Dia 27 de setembro de 2026: completam-se 1.086 dias desde o Dilúvio de Al-Aqsa. Quando este boletim vai ao ar no Brasil, na manhã de 28 de setembro, no horário de Brasília (GMT-3), a Palestina já adentra a noite do mesmo dia, sob o fuso de Gaza e Al-Quds (GMT+3).
Esta edição do Plantão Palestina destaca que a entrada dos colonos ilegais em Al-Aqsa ocorreu acompanhada de medidas concretas contra os palestinos: comerciantes do Mercado dos Mercadores de Algodão tiveram de fechar as portas, forças da ocupação restringiram o acesso à Cidade Velha e os colonos realizaram orações e rituais talmúdicos dentro do complexo. Na mesma semana, a ocupação aprovou 567 novas unidades coloniais em Al-Khalil e arrancou mais de 400 oliveiras em Beit Rima.
Enquanto isso, a tentativa de negociação entre Teerã e Washington sofreu novo revés. O plano iraniano para Ormuz já estava sobre a mesa desde os dias anteriores; em 26 de setembro, o cabecilha do país Estados Unidos (EUA), Donald Trump, anunciou que o recusara. No dia 27, a Marinha do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica (CGRI) afirmou ter apreendido um Remus 600 ianque durante uma operação no estreito. O Comando Central ianque contestou a informação e declarou manter o controle de seus veículos não tripulados.
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Mais de 1 mil colonos ilegais entram em Al-Aqsa; ocupação restringe palestinos e impede funeral
Os 1.143 colonos ilegais entraram em Al-Aqsa pela Porta dos Marroquinos na manhã de 27 de setembro, segundo o governo de Al-Quds. Divididos em grupos e protegidos pela polícia da ocupação, realizaram orações, prostrações e outros rituais talmúdicos; alguns levaram as chamadas “oferendas vegetais” para o interior do complexo. Lojistas palestinos nas proximidades da Porta dos Mercadores de Algodão receberam ordem para fechar os estabelecimentos.
Na mesma manhã, uma família palestina que levava um morto para a oração fúnebre foi barrada nas entradas de Al-Aqsa. As forças sionistas permitiram que somente quatro pessoas entrassem para realizar a cerimônia e, em seguida, ordenaram que deixassem o local.
A ofensiva colonial avançou também sobre a terra. Em 24 de setembro, foram aprovados planos para 567 novas moradias de colonos em Al-Khalil: 342 em Asa’el, construída sobre terras de As-Samu, e 225 em Beit Hagai, sobre terras de Al-Rihiya. No mesmo dia, bulldozers arrancaram mais de 400 oliveiras e revolveram 31 dunams de terras privadas em Beit Rima. Até 22 de setembro, haviam sido emitidas 51 ordens semelhantes contra cerca de 2.093 dunams.
Um dia depois, o Escritório de Direitos Humanos da ONU ampliou de 158 para 214 empresas sua base de negócios envolvidos em atividades ligadas às colônias: 61 companhias foram adicionadas e cinco retiradas. A relação abrange empresas de 11 países e atividades que incluem construção, transporte, vigilância, financiamento, energia e exploração de recursos.
Trump rejeita plano para reabrir Ormuz; Irã anuncia captura de Remus 600
O novo desenvolvimento nas negociações sobre Ormuz veio em 26 de setembro. Questionado sobre a proposta enviada por Teerã através de mediadores, Trump respondeu que a havia rejeitado. O plano previa a possibilidade de reabrir o estreito em sete dias, mediante medidas do EUA para reduzir a pressão militar e suspender o bloqueio contra portos iranianos.
No dia seguinte, a Marinha dos Guardas da Revolução anunciou ter capturado um Remus 600, veículo subaquático não tripulado utilizado para missões de reconhecimento e levantamento submarino. Segundo o comunicado iraniano, o equipamento foi interceptado durante uma operação de inteligência e guerra eletrônica e entregue a especialistas para extração dos dados armazenados. O Centcom negou a captura, afirmando possuir “controle efetivo” de seus veículos operacionais.
