Principais obras necessárias para conter enchentes foram suspensas ou não saíram do papel

Segundo um levantamento feito pelo monopólio de imprensa, ao menos 33 projetos de contenção de enchentes no RJ foram suspensos ou nem saíram do papel.

Principais obras necessárias para conter enchentes foram suspensas ou não saíram do papel

Segundo um levantamento feito pelo monopólio de imprensa, ao menos 33 projetos de contenção de enchentes no RJ foram suspensos ou nem saíram do papel.
Print Friendly, PDF & Email

Segundo um levantamento do monopólio de imprensa O Globo, ao menos 33 projetos essenciais para contenção de enchentes no Rio de Janeiro foram suspensos ou nem saíram do papel nas últimas décadas. A informação comprova a responsabilidade dos governos das diversas esferas no adiamento das obras estruturais que poderiam resolver os problemas catastróficos que anualmente afetam o povo carioca. Nos últimos dias, 12 pessoas morreram e 600 ficaram desabrigadas em decorrência da falta de estruturas para prevenção de enchentes no Rio de Janeiro.

Dos projetos existentes para mitigar os efeitos dos eventos climáticos extremos, destaca-se o Pôlder do Outeiro, localizado próximo aos bairros de Pilar, em Duque de Caxias, e Lote XV, em Belford Roxo. Ambos os bairros foram severamente afetados pelas enchentes nos últimos dias e as ruas seguiram alagadas até o dia 15 de janeiro, dois dias após o temporal.

O Pôlder do Outeiro recebeu um investimento do governo entre 2007 e 2012 no contexto do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), programa de fomento a grandes empreiteiras que ficou marcado pelo abandono de projetos e enriquecimento de magnatas da construção civil.

No caso do projeto de Duque de Caxias, o projeto contava com a instalação de cinco bombas para que as águas do pôlder fossem transportadas até o Canal Iguaçu, e dali escoadas para a Baía de Guanabara. Passados 17 anos, das cinco bombas, apenas duas estão funcionando, quantidade insuficiente para prevenir os transbordes, situação que já ocasionou em diversas enchentes na região.

As bombas foram inauguradas entre 2009 e 2010, no entanto nunca tiveram adequada manutenção. Mesmo as duas que estão em operação se encontram fragilizadas por serem muito antigas. 

O desinteresse do velho Estado 

Ainda no bairro Pilar, foi estabelecido pelo programa Pacto RJ um projeto que visava pavimentar e melhorar a drenagem das ruas numa obra que somaria 11 mil metros de extensão. O projeto resultou em um contrato assinado em setembro de 2021, mas menos de um ano depois o, o governo do estado declarou “insatisfação quanto ao andamento e execução dos serviços contratados” e, sem oferecer nenhum projeto alternativo para resolver o problema das drenagens, rescindiu o contrato com a empresa que realizaria as obras em uma “rescisão amigável”, sem que o dinheiro do contrato (R$ 8,3 milhões) retornasse ao estado.

Não é a toa que o velho Estado ignora deliberadamente a necessidade de obras estruturais ou de intervenções em ambientes naturais, como o rio Acari, um dos alagados nas enchentes do dia 14 de janeiro e que há mais de oito anos é motivo de avisos da necessidade de assentamentos, canalizações e construção de piscinões. 

Por trás da negligência do velho Estado está o interesse financeiro e eleitoral: com a destruição das casas, os políticos beneficiam magnatas da construção civil e dos bancos com os projetos de reconstrução e empréstimos recolhidos tanto pelo Estado quanto pelos moradores para arcar com os novos gastos. No âmbito da política oficial, enquanto a prevenção não oferece saldos para as eleições, as megalomaníacas operações de resgate e grandes obras cobertos por um verdadeiro aparato de propaganda soam mais proveitosos ao político da vez.

E enquanto se negligencia a prevenção, o governo faz uma verdadeira farra com o dinheiro público. O governo Cláudio Castro, por exemplo, foi marcado pelo escândalo dos “cargos secretos”, envolvendo mais de R$ 226 milhões pagos para 27 mil funcionários fantasmas. 


O resultado disso são os incontáveis anos consecutivos nos quais o povo carioca é submetido à enchentes, perda de entes familiares, casas, carros e bens. Essas consequências, dentre as mortes e bens perdidos não são meros acidentes, mas assassinatos e destruições deliberadas cujas mãos responsáveis e interessadas são facilmente identificáveis, a começar pelos palácios governamentais. 

Ao longo das últimas duas décadas, o jornal A Nova Democracia tem se sustentado nos leitores operários, camponeses, estudantes e na intelectualidade progressista. Assim tem mantido inalterada sua linha editorial radicalmente antagônica à imprensa reacionária e vendida aos interesses das classes dominantes e do imperialismo.
Agora, mais do que nunca, AND precisa do seu apoio. Assine o nosso Catarse, de acordo com sua possibilidade, e receba em troca recompensas e vantagens exclusivas.

Quero apoiar mensalmente!

Temas relacionados:

Matérias recentes: