Polícia segue matando na capital e interior do Rio de Janeiro

Polícia segue matando na capital e interior do Rio de Janeiro

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Desde o início de abril, policiais do 28º Batalhão da Polícia Militar (PM), dirigidos pelas Forças Armadas na pessoa do general interventor Braga Netto, fazem repetidas ações no Complexo Vila Brasília, em Volta Redonda. Suas operações de guerra já resultaram na morte de ao menos duas pessoas. Mensagens enviadas por moradores da região a nossa redação sugerem um estado de sítio que pode ter resultado em um número de mortos maior do que o indicado pelas informações oficiais.

— Eu pego meus filhos e coloco em casa sempre que ouço os fogos. Aqui na Brasília dois meninos desapareceram depois que a polícia entrou. O povo acha que a polícia matou e levou embora dentro do caveirão — diz uma moradora referindo-se ao veículo blindado da polícia.

Na zona sul do Rio, o clima também é de tensão. No último final de semana prolongado e na terça-feira após o feriado (24 de abril), policiais fizeram operações em várias favelas da zona sul da capital. No sábado (21), policiais da “Unidade de Polícia Pacificadora” (UPP), do Grupo de Intervenções Táticas (GIT) e do Comando de Operações Especiais (COE) fizeram uma operação nos morros Chapéu Mangueira e Babilônia desde o início da manhã. Segundo moradores, PMs entraram nas favelas atirando indiscriminadamente e atingiram um transformador, deixando parte das favelas sem luz durante todo o final de semana.

Na terça-feira (24) foi a vez da Rocinha, também na zona sul do Rio, ser atacada por policiais da mais homicida tropa da PM do Rio, o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope). Eles chegaram no início da manhã, quando milhares de trabalhadores e estudantes saíam do morro. Na localidade conhecida como Cachopa, as marcas de tiros nos muros e nas paredes das casas dão conta de um verdadeiro cenário de guerra civil contra o povo.

— Eles entraram nas casas, quebraram o portão de um monte de gente, reviraram tudo. Xingam a gente de vagabunda, piranha, batem, humilham. Aqui é favela, mas antigamente a gente viva em paz — diz uma moradora em comentário publicado na página “Rocinha em Foco”, em uma rede social.

A PM do Rio de Janeiro já matou mais nesse primeiro semestre de 2018 do que nos últimos 15 anos, segundo estatísticas do próprio Instituto de Segurança Pública (ISP). E a matança de pobres segue avançando, inclusive em direção ao interior do estado.

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