RJ: Ajudante de pedreiro morre baleado durante operação da PM em São Gonçalo

RJ: Ajudante de pedreiro morre baleado durante operação da PM em São Gonçalo

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Familiares foram até o IML para fazer a liberação do corpo do ajudante de pedreiro. Foto: Marcelo Feitos

O ajudante de pedreiro Roberto Carlos Moura Pinto, de 50 anos, morreu após ser atingido por um tiro durante uma operação da Polícia Militar (PM), no dia 24 de setembro, na comunidade “590”, no bairro Amendoeira, em São Gonçalo, Região Metropolitana do Rio.

Segundo a esposa de Roberto Carlos, os dois estavam indo para a igreja, por volta das 20h, quando o marido parou para conversar com um amigo. Ela narrou que, após entrar sozinha no templo, ouviu tiros. Roberto e seu amigo correram cada um para um lado, e minutos depois chegou a notícia que o ajudante de pedreiro havia sido baleado.

No mesmo momento acontecia uma operação no local, coordenada pelo 7° Batalhão da PM (Alcântara), que deixou outras duas pessoas mortas.

O sentimento de familiares é de revolta. Segundo eles, o tiro partiu de policiais militares. “A PM, ao invés de ajudar, não ajuda. Não estava tendo troca de tiros, a rotina estava normal ali. Pobre e favela sempre viram estatísticas”, disse o cunhado de Roberto Carlos para o jornal O Fluminense.

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“Não sei nem o que pensar, o que dizer. É tristeza, revolta, ódio, tudo misturado”, falou de forma muito emocionada a esposa, de 33 anos, que é dona de casa.

Segundo a família da vítima, a PM não prestou socorro. Roberto foi socorrido por vizinhos e levado ao Hospital Estadual Alberto Torres (Heat), no Colubandê, porém não resistiu aos ferimentos.

O trabalhador, que não tinha antecedentes criminais, foi atingido na região do abdômen e na mão. Na manhã do dia 25 de setembro, sua família foi ao Instituto Médico Legal (IML) para liberar o corpo. O sepultamento ainda não tem data para ocorrer.

Guerra contra o povo

Roberto Carlos é mais uma vítima da guerra civil reacionária do velho Estado contra o povo, sob o pretexto de “guerra ao tráfico”.

Segundo temos analisado em AND, as razões dessa guerra civil reacionária levada a cabo contra as massas é, dentre outras: 1) resultado do nível crescente de miséria e desemprego no estado, problema cuja única solução que o velho Estado e seus governos podem oferecer é mais repressão e assassinatos, uma vez que a economia nacional assenta-se em um capitalismo burocrático só passível de ser transformado via revolução. E, 2) a reação planeja concentrar as regiões hoje controladas por grupos delinquentes e do tráfico varejista de drogas (antigamente apoiados pelos sucessivos governos) em grupos paramilitares, conhecidos vulgarmente como “milícias”.

Ao longo das últimas duas décadas, o jornal A Nova Democracia tem se sustentado nos leitores operários, camponeses, estudantes e na intelectualidade progressista. Assim tem mantido inalterada sua linha editorial radicalmente antagônica à imprensa reacionária e vendida aos interesses das classes dominantes e do imperialismo.
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