Povo indígena homenageia o comunista Manoel Coelho Raposo no Ceará

Povo indígena homenageia o comunista Manoel Coelho Raposo no Ceará

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Foto: A Nova Democracia

No dia 16 de novembro de 2019, na Escola Indígena Narcísio Ferreira Matos da Aldeia Indígena Tapeba, em Caucaia, foi homenageado o escritor, poeta, comerciante e revolucionário comunista Manoel Coelho Raposo, pelo transcurso alusivo da passagem de 10 anos de seu falecimento, completados no último no dia 10 de novembro. Apesar do atraso para o início do evento, as valentes lideranças, moradores e moradoras da Aldeia falaram da importância de lembrar o exemplo de companheirismo e de defesa da luta dos povos indígenas, particularmente em relação às lutas do povo Tapeba, por parte do companheiro Manoel Coelho Raposo.

Foram feitas várias falas demonstrando que o camarada Raposo dedicou sua vida à causa da emancipação humana, defendendo o socialismo e uma transformação radical da sociedade brasileira e do mundo. A homenagem ao camarada Raposo foi feita em conjunto com uma reunião de lideranças da Aldeia. Portanto, o professor Fausto Arruda, diretor-geral do jornal A Nova Democracia, bem como os militantes do Comitê de Apoio ao AND de Fortaleza, além do Dr. Tarcísio (médico, ex-presidente do Sindicato dos Médicos e amigo de Raposo) e sua companheira Carol, puderam ouvir atentamente questões históricas e atuais das lutas do povo da Nação Indígena Tapeba.

Foto: A Nova Democracia

A luta não tinha preço para esse histórico militante, é o que afirmou uma das lideranças indígenas, após lembrar da dedicação sem reservas de Raposo à luta dos Tapeba. As contribuições do camarada Raposo no processo de reorganização política da Aldeia também foram ressaltadas. O professor Fausto Arruda aproveitou para lembrar que foi justamente a ideologia de Raposo que possibilitou as práticas justas e honestas desse grande militante comunista cearense. O diretor-geral do AND argumentou que sem a compreensão e a defesa de ideias corretas, capaz de guiarem o povo para o caminho de sua emancipação, uma prática revolucionária não é possível.

Militantes do Comitê de Apoio ao AND também falaram sobre a importância de Raposo, que é tido como um guia para a ação. O Dr. Tarcísio falou sobre a sua relação com Raposo, principalmente quando era sindicalista, lembrando de quando contratava os serviços da histórica tipografia no Centro de Fortaleza, da qual Raposo era dono: “resolvi fazer os trabalhos com ele porque também compreendia como justas as ideias e as lutas que ele defendia, sendo uma forma de incentivar o camarada”. Além disso, Dr. Tarcísio disse que a memória de Raposo deve ser sempre comemorada e que gostaria de estar ali 10 anos depois participando de uma nova homenagem.


Exemplares do AND, do jornal Estudantes do Povo e de cordéis foram expostos durante o evento. Foto: A Nova Democracia

Os companheiros e companheiras do Comitê de Apoio estenderam um varal de roupas, penduraram e distribuíram cordéis e algumas edições do jornal A Nova Democracia e do jornal Estudantes do Povo – JEP aos índios e outros participantes presentes. O referido cordel foi produzido pelos apoiadores do AND a partir de poesias selecionadas do camarada Raposo, utilizando ilustrações contidas em um livro de poemas produzido pelo nobre escritor cearense. A artista popular, Gabriela Baldo, cujo trabalho foi divulgado pelo AND, produziu uma arte que também foi utilizada no cordel.

Um membro do Comitê de Apoio recitou uma poesia, de autoria do companheiro Raposo, intitulada Me chamem:

Enquanto houver a chama
enquanto houver a fala
me chavem revolução

A Causa me incendeia
a chama já ilumina
quero-me forte e sonho

Enquanto houver auroras
a causa se fizer candente
me sinto grito ardente

Enquanto vibrar a fala
a causa se fizer em chama
de novo a liberdade clama
me chamem revolução.

No encerramento da celebração, fomos agraciados pelos cantos indígenas, canções que falavam sobre a importância da luta pela terra para quem nela vive e trabalha, além de outras questões pertinentes à vida do povo Tapeba. Foram tiradas fotos dos participantes da homenagem segurando uma faixa com as palavras de ordem Viva a Revolução Agrária! Morte ao Latifúndio!, enquanto repetíamos a palavra de ordem Conquistar a terra! Destruir o latifúndio!, puxada pelo professor Fausto Arruda.

Fausto Arruda, diretor do AND, fez fala em homenagem à memória de Raposo. Foto: A Nova Democracia


Indígenas fizeram falar em homenagem ao histórico comunista cearense. Foto: A Nova Democracia

TENTATIVA DE INTIMIDAÇÃO E ESPIONAGEM DA POLÍCIA

Apesar da tentativa de intimidação e espionagem de uma viatura da Polícia Militar do Ceará (PM-CE), o evento continuou normalmente. A vida e a obra de um dos melhores filhos do povo brasileiro foi relembrada. Os agentes da reação chegaram na escola indígena falando que estavam ali para participar da homenagem, mostrando aos companheiros Tapebas uma imagem do cartaz feito pelo Comitê de Apoio ao AND, pensando que com isso iriam nos intimidar. Esse tipo de ocorrência apenas comprova as posições justas e a vontade de lutar dos nossos companheiros e companheiras da Aldeia Tapeba.

Com essa vã tentativa de impedir uma manifestação democrática, organizada por militantes populares em conjunto com os valentes índios Tapeba, em mais uma demonstração do medo que possuem das massas organizadas e em processo de organização e luta, o aparelho repressivo do Estado burguês-latifundiário, atesta o seu verdadeiro papel. A classe trabalhadora possui o direito de se organizar e de fazer jus à memória de seus grandes líderes e combatentes, portanto, essas práticas intimidatórias não deterão sua justa luta. O único convite enviado à polícia reacionária será uma convocação para que se retirem do nosso caminho.

Foto: A Nova Democracia

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