Quem é o traficante? Polícia Civil vende 16 toneladas de drogas para grupo revender em favela

Quatro agentes da Polícia Civil (PC) do Rio de Janeiro e um advogado envolvidos na venda de 16 toneladas de maconha para o Comando Vermelho foram presos na manhã de 19 de outubro. Os traficantes de alto coturno foram presos na capital do estado, em Saquarema e também há buscas e apreensões em uma Delegacia da PC.

Quem é o traficante? Polícia Civil vende 16 toneladas de drogas para grupo revender em favela

Quatro agentes da Polícia Civil (PC) do Rio de Janeiro e um advogado envolvidos na venda de 16 toneladas de maconha para o Comando Vermelho foram presos na manhã de 19 de outubro. Os traficantes de alto coturno foram presos na capital do estado, em Saquarema e também há buscas e apreensões em uma Delegacia da PC.
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Atualização às 16h59: Os policiais civis envolvidos também são suspeitos de vender 29 fuzis apreendidos para uma facção que atua no estado. Por não terem recebido o valor integral de uma propina. Como forma de vingança, os policiais vinculados à equipe da DRFC teriam apreendido 31 fuzis da facção ADA e vendido 29 para a facção rival, o Terceiro Comando Puro (TCP), nas comunidades da Maré e Acari. Pistolas e cocaína também foram comercializadas. Durante as buscas, foram apreendidos um total de R$ 65 mil em espécie e alguns veículos de luxo e blindados.

Quatro agentes da Polícia Civil (PC) do Rio de Janeiro e um advogado envolvidos na venda de 16 toneladas de maconha foram presos na manhã de 19 de outubro. Os traficantes de alto coturno foram presos na capital do estado, em Saquarema, e também há buscas e apreensões em uma Delegacia da PC. A Operação para prisão foi nomeada “Drake”.

A investigação revelou detalhes de como foi feita a venda: em agosto, duas viaturas da Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas da Polícia Civil abordaram um caminhão na divisa de São Paulo com o Rio de Janeiro. Ao descobrirem que se tratava de uma carga de 16 toneladas de maconha, os policiais civis decidiram escoltar o caminhão até uma delegacia. Por meio de um advogado, os quatro policiais negociaram a liberação da carga e a soltura do motorista mediante o pagamento de uma propina (cujo valor não foi divulgado).

Ato contínuo, as viaturas escoltaram o caminhão até a favela de Manguinhos (zona Norte do RJ, muito distante da divisa entre os estados). Ali, após a “escolta armada” da Polícia Civil do RJ, a carga foi tranquilamente descarregada por um grupo delinquente local.

Delegacia está localizada na mesma estrutura da Polícia Civil que foi responsável pela Chacina do Jacarezinho

Os policiais-traficantes são da Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas (DRFC), vinculada à Cidade da Polícia Civil, cuja sede é no bairro do Jacaré. Há poucos metros, está localizada a favela do Jacarezinho, que foi palco da maior chacina do RJ em 6 de maio de 2022, com 29 mortos. Neste ano, Jacarezinho continuou sendo alvo de operações terroristas que tinham como alegação o “combate às drogas”.

Em março, dois moradores foram assassinados. Um deles era o trabalhador Valdemar Rufino, de 66 anos, morto um dia após ser alvejado por tiros da PM. Em abril, moradores denunciaram que policiais cortavam frequentemente a energia das residências, levando a falência uma série de comércios e provocando o estrago da comida das massas. Em junho, Mateus Rocha de Souza foi morto durante uma invasão de policiais que ocorreu no meio da tarde.

Todas estas ações terroristas têm um ponto em comum: foram realizadas durante a operação “Cidade Integrada”, levada à cabo pelo assassino e terrorista Cláudio Castro, governador do RJ. Valdemar, morto pela PM, era pai de um dos 29 jovens assassinados no ano de 2021 na Chacina do Jacarezinho, a operação de maior letalidade da história do Rio de Janeiro. A operação que matou Matheus Rocha ocorreu após uma reportagem sensacionalista que “denunciava” pontos de venda de droga próximo à favela. A reportagem foi usada como justificativa para a operação que ceifou a vida do jovem e levou terror por dois dias, com invasões à residências e roubos de pertences dos moradores.

O tratamento dado pelo velho Estado aos policiais, que comprovadamente estão envolvidos com o tráfico de drogas, é totalmente diferente daquele dado às massas populares das favelas e bairros pobres do RJ. Milhares de moradores sofrem por simplesmente serem pobres e residirem em um local onde há atuação de grupos vinculados à venda de drogas (que se mantém através dos vínculos com o próprio aparato repressivo estatal). Alvos de uma permanente operação de guerra que nunca cessa e objetiva impedir sua revolta. Nenhum direito é garantido e o cerco militar ostensivo é permanente. É tido como normal as ameaça de morte e invasões à suas residências durante operações que os comandos da PM e o governador do estado afirmam ser para combater um crime que ocorre bem debaixo do nariz, em cada batalhão das polícias, corporação especializada em massacres e chacinas.

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