Em 4 de julho, a primeira edição do RESISTA! reuniu, na Damata Casa Cultural, em Sorocaba (SP), uma exposição de artes visuais, intervenções políticas e apresentações musicais em defesa das lutas anti-imperialistas no Brasil e no mundo. O evento foi organizado pelo Comitê de Apoio ao AND de Sorocaba e pela Liga Anti-imperialista Internacional (LAI).
Exposição percorre história da luta anti-imperialista
A exposição reuniu colagens, pinturas, fotografias, vídeos e peças de design gráfico, organizados em formato de linha do tempo. O conteúdo partia das resistências indígena e quilombola durante o período colonial, passava pelas lutas de libertação nacional e pelas revoluções proletárias do século XX e chegava às guerras populares em curso e às lutas por direitos democráticos no País, em especial a Revolução Agrária.

A linha do tempo foi representada por uma corda que percorria todo o espaço da exposição. Segundo a curadoria, ela representava a luta de classes e o tensionamento de forças entre o imperialismo e os movimentos populares e democráticos, como um cabo de guerra.
Parte das obras foi enviada por artistas populares de diferentes regiões do Brasil, que submeteram suas produções por meio de um formulário divulgado previamente por AND. A organização também selecionou matérias do jornal que relacionavam as lutas anti-imperialistas da história ao período atual.



LAI: ‘Ferramenta de luta dos povos’
Participaram da atividade organizações democrático-revolucionárias como a LAI, Alvorada do Povo (AP), Movimento Feminino Popular (MFP), Unidade Vermelha – Liga da Juventude Revolucionária (UV-LJR), Liga Operária e Movimento Classista dos Trabalhadores em Educação (Moclate).
Uma apoiadora de AND em Sorocaba abriu o evento, saudou os participantes e apresentou a exposição e o cronograma das atividades. Em seguida, um representante da LAI analisou a situação política nacional e internacional. “A LAI é uma ferramenta de luta dos povos, que surge como resposta à crise de decomposição do imperialismo, do oportunismo e do capitalismo burocrático brasileiro”, afirmou.

O representante da LAI também denunciou o caráter entreguista do governo federal: “Luiz Inácio, diante do avanço do imperialismo ianque na América Latina, tenta sustentar-se numa retórica de soberania, mas, ao fim e ao cabo, aplica e sustenta todas as cartilhas dos monopólios financeiros internacionais, garantindo a submissão do País aos interesses do imperialismo.”
Ele defendeu ainda que os povos devem se apoiar nos exemplos históricos de luta apresentados na exposição. “Temos que nos apegar aos exemplos históricos, muitos representados nesta exposição, de como ser verdadeiramente anti-imperialista, com a guerra sem quartel contra a reação”, afirmou, salientando que as lutas por direitos democráticos são, em essência, lutas contra o imperialismo.

A representante da UV-LJR afirmou que a juventude submetida a escolas precarizadas e sem infraestrutura precisa compreender que os ataques à educação pública são fruto da dominação imperialista.
O representante do Moclate acrescentou que políticas educacionais como o Novo Ensino Médio também são imposições do imperialismo, que precarizam o ensino público e o colocam a serviço dos interesses privados da educação.
A representante do MFP saudou o RESISTA! como “um espaço importante de difusão da cultura popular, em resposta à chamada ‘cultura’ burguesa, que atinge principalmente as mulheres, reafirmando a opressão feminina e a objetificação do corpo da mulher”.



Música, imprensa popular e solidariedade
Após as intervenções políticas, tiveram início as apresentações musicais de artistas populares. Os MCs de rap combativo Sagaz do Povo, Dina MC e Ameaça Vermelha fizeram uma apresentação conjunta. Em seguida, a banda de metal extremo Norah encerrou a programação.
As músicas exaltaram a luta anti-imperialista dos povos e exemplos de resistência em defesa dos direitos democráticos no Brasil, além de denunciarem o oportunismo e os crimes da reação e do imperialismo.

Durante o evento, o Comitê de Apoio ao AND organizou uma banquinha com edições impressas do jornal, bandeiras e pôsteres ligados à luta anti-imperialista. O Comitê também elaborou um livreto com o texto “Nosso Caminho”, que apresenta o programa geral da Liga dos Camponeses Pobres (LCP), acompanhado de notas adicionais.
Também foram vendidos produtos para arrecadar recursos para o transporte de estudantes ao 43º Encontro Nacional dos Estudantes de Pedagogia (ENEPe), além de serem recolhidos materiais para as atividades da Escola Popular Professor Fausto Arruda, na ocupação Dandara, em Sorocaba.