A disputa diplomática ocorreu depois de uma votação apertada dentro do próprio EUA. Em 24 de setembro, o Senado rejeitou por apenas 50 votos contra 49 uma resolução que exigia o fim da guerra contra o Irã até que o Congresso autorizasse formalmente as hostilidades. Quatro senadores republicanos votaram a favor da limitação dos poderes de guerra de Trump.
Gaza supera 74 mil mortos; 98,5% dos escombros continuam por remover
Os ataques sionistas prosseguiram durante todo o período, apesar do cessar-fogo. Em 24 de setembro, um ataque aéreo atingiu um automóvel civil na região de Al-Baidar, no sudoeste da Cidade de Gaza. Familiares colocaram o corpo carbonizado da vítima em outro veículo para transportá-lo; segundo testemunhas ouvidas pela WAFA, a ocupação atingiu também o segundo carro, ferindo vários parentes, alguns gravemente. No mesmo dia, disparos contra tendas de deslocados em Al-Mawasi mataram uma menina.
Os ataques seguiram por Al-Mawasi, Nuseirat, Khan Younis e outras regiões. Em 27 de setembro, quatro palestinos foram mortos e outros 12 ficaram feridos ao longo do dia; entre os ataques, um drone atingiu um veículo civil em Tel al-Hawa. O balanço acumulado chegou a 74.018 palestinos mortos e 175.079 feridos desde 7 de outubro de 2023. Desde a entrada em vigor do cessar-fogo, em outubro de 2025, eram 1.417 mortos e 4.964 feridos.
Ao mesmo tempo, um levantamento divulgado em 27 de setembro dimensionou o que permaneceu no chão depois dos bombardeios: cerca de 61 milhões de toneladas de escombros. Em mais de dois anos, equipes conseguiram retirar aproximadamente 907 mil toneladas e reutilizar outras 300 mil – somente 1,5% do total. Foram desobstruídos cerca de 580 quilômetros de vias, enquanto máquinas e materiais necessários ao trabalho permanecem submetidos a restrições de entrada na Faixa.
Riad chama aliados após novos mísseis; França envia soldados e radares a Yanbu
A guerra no Iêmen também entrou em nova etapa entre 24 e 27 de setembro. As forças de Sanaa afirmaram ter atacado instalações da Aramco em Yanbu e um alvo em Riad com mísseis e drones; a Arábia Saudita anunciou ter interceptado seis mísseis balísticos lançados em direção a Taif e Yanbu.
No dia seguinte, a França confirmou que enviaria soldados, radares e sistemas de defesa para proteger Yanbu – terminal petrolífero ligado ao oleoduto Leste-Oeste, com capacidade nominal de sete milhões de barris diários. Ao mesmo tempo, Arábia Saudita, Paquistão e Turquia convocaram uma reunião urgente de seus comandos militares sob o Acordo de Defesa Conjunta de Meca.
Os combates dentro do Iêmen continuaram. Em 27 de setembro, o Ministério da Saúde ligado ao governo de Sanaa informou que um ataque contra lojas no mercado de Mawiya, em Taiz, matou sete pessoas e feriu 40, entre elas crianças. As forças mercenárias apoiadas por Riad justificaram o ataque sob o pretexto de que havia um acampamento do Ansarallah nas proximidades.
A ONU, que contabilizava cerca de 130 mil deslocados alguns dias antes, elevou nessa etapa para mais de 230 mil o número de pessoas forçadas a abandonar suas casas desde o começo de setembro, com novos deslocamentos em Hodeidah, Taiz, Lahj, Aden, Abyan, Marib, Al-Dhalea e Shabwah.
Outras frentes
Líbano: no segundo aniversário do assassinato de Hassan Nasrallah, o secretário-geral do Hezbollah, Naim Qassem, voltou a rechaçar o desarmamento e reafirmar a resistência enquanto tropas sionistas permanecerem no Sul do país. Qassem afirmou que sete rodadas de negociações diretas entre Beirute e a entidade produziram resultado “abaixo de zero”, pediu a suspensão dessas conversas e defendeu a retomada do formato indireto.
ONU: em 24 de setembro, dezenas de delegações deixaram o plenário da Assembleia Geral quando Benjamin Netanyahu subiu à tribuna. Imagens da sessão mostraram grande parte do salão esvaziada durante o discurso; Netanyahu chamou os representantes que saíam de “covardes morais”.
