RJ: Diretor do Degase é denunciado por incitar agressão a jovem infrator

RJ: Diretor do Degase é denunciado por incitar agressão a jovem infrator

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Celas do Departamento Geral de Ações Socioeducativas: jovem teria sido espancado por adolescentes dentro de uma unidade. Foto: divulgação

Gabriel Portugal, diretor do Centro de Socioeducação Professora Marlene Henrique Alves (Cense), unidade do Degase, localizada na região de Campos do Goytacazes, é acusado por um agente da mesma instituição de incitar que um grupo de detentos agredisse um outro jovem, também detento, em julho do ano passado, segundo informe emitido pelo monopólio de imprensa em 28 de janeiro.

“Estava trabalhando na portaria quando soube que estavam espancando um adolescente. Resolvi ir até lá, mas o coordenador impediu minha entrada. Foi então que tive a ideia de colocar o celular no bolso para captar o áudio.”, declara o agente em entrevista ao jornal Extra.

A gravação foi realizada em 3 de julho, na qual uma voz que segundo o informante é de Gabriel Portugal conversa com o grupo de jovens. “É, vacilão. Dá tapa na cara, esculacha na porrada, só não deixa ele com hematoma. Deu pra entender, bandido?”, diz.

O agente enviou o material ao Ministério Público.  A 134ª Delegacia de Polícia de Campos dos Goytacazes também recebeu uma cópia. O promotor José Luiz Pimentel Bezerra deu entrada no pedido de afastamento de Portugal e do então diretor à época da denúncia. Durante período da denúncia, Portugal era diretor-adjunto na unidade, entretanto, após ser denunciado, ainda assim foi promovido a diretor, em dezembro do ano passado.

O seu pedido de afastamento foi negado pela juíza Aline Andrade de Castro Dias, por insuficiência de provas, mesmo a promotoria tendo recorrido