Dias 28 e 29 de setembro de 2026: completaram-se, respectivamente, 1.087 e 1.088 dias desde o Dilúvio de Al-Aqsa. Quando este boletim vai ao ar no Brasil, na noite de 30 de setembro, no horário de Brasília (GMT-3), a Palestina já adentra a manhã do dia seguinte, sob o fuso de Gaza e Al-Quds (GMT+3).
No dia 29, Trump voltou a afirmar que a guerra terminaria com a rendição iraniana: disse não saber se Teerã “vai desistir ainda”, mas acrescentou que “vai desistir”. No mesmo dia, dados oficiais do Pentágono compilados pelo The Intercept indicavam 19 militares mortos e 861 feridos desde o início das hostilidades; mais da metade das 880 baixas havia ocorrido depois que Washington declarou encerrada sua principal campanha militar.
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Trump sonha em ‘vitória’ enquanto baixas militares continuam crescendo e Ormuz permanece em negociação
Das 880 baixas militares ianques registradas oficialmente desde o começo da guerra, 444 ocorreram nas 12 semanas posteriores a 7 de julho. Somente em setembro, quase cem militares foram mortos ou feridos, segundo o levantamento. O Pentágono acrescentou recentemente 29 marinheiros e oito fuzileiros navais à lista de feridos sem explicar inicialmente as circunstâncias; posteriormente, autoridades disseram ao Washington Post que os oito fuzileiros haviam sofrido ferimentos, entre eles traumatismos cranianos e inalação de fumaça, num ataque iraniano contra uma embarcação não militar no Estreito de Ormuz.
As cifras cresceram enquanto Washington e Teerã voltavam a negociar por intermédio do Catar. O plano apresentado pelo Irã prevê uma sequência de medidas capaz de levar à reabertura de Ormuz em sete dias, entre elas o fim do bloqueio naval e das sanções ianques às exportações iranianas de petróleo, além de uma trégua regional; em troca, Teerã retomaria as negociações nucleares. Trump havia anunciado publicamente a rejeição da proposta, mas representantes ianques e iranianos reuniram-se separadamente com os mediadores cataris nos dias 28 e 29.
No Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf advertiu que qualquer novo ataque seria respondido e afirmou que, se o Irã fosse impedido de exportar petróleo, a segurança da infraestrutura energética regional também estaria em questão. O chanceler Abbas Araghchi reiterou que a abertura de Ormuz dependeria do atendimento às condições iranianas.
A pressão sobre o mercado energético apareceu também dentro dos EUA. Em 29 de setembro, Washington ofereceu emprestar mais 40 milhões de barris da Reserva Estratégica de Petróleo. O estoque havia caído para menos de 284 milhões de barris, o menor nível desde 1982, após liberações destinadas a conter os efeitos da guerra sobre os preços da energia.

‘Israel’ mata comandante da Brigada Norte das Al-Qassam; ataques continuam sob cessar-fogo
Na madrugada de 29 de setembro, um ataque aéreo sionista atingiu um apartamento no bairro de Al-Nasr, no oeste da Cidade de Gaza, e matou Izz al-Din al-Beik, também conhecido como Abu Hamza Ashmawi, e Muhannad Abu Foul. Fontes palestinas e oficiais sionistas identificaram al-Beik como comandante da Brigada Norte das Brigadas Izz al-Din al-Qassam, braço armado do Hamas. Crianças estavam entre os feridos levados ao Hospital Al-Shifa.
Horas depois, soldados sionistas mataram Ahmed Abu Mur a tiros na rua Salah al-Din, a leste de Deir al-Balah. Ataques de drones, artilharia e demolições foram registrados também em Jabalia, Al-Bureij e outras áreas da Faixa. No dia anterior, 28, uma mulher palestina havia sido morta e outras pessoas feridas quando um ataque atingiu uma residência que abrigava deslocados ao norte da Cidade de Gaza.
Ao fim do dia 29, a WAFA registrava 1.422 palestinos mortos e 4.996 feridos desde a entrada em vigor do cessar-fogo de outubro de 2025. O número total de mortos desde outubro de 2023 chegava a 74.023.

Ben-Gvir e Katz entram em Al-Aqsa; colonos queimam casas de família palestina recém-retornada
A incursão em Al-Aqsa cresceu no dia 28. O governo de Al-Quds contabilizou 1.731 colonos ilegais sionistas entrando no complexo ao longo da segunda-feira, sob proteção policial. Entre eles estavam os ministros Itamar Ben-Gvir e Israel Katz. Ruas próximas à Cidade Velha foram fechadas e comerciantes palestinos receberam ordens para manter estabelecimentos fechados durante parte das celebrações do Sukkot. Ben-Gvir declarou durante a incursão que os sionistas eram “os donos do lugar”.
No dia seguinte, a violência avançou de Al-Quds para aldeias da Cisjordânia ocupada. Em Jalud, ao sul de Nablus, mais de cem colonos atacaram a família Al-Tubasi poucas horas depois de ela retornar às próprias casas, das quais havia sido expulsa em julho após meses de intimidação. A volta ocorrera em cumprimento de uma decisão judicial sionista. Os atacantes bloquearam estradas, incendiaram as duas residências e veículos e enfrentaram os soldados enviados ao local; no fim, a família foi novamente retirada.
Ataques ocorreram também em Al-Mughayyir e nas proximidades de Ramallah, enquanto novos grupos entravam em Al-Aqsa em 29 de setembro. Em torno da Cidade Velha, palestinos foram agredidos perto do Portão de Damasco e tiveram a circulação restringida.

Outras frentes
Iraque: em 29 de setembro, as últimas forças ianques preparavam-se para abandonar suas bases no país no dia seguinte, encerrando uma presença militar iniciada com a invasão de 2003 e retomada em 2014. Cerca de 4.500 militares do EUA morreram no Iraque ao longo desse período. Um comandante da Resistência Islâmica no Iraque classificou a retirada como uma “vitória histórica”. A debandada das tropas do EUA se soma ao rol de derrotas estratégicas sofridas pelo imperialismo ianque no último quinquênio: Afeganistão em 2021; Palestina em 2023; Irã em 2026; e agora o Iraque.
Iêmen: autoridades ligadas ao governo de Sanaa afirmaram que a aviação saudita realizou 38 ataques em 24 horas contra três províncias no dia 28, com mortos e feridos civis, e acusaram a coalizão de atingir um mercado, uma residência e instalações educacionais em Taiz. No dia 29, a agência Saba registrou novos bombardeios contra redes de telecomunicações em Al-Hodeida. As informações sobre alvos e vítimas provêm das autoridades de Sanaa e não tiveram confirmação independente no material consultado.
Pressão internacional sobre ‘Israel’: em 29 de setembro, o ex-embaixador sionista Avi Pazner alertou, em correspondência divulgada pela imprensa sionista, que sanções hoje concentradas nas colônias poderiam futuramente alcançar instituições financeiras e outras partes da economia sionista. A advertência veio depois de os Países Baixos proibirem mercadorias provenientes de colônias na Cisjordânia ocupada e intensificarem controles alfandegários.
Prisioneiros palestinos: Ben-Gvir divulgou imagens em que aparece diante do prisioneiro Hassan Salameh e diz querer executá-lo. Organizações palestinas de prisioneiros responsabilizaram os oficiais sionistas pela segurança de Salameh e denunciaram a gravação como intimidação; o próprio ministro vinculou a ameaça à defesa da pena de morte e a propostas de expulsão de palestinos caso assuma a pasta da Defesa após as eleições em “Israel”.
