyahu promete permanecer em Gaza; Katz admite que plano de expulsão está pronto
Enquanto a Cisjordânia se aproxima de uma ofensiva ainda maior, a cúpula sionista tornou cada vez mais explícito o plano para Gaza.
Em 2 de setembro, Netanyahu visitou tropas junto à chamada “linha amarela” e afirmou: “Não estamos nos retirando.” Segundo ele, a ocupação controlava naquele momento cerca de 60% do território da Faixa. Quando um apoiador pediu que toda Gaza fosse tomada, Netanyahu respondeu que o próximo passo seria chegar a 70%. Leia a matéria da QNN
No mesmo dia, Katz declarou que o governo estava “organizado e preparado” para retirar a população palestina “por mar, por ar, por qualquer meio possível”. O ministro afirmou que o plano de Trump para esvaziar a Faixa havia sido apenas congelado enquanto Washington procurava países dispostos a receber os expulsos.

Ao mesmo tempo, a ocupação prosseguiu matando palestinos sob o chamado cessar-fogo. Em 6 de setembro, um ataque contra um automóvel no oeste da Cidade de Gaza matou Wafaa Yousef Akila e seu pai, Yousef, no primeiro dia do novo ano letivo. Depois das aulas, os dois haviam saído para comprar cadernos, canetas e outros materiais escolares.
No mesmo fim de semana, equipes de resgate conseguiram retirar de Al-Zeitoun restos mortais de mais de 100 palestinos, incluindo dezenas de crianças, soterrados havia mais de dois anos. As famílias puderam enfim realizar um funeral coletivo na Cidade de Gaza.
Até a tarde de 7 de setembro, o Ministério da Saúde registrava 73.658 palestinos mortos e 174.622 feridos desde 7 de outubro de 2023. Somente desde a entrada em vigor do cessar-fogo, a ocupação havia matado 1.352 pessoas e ferido 4.511; outros 826 corpos tinham sido recuperados de áreas antes inacessíveis.
A operação clandestina frustrada no oeste da Cidade de Gaza, já noticiada na edição de 1º de setembro, teve novos detalhes revelados durante estes dias. Segundo Haaretz, citando fontes militares sionistas, a captura do oficial de segurança Moein al-Arabeed teria sido executada no terreno por uma milícia palestina armada pela ocupação, enquanto bombardeios do Exército garantiam cobertura à retirada.
A plataforma de segurança palestina Al-Haris informou, por sua vez, que os três colaboradores detidos – entre eles uma mulher – utilizavam como fachada a identidade de uma organização internacional de ajuda para circular e levantar informações. O alvo principal da operação não foi capturado. Esses elementos aprofundam o que já havia sido revelado, mas não alteram o aspecto central noticiado no Plantão anterior: a rede foi descoberta pela Resistência antes de completar sua missão.

Massacre em Kafr Rumman mata 11; dois bebês e dois paramédicos estão entre as vítimas
A ofensiva sionista no Líbano também ganhou intensidade ao longo da semana. Em 5 de setembro, ataques contra Nabatieh, Al-Ramadiyah, Kafr Rumman, Mayfadoun e o Vale do Bekaa deixaram cinco mortos e 24 feridos. Entre os feridos estavam seis paramédicos, três mulheres e duas crianças.
No dia seguinte, novos bombardeios atingiram Nabatieh e destruíram completamente o Hospital Ghandour, em Nabatieh al-Fawqa. O Ministério da Saúde libanês informou que 17 hospitais haviam sido danificados pelos ataques sionistas desde março.
A escalada culminou durante a madrugada de 7 de setembro em Kafr Rumman. Um ataque aéreo destruiu um edifício residencial de três andares e matou nove pessoas, entre elas dois bebês. Cinco ficaram feridas. Em um ataque separado na mesma cidade, um drone atingiu um veículo civil e matou os paramédicos Ali Shahrour e Hadi Farhat. O balanço chegou, assim, a 11 mortos.
Os ataques ocorreram durante a disputa pela colina de Ali al-Taher e depois de dias em que a ocupação reivindicou “controle operacional” da área, sem conseguir estabelecer uma ocupação incontestada. A Resistência Libanesa manteve sua posição de não entregar as armas, enquanto tropas sionistas prosseguiram ocupando território libanês e bombardeando aldeias mesmo após o acordo firmado sob patrocínio ianque.

Outras frentes
Hussam Abu Safiya: o diretor do Hospital Kamal Adwan relatou ao advogado que continua sofrendo espancamentos, privação de sono e ameaças nas prisões sionistas. Está detido sem acusação desde dezembro de 2024. Registros médicos obtidos por uma organização de direitos humanos documentaram lesão em seu olho esquerdo, e uma ação judicial exige que um médico independente possa examiná-lo.
Reino Unido: em 7 de setembro, o governo britânico preparava o anúncio de uma proibição ao comércio com colônias sionistas na Cisjordânia, apesar das ameaças de retaliação de “Israel”. A medida previa também impedir investimentos em empresas ligadas aos assentamentos. O anúncio formal ocorreu somente no dia seguinte e, portanto, fica para a próxima edição.
Alemanha: também em 7 de setembro, Berlim pediu à Corte Internacional de Justiça que rejeitasse a ação movida pela Nicarágua acusando o Estado alemão de contribuir para o genocídio mediante o fornecimento de armamentos à entidade nazi-sionista.
Iêmen: durante os dias finais do período, as forças de Sanaa anunciaram novas operações em meio à retomada das tensões com a Arábia Saudita e advertiram que responderiam a uma eventual ofensiva terrestre com opções militares “abertas e múltiplas”.
