Protestos em todo o Brasil exigem fim das chacinas e assassinatos policiais

No dia 24 de agosto, trabalhadores, estudantes, familiares e amigos de vítimas de violência policial de todo o Brasil protestaram contra o fim das chacinas e assassinatos policiais e denunciaram o genocídio promovido pelo velho Estado contra o povo.
Mães vítimas de violência do Estado realizam manifestação no Espírito Santo. Foto: Leonardo Sá
Mães vítimas de violência do Estado realizam manifestação no Espírito Santo. Foto: Leonardo Sá

Protestos em todo o Brasil exigem fim das chacinas e assassinatos policiais

No dia 24 de agosto, trabalhadores, estudantes, familiares e amigos de vítimas de violência policial de todo o Brasil protestaram contra o fim das chacinas e assassinatos policiais e denunciaram o genocídio promovido pelo velho Estado contra o povo.
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No dia 24 de agosto, trabalhadores, estudantes, familiares e amigos de vítimas de violência policial de todo o Brasil protestaram contra o fim das chacinas e assassinatos policiais e denunciaram o genocídio promovido pelo velho Estado contra o povo. A mobilização nacional ocorreu após uma série de chacinas cometidas na Bahia (32 mortes), Rio de Janeiro (10 mortes) e São Paulo (16 mortes) no final de julho e início de agosto. A mobilização também denunciou o assassinato da liderança quilombola Bernadete Pacífico, assassinada a mando do latifúndio, no estado da Bahia, em 17/08, em rechaço ao genocídio do povo pobre no campo e na cidade.

São Paulo

A manifestação em São Paulo (SP) ocorreu em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp) e seguiu até a Praça do Ciclista. Os manifestantes bloquearam todas as faixas da Avenida Paulista, na região central. A marcha seguiu sob a palavra de ordem Pelo fim da Polícia Militar!.

Durante todo o trajeto, foi denunciada a recente chacina no Guarujá, que assassinou 16 moradores de favela no dia 31 de julho, em meio a uma operação de vingança promovida pelas Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) da PM. Nomeada “Operação Escudo”, as incursões policiais promoveram uma série de torturas às vítimas, e um dos trabalhadores assassinados teve seu filho de nove meses arrancado de seu colo antes de ser fuzilado em um manguezal ao lado de sua casa. 

No ato, familiares do Movimento Mães de Paraisópolis também exigiram punição para todos os agentes que atuaram no Massacre de Paraisópolis, quando nove jovens foram mortos por asfixia ao serem encurralados em uma dispersão feita pela PM em uma festa na comunidade em 2019.

“A gente está há quase quatro anos nessa luta, onde nossos filhos foram assassinados por essa polícia assassina, que se legitima por cima de ações que são deliberadas pelo Estado, pelo governo do estado de São Paulo.”, declarou Maria Cristina Quirino, mãe do adolescente Denys Henrique Quirino da Silva, 16, uma das vítimas do massacre.

No estado de São Paulo, as polícias são as principais responsáveis por mortes intencionais de crianças e adolescentes. Um estudo feito com base em dados da Secretaria da Segurança Pública, aponta que mortes causadas por policiais superaram os homicídios dolosos (com intenção de matar), com 580 assassinatos de crianças entre 0 e 19 anos na capital de 2014 a 2018. Na mesma faixa de tempo, foram registradas 527 mortes dolosas praticadas por civis no mesmo período. Os registros de letalidade policial contra crianças e adolescentes apresentaram crescimento contínuo no estado entre 2014 e 2017. 

Rio de Janeiro

No Rio de Janeiro (RJ), também ocorreu uma manifestação na Candelária, região central da capital. Os manifestantes denunciaram o genocídio promovido contra o povo pobre e preto no estado: em 2022, 1.327 pessoas foram assassinadas em ações policiais no RJ.

Durante o ato, foi também denunciada a chacina da Vila Cruzeiro, ocorrida em  02/08 desse ano durante uma operação policial que assassinou 10 moradores da favela. O assassinato do adolescente Thiago Menezes Flausino, de 13 anos, na favela da Cidade de Deus, em 08/08, também foi denunciado.

Presente no ato, Priscila Menezes de Sousa, mãe de Thiago, exigiu justiça pela morte do filho: “Meu filho não foi abordado, ele foi executado.” demarcando que “Estamos aqui para que eles parem de entrar na favela atirando e que sejam responsabilizados. Os policiais foram afastados, mas isso é pouco, que eles sejam presos e punidos”, afirmou Priscila.

Um estudo de 2020 feito pela Rede de Observatórios da Segurança também revelou que 86% dos mortos em ações policiais no RJ são pretos, apesar de o grupo representar 51,7% da população.

Espírito Santo

Na capital do Espírito Santo, Vitória, mães vítimas de violência do Estado também realizaram uma manifestação na praça de Itararé. Andrea Silva Coutinho, mãe de Rian Coutinho, assassinado em dezembro de 2021, na favela do Território do Bem, afirmou sobre o genocídio da juventude pobre e preta: “Enquanto a gente enterra os nossos filhos, eles [os policiais] vão para a casa beijar os deles”.

Santa Aparecida, mãe de Natanaelton, de 24 anos, assassinado há um mês, denunciou a situação vivida pelas massas nas favelas: “Os policiais nem com algema andam mais, é com fuzil. Hoje eu costumo falar que eles recebem por cabeça. Na comunidade nós viramos gado. O tiro que dão não é na perna, no pé, é na cabeça ou no peito”, destaca. 

Bahia

Na Bahia, a manifestação realizada em Salvador, em frente à Igreja Nosso Senhor do Bonfim, denunciou contundentemente o assassinato da líder quilombola Mãe Bernadete, assassinada a mando do latifúndio no interior do estado. O assassinato de Bernadete voltou uma vez mais os olhos do país ao campo, onde lideranças camponesas, quilombolas e indígenas têm sido constantemente perseguidas na luta contra o latifúndio. 

O estado também apresenta números macabros de assassinatos policiais: no ano de 2022, foi na Bahia o estado em que as polícias mais mataram, deixando um saldo de 1.464 pessoas assassinadas.Nos últimos oito anos, as mortes decorrentes de ações policiais na Bahia quadruplicaram no estado. O número de ocorrências saltou de 354 para 1.464 por ano entre 2015 e 2022.

Brasília

Em Brasília, o ato foi marcado por uma marcha da Esplanada dos Ministérios até a Praça dos Três Poderes, que interditou duas faixas da avenida. No Distrito Federal também houve homenagens ao adolescente Gustavo Henrique Soares Gomes, assassinado pela polícia aos 17 anos em janeiro de 2022.

Minas Gerais

Centenas de pessoas se reuniram no Centro de Belo Horizonte, no início da noite, para rechaçar o genocídio contra o povo realizado pelo velho Estado. O ato partiu da Praça Sete, e os manifestantes ocuparam parte das pistas da Avenida Amazonas. 

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