Cerca de 70 pessoas participaram, em 1º de outubro, na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), de uma mesa de debate sobre a situação política nacional e internacional promovida pela Redação do jornal A Nova Democracia em defesa do boicote à farsa eleitoral e da Revolução Agrária. Com o tema “A farsa eleitoral e a luta popular: qual a saída para a crise política?”, a atividade de formação reuniu representantes da Revolução Brasileira (RB), da Associação Cultural José Martí (ACJM-RJ) e de outras organizações democráticas e populares, além de membros da Redação, colaboradores e apoiadores próximos do jornal. Após as exposições da mesa, representantes das organizações presentes fizeram suas intervenções.
Bandeiras da Palestina, da Liga dos Camponeses Pobres (LCP), da Liga Anti-imperialista Internacional (LAI) e de organizações populares ornamentavam a sala, assim como faixas com os dizeres “Não votar! Rebelar-se é justo!”, “Viva a Revolução Agrária! Morte ao latifúndio!” e “Parar o genocídio da Operação ‘Kagaar’ do regime fascista de Modi contra o povo adivasi!”, assinada pela Coordenação de Forças Democráticas e Populares Contra o Genocídio na Índia – Brasil. Os participantes entoaram palavras de ordem pelo boicote eleitoral e pela Revolução Agrária, como “Eleição é farsa, não muda nada não! Organizar o povo pra fazer revolução!” e “O povo prepara sua rebelião! Se abre um novo tempo para a revolução!”.

CEBRASPO: ‘Nunca houve situação tão favorável para falarmos sobre revolução’
A representante do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos (CEBRASPO), que compôs a mesa com o diretor-geral de AND, destacou os feitos épicos da Heroica Resistência Nacional Palestina e o novo impulso dado pelo Dilúvio de Al-Aqsa ao movimento anti-imperialista em todos os continentes. “Não podemos achar que após o 7 de outubro de 2023 a correlação entre os dois campos, revolução e contrarrevolução, continua a mesma. Os inimigos não têm mais a tranquilidade que tinham antes”, afirmou.
Ao tratar da crise geral de decomposição sem precedentes do imperialismo e dos perigos de guerra e fascismo, ressaltou as condições favoráveis ao avanço e desenvolvimento da situação revolucionária como tendência principal em todo o mundo, ainda que de maneira desigual, e a imperiosidade de uma frente anti-imperialista internacional. “Os povos oprimidos do mundo sabem muito bem que não vão se livrar da opressão imperialista imensa no mundo sem o caminho da revolução”.

AND: ‘A Revolução Agrária pode derrotar o imperialismo ianque’
O diretor-geral de AND denunciou a ingerência ianque no Brasil e a relacionou à estratégia do imperialismo para ampliar seu domínio sobre a América Latina “da forma mais absoluta possível” e combater o movimento revolucionário. Relacionou os preparativos contrainsurgentes ao agravamento da crise econômica e política do capitalismo burocrático e ao avanço da luta pela terra, citando as acusações de “guerrilha” dirigidas à LCP.
Alertou para o perigo de que uma eventual derrota eleitoral da extrema direita, seguida do questionamento do resultado pelos bolsonaristas e por Trump, abra caminho para um golpe militar. “As eleições vão chancelar, qualquer que seja o resultado, a forma da intervenção imperialista no País”, afirmou. Apontou a organização das massas e a Revolução Agrária como caminho para enfrentar a dominação imperialista e barrar essa ameaça. Criticou a falsa esquerda que não defende uma ruptura com o sistema político e deixa a extrema direita monopolizar a crítica à velha ordem.
O representante de AND defendeu, por fim, aproveitar o período eleitoral para desnudar o velho Estado como instrumento de dominação da grande burguesia e do latifúndio, serviçais do imperialismo, e ampliar a propaganda revolucionária. “No momento, é uma obrigação fazer uma grande agitação do boicote eleitoral e de defesa explícita da Revolução Agrária”, ressaltou.

‘Sem destruir o latifúndio, não há soberania’
Nas intervenções das organizações, a LAI destacou o papel do movimento de massas, particularmente da LCP, na defesa da soberania nacional e no enfrentamento ao imperialismo. Já o representante da ACJM-RJ, Luís Mergulhão, reafirmou a solidariedade a Cuba diante do criminoso bloqueio imperialista à “ilha rebelde”.
O Movimento Estudantil Popular Revolucionário (MEPR) defendeu a vinculação do movimento estudantil às massas populares e o uso das eleições de suas entidades (DCEs e centros acadêmicos) como instrumento de propaganda da Revolução Agrária. A Executiva Nacional de Estudantes de Pedagogia (ExNEPe) denunciou o governismo da União Nacional dos Estudantes (UNE) e recordou a participação de camponeses ao lado dos estudantes no 43º Encontro Nacional dos Estudantes de Pedagogia. O Movimento Arapuka, da Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), conclamou seus integrantes a denunciar as diferentes siglas como parte do Partido Único das classes dominantes reacionárias e ampliar a campanha de boicote eleitoral.
Na saúde, o Movimento Classista em Defesa da Saúde do Povo (MOCLASPO) denunciou a decisão do atual gerenciamento oportunista de privatizar hospitais federais do Rio de Janeiro ou transferi-los para organizações sociais do município. Seu representante defendeu combinar o boicote com a organização classista e independente dos trabalhadores para enfrentar a crescente retirada de direitos do povo.

O representante da Revolução Brasileira (RB) denunciou a falsa polarização eleitoral e afirmou que as candidaturas de Luiz Inácio (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) representam o mesmo projeto econômico. Apontou o crescente afastamento das massas em relação ao pleito burguês e ao próprio regime político e criticou o que chamou de “eleição como dogma, e não como tática” por organizações que se afirmam de “esquerda”. Informou ainda que o 1º Congresso da organização decidiu pelo voto nulo “militante e de protesto” em 2026 e apontou os elevados índices de votos nulos, brancos, abstenções e títulos eleitorais cancelados como sinais da crise de legitimidade do sistema eleitoral. Ao tratar do campo, denunciou o crescimento vertiginoso dos assassinatos de indígenas e a completa paralisia da “reforma agrária” durante o atual governo oportunista.
Um antigo colaborador de AND, ligado ao jornal desde seus primeiros anos, sustentou que a crescente pressão do imperialismo ianque sobre a América Latina possui caráter estratégico e que a questão agrária é o problema central a ser resolvido no Brasil. “Sem a Revolução Agrária e a destruição do latifúndio não se pode ter base industrial independente nem soberania nacional”, afirmou.
Também estiveram presentes o Movimento Classista dos Trabalhadores em Educação (MOCLATE), a Frente do Currículo Científico da UERJ e a Roda Cultural Independência e Arte da Vila Kennedy.
Ao final, estudantes gravaram um vídeo em apoio à Guerra Popular na Índia, dirigida pelo Partido Comunista da Índia (Maoista), e contra o genocídio dos povos adivasi promovido pelo regime fascista de Narendra Modi, atendendo ao chamado internacional da LAI.
