RJ: Centenas de trabalhadores da enfermagem paralisam o Centro e enfrentam a repressão policial por piso salarial; veja o vídeo

RJ: Centenas de trabalhadores da enfermagem paralisam o Centro e enfrentam a repressão policial por piso salarial; veja o vídeo

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Centenas de trabalhadoras da enfermagem bloquearam a Av. Presidente Vargas por cerca de seis horas, no dia 03/010, exigindo seu piso salarial. Foto: Banco de dados AND

Centenas de trabalhadoras e trabalhadores da enfermagem – entre enfermeiras, técnicas e auxiliares – bloquearam, no dia 3 de outubro, a avenida Presidente Vargas, das 7h da manhã às 13h da tarde, no Centro do Rio de Janeiro. Os profissionais da saúde exigiam o seu piso salarial, que está suspenso pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Eles enfrentaram a repressão do Batalhão de Rondas Especiais e Controle de Multidão (Recom) da Polícia Militar (PM), que lançou spray de pimenta contra os manifestantes e os golpeou com cassetetes, tudo na vã tentativa de dispersar e desmobilizar o protesto combativo.

Policiais militares da Recom reprimiram com spray de pimenta e cassetetes as enfermeiras que lutavam por piso salarial. Foto: Banco de dados AND

A manifestação se soma a uma grande mobilização nacional, entre greves, paralisações e manifestações que ocorrem desde o dia 4 de setembro, quando o piso salarial da categoria foi suspenso pelo ministro do STF, Roberto Barroso, por 60 dias. O piso salarial para os 2,5 milhões de profissionais de saúde no Brasil foi negado, a pedido dos hospitais privados e monopólios de planos de saúde, alegando “falta de verba”. Essa mentira é rechaçada por todas as trabalhadoras e trabalhadores da enfermagem, que atualmente trabalham entre três empregos para poderem sustentar suas famílias, em mais de 60 horas semanais. 

Leia também: Enfermeiros lutam em todo país pelo piso salarial de enfermagem e realizam paralisação nacional

Enfermeira segura cartaz denunciando o conto da “falta de verbas”. Foto: Banco de dados AND

Estavam no protesto profissionais da enfermagem de hospitais de diversos bairros da cidade, das clínicas da família e mesmo profissionais aposentados. Muitas haviam saído de plantões e partido direto para a manifestação. Logo nos primeiros momentos do protesto, a partir das 8h da manhã, as trabalhadoras já fecharam uma das vias laterais da Presidente Vargas, em frente ao Centro Estadual de Diagnóstico por Imagem. 

Assim que a via foi fechada, iniciaram-se as intimidações da PM, enquanto chegavam mais e mais viaturas. As profissionais da enfermagem resistiram  e avançaram, fechando, então, duas vias. Foi destacado pelas manifestantes que no dia anterior o governador Cláudio Castro havia se reeleito, e na manhã seguinte já enviava a PM para reprimir o justo protesto das trabalhadoras.

Policiais militares da Recom reprimiram com spray de pimenta e cassetetes as enfermeiras que lutavam por piso salarial. Foto: Banco de dados AND

As trabalhadoras, em um grande espírito combativo de rechaçar o pisoteamento de seus direitos, fecharam uma terceira via da Presidente Vargas, a via central e, nesse momento, já chegavam policiais da Recom para intimidar as profissionais da saúde, com instrumentos de repressão como cassetetes, bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e spray de pimenta. Logo que chegaram, às 9h30min, pulverizaram spray de pimenta contra a massa e golpearam com seus cassetetes. Os militares foram completamente repelidos pelas trabalhadoras, que os combateram com chutes e empurrões, enquanto a multidão gritava Polícia covarde, respeita a enfermagem!.

Trabalhadoras denunciam condições de trabalho e rechaçam o conto da ‘falta de verbas’

Centenas de trabalhadoras da enfermagem bloquearam a Av. Presidente Vargas por cerca de seis horas, no dia 03/010, exigindo seu piso salarial. Foto: Banco de dados AND

A auxiliar de enfermagem do hospital Souza Aguiar, Leila, de 47 anos, em entrevista exclusiva ao AND, denunciou a situação de crise econômica no país e a precariedade no exercício da profissão:

– Nós já estávamos contando com esse piso, porque a situação do país está lamentável. E nossa situação também, como trabalhadores da saúde, tanto no Rio de Janeiro quanto no Brasil inteiro, está muito desconfortável. Salários baixos, falta de condições de trabalho, falta de estrutura nos hospitais…

Quando questionada sobre a alegação das grandes redes de hospitais privados e monopólios dos planos de saúde de que “não há verba”, ela demarcou:

– Os hospitais privados são os piores. São eles mesmos que não querem pagar. Que alegam que não têm condição. Você acha que o dono da Rede D’or, os sócios da Rede D’or, essas empresas milionárias não têm condições de pagar um piso para um enfermeiro?

E concluiu:

– Eles têm condições, eles estão impondo resistência porque simplesmente querem continuar explorando as trabalhadoras.

Ela destacou, ainda, que o ataque ao seu piso salarial vem logo após a pandemia da Covid-19, em que as trabalhadoras sacrificaram tudo para continuar a servir ao povo diante do vírus. Ela denunciou a mortandade dos profissionais da saúde, que não contavam com Equipamentos de Proteção Individual (EPI), a falta de profissionais enquanto os hospitais estavam lotados e denunciou, ainda, que os profissionais da saúde que eram empregados pela prefeitura (como nas clínicas da família) e tinham alguma comorbidade, tiveram seus salários descontados por se ausentar do trabalho e tiveram de retornar em plena pandemia, pois não tinham mais condições de comprar comida. 

