Quênia: Contra genocídio e matanças durante quarentena, povo se levante em fúria

Quênia: Contra genocídio e matanças durante quarentena, povo se levante em fúria

Print Friendly, PDF & Email

Centenas de trabalhadores quenianos atearam fogo em uma delegacia de polícia após um agente executar um vendedor ambulante, no dia 6 de julho, no condado de Kisii. O combativo protesto ocorre em meio a efervescência geral, após meses de “isolamento social” dentro do qual as forças do velho Estado aprofundou a miséria e a matança de massas como forma de controle social.

O agente reacionário matou o ambulante porque, supostamente, estaria (o vendedor) falsificando higienizadores de mãos. Isso, além de não comprovado e não ser motivo para o crime bárbaro, não convenceu as massas, que em minutos tomou a delegacia e a reduziu a pó. Veículos da polícia foram incendiados também e pedras, garrafas e outros objetos foram arremessados contra os prédios policiais.

As massas, buscando justiça e despejando sua ira acumulada após meses de violência em silêncio, atacou ainda 14 policiais, ferindo-os. Os manifestantes só dispersaram após os policiais dispararem contra a multidão.

Um dia depois, a polícia reacionária queniana reprimiu brutalmente uma manifestação com cerca de 100 pessoas, que protestavam contra a repressão, abusos e assassinatos contra o povo promovidos pelo velho Estado durante a quarentena do coronavírus, além da ingerência da crise sanitária. Com violência, os agentes atiraram bombas de gás lacrimogêneo e prenderam 56 pessoas, impedindo a marcha de chegar ao gabinete do presidente.

Desde janeiro até julho, a Missing Voices, uma coalizão de pelo menos uma dúzia de grupos que lutam pela garantia direitos no Quênia, documentou 100 casos de assassinatos policiais contra o povo, sem mencionar aqueles escondidos.

Ao todo, o mês de julho contou ainda com outras ações de massas, capitaneadas e organizadas por grupos armados salafista (vertente do islã). Dentre as ações, motivadas por repulsa à exploração e opressão do velho Estado, estão justiçamento de policiais, como ocorrido no dia 23 de julho, no condado de Garissa, e destruição de torre de comunicações, como ocorrido no dia 9 de julho em Korakora, no mesmo condado.


Policial sufoca manifestante durante protesto no Quênia, Nairobi, 7 de julho
Ao longo das últimas duas décadas, o jornal A Nova Democracia tem se sustentado nos leitores operários, camponeses, estudantes e na intelectualidade progressista. Assim tem mantido inalterada sua linha editorial radicalmente antagônica à imprensa reacionária e vendida aos interesses das classes dominantes e do imperialismo.
Agora, mais do que nunca, AND precisa do seu apoio. Assine o nosso Catarse, de acordo com sua possibilidade, e receba em troca recompensas e vantagens exclusivas.

Quero apoiar mensalmente!

Temas relacionados:

Matérias recentes: