Reunião de ministros espanhóis desperta massas na Catalunha

Reunião de ministros espanhóis desperta massas na Catalunha

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Lixo é derrubado em protesto de catalães contra reunião do governo espanhol nesta sexta-feira (21) em Barcelona — Foto: Susana Vera/Reuters

Centenas de manifestantes catalães protestam contra uma reunião ministerial do Estado imperialista espanhol, no dia 21 de dezembro. A reunião, dirigida pessoalmente pelo primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sanchez, foi considerada uma “demonstração de autoridade” que afrontou diretamente o povo da Catalunha – região reprimida no interior da Espanha cujo povo exige direito à independência.

Barricadas foram erguidas cortando a circulação de carros nas ruas e rodovias, incluindo importantes estradas como a AP7 e a A2 – que ligam Barcelona com a França e com a capital espanhola, Madri. Os manifestantes também exibiam cartazes com a palavra de ordem “seremos ingovernáveis”, referindo-se à dominação espanhola.

A reunião ocorreu no palácio de Llotja de Mar, perto do litoral mediterrâneo, e contou com um forte aparato policial para reprimir a população que protestava em frente ao local. Pelo menos dez ativistas foram detidos e 11 foram feridos pela policia do evento.

Desde o Franquismo não se reunia um conselho de ministros em Barcelona para nos demonstrar sua autoridade.”, protestou o vice-presidente da Omnium Cultural, organização defensora da cultura catalã.

Um dia antes dos protestos, em 20/12, o primeiro-ministro espanhol se encontrou com o presidente da região da Catalunha, Quim Torra – que assumiu o cargo após a destituição de Carles Puigdemont, então presidente, imposta pela Espanha quando este “declarou a independência”.

Quim Torra e Pedro Sanchez se reuniram para começar a discutir uma conciliação entre os dois governos, o que o primeiro-ministro espanhol chamou de “uma nova etapa”.

A população catalã mostrou-se revoltada com os diálogos e protestou também contra o presidente da região, pressionando para que seja consequente com a declaração de independência. Uma manifestante afirmou em declarações à AFP que “o diálogo para mim é um passo para trás”, e prosseguiu: “Agora não é o momento de tentar dialogar, esse momento já passou. Parece-me que se tratou apenas de uma encenação para acalmar os ânimos para hoje.”.

Independência por quem

A Catalunha é uma região autônoma pertencente ao Estado imperialista espanhol, assim como a Galícia, País Basco e outras. São regiões compostas por povos dominados há séculos para a unificação do Estado espanhol e sempre lutaram pelo direito de autodeterminação. No entanto, no caso da Catalunha, o processo de independência não tratou-se de uma luta consequente por autodeterminação, mas uma chantagem da burguesia desta região que reivindica receber mais recursos do Estado na distribuição orçamentária.

Usando de seu peso econômico (a Catalunha tem 19% do PIB e 25% das exportações da Espanha), a burguesia colocou na mesa a carta da “independência” como forma de impulsionar essa redistribuição orçamentária. Seu objetivo não foi de fato a independência, pois esta, embora seja uma exigência histórica do povo catalão, significaria um golpe em sua economia, pois os monopólios, receosos pela instabilidade econômica, buscariam outros locais para investir seu capital.

Hoje, é a burguesia catalã que encabeça o processo [de “independência] – ainda que o proletariado participe dele – e, os últimos acontecimentos retratam de corpo inteiro a incapacidade desta classe e a atitude capituladora de Puigdemont”, analisou a Associação de Nova Democracia, na época da declaração de independencia. E concluiu: “Isto expressa a necessidade do Partido Comunista para que a classe dirija consequentemente este movimento e ligue-o com a luta pelo Poder, luta pela revolução socialista, que se realiza com guerra popular.”

Ao longo das últimas duas décadas, o jornal A Nova Democracia tem se sustentado nos leitores operários, camponeses, estudantes e na intelectualidade progressista. Assim tem mantido inalterada sua linha editorial radicalmente antagônica à imprensa reacionária e vendida aos interesses das classes dominantes e do imperialismo.
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