Centenas de trabalhadoras da enfermagem bloquearam a Av. Presidente Vargas por cerca de seis horas, no dia 03/010, exigindo seu piso salarial. Foto: Banco de dados AND

Outra profissional da enfermagem que trabalha em dois hospitais diferentes e cumpriria dois plantões seguidos caso não estivesse na paralisação, denunciou que a alegação de que “não há verba” é uma mentira, pois há muitos fundos estatais para os políticos profissionais. Ela também denunciou as condições da saúde pública para o povo, citando o caso de um paciente que esperava há seis anos para realizar uma cirurgia de fêmur. Ela afirmou que há dinheiro para os hospitais públicos, desde que sejam retirados os “auxílios paletós, moradia” e afins dos reacionários nos altos postos do velho Estado. 

Trabalhadores apoiam a manifestação da enfermagem

Transeunte demonstra apoio à manifestação da enfermagem e divulga o ato. Foto: Banco de dados AND

Uma trabalhadora que aguardava na parada de ônibus ao lado da manifestação, e não quis se identificar, em entrevista ao AND afirmou que apoiava a luta das enfermeiras e que julgava ser importante o piso salarial, uma vez que o povo depende dos hospitais públicos. Ela disse que é fundamental que os profissionais possam ir trabalhar com um bom salário para poder prestar um serviço de qualidade.

Transeuntes também demonstraram muito apoio ao protesto. Muitos perguntavam do que se tratava o protesto e, após saberem, saudavam os trabalhadores. Motoristas de carros, caminhoneiros e motociclistas buzinavam, acenavam e cumprimentavam os trabalhadores conforme passavam pelo protesto.

Um motorista de ônibus também afirmou que apoiava a luta dos enfermeiros pelo piso salarial. Por sua vez, uma trabalhadora de um posto de gasolina próximo disse que apoiava a manifestação e acrescentou que, inclusive, sua irmã era enfermeira e estava na manifestação.

Entenda o contexto das manifestações

Centenas de trabalhadoras da enfermagem bloquearam a Av. Presidente Vargas por cerca de seis horas, no dia 03/010, exigindo seu piso salarial. Foto: Banco de dados AND

A lei do piso salarial da enfermagem foi aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado, recebendo a sanção do presidente ultrarreacionário Jair Bolsonaro no dia 04/09, em sua corrida por votos nas eleições de 2022. No mesmo dia o caso foi levado à votação no STF pelo ministro Luís Roberto Barroso, que concluiu pela suspensão temporária da lei.

A suspensão atendeu aos interesses dos setor privado da saúde e dos governadores reacionários. Os dois afirmando que “não há verbas”  para o piso. Uma das empresas milionárias que ameaça não cumprir com o piso salarial da enfermagem é a Amil, a maior empresa de planos de saúde do Brasil. Em relação aos planos de saúde, a aplicação do piso representa apenas 4,8% do seu faturamento a partir dos dados disponíveis de 2020. Durante a pandemia, os lucros dos hospitais privados aumentaram seus lucros em 20%.

Panfletos do Movimento Classista de Defesa da Saúde do Povo (Moclaspo) foram entregues na manifestação. Foto: Banco de dados AND

Já no âmbito estatal, o teto de gastos públicos, medida criminosa aprovada em 2016, é uma barreira burocrático-legal ao piso salarial da enfermagem. O responsável pelo seu pagamento nos hospitais públicos é a União, e o teto dos gastos impede que os gastos públicos acompanhem o piso. Além disso, a medida eleitoreira do ultrarreacionário Bolsonaro de limite para Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) de combustíveis, e veto da compensação aos estados joga um rombo fiscal aos governos estaduais que também repercute no pagamento dos salários dos profissionais.

Além disso, a afirmação de que não há dinheiro para o piso salarial é uma mentira deslavada. O orçamento secreto de distribuição de verbas públicas através de emendas parlamentares aprovado para o próximo ano ultrapassa o valor de R$ 19 bilhões. É esta a finalidade dada ao dinheiro suado do povo: entregar na mão de políticos profissionais reacionários, sem a exigência de prestação de contas.

Veja, aqui, mais imagens da manifestação:

O Comitê de Apoio ao AND do Rio de Janeiro esteve presente na manifestação e e realizou a venda de 40 edições da edição especial n° 249 conclamando ao boicote eleitoral. Foto: Banco de dados AND

Manifestantes se revoltam após polícia atirar spray de pimenta contra as trabalhadoras da saúde. Foto: Banco de dados AND

Centenas de trabalhadoras da enfermagem bloquearam a Av. Presidente Vargas por cerca de seis horas, no dia 03/010, exigindo seu piso salarial. Foto: Banco de dados AND

Manifestante grava policial militar que reprimia as enfermeiras durante o protesto. Foto: Banco de dados AND

Centenas de trabalhadoras da enfermagem bloquearam a Av. Presidente Vargas por cerca de seis horas, no dia 03/010, exigindo seu piso salarial. Foto: Banco de dados AND

Policiais da Recom reprimiram com spray de pimenta e cassetetes as profissionais da enfermagem em manifestação na Av. Presidente Vargas. Foto: Banco de dados AND

Centenas de trabalhadoras da enfermagem bloquearam a Av. Presidente Vargas por cerca de seis horas, no dia 03/010, exigindo seu piso salarial. Foto: Banco de dados AND

Centenas de trabalhadoras da enfermagem bloquearam a Av. Presidente Vargas por cerca de seis horas, no dia 03/010, exigindo seu piso salarial. Foto: Banco de dados AND

Trabalhadores da enfermagem foram entrevistados pela equipe de reportagem de AND. Foto: Banco de dados AND

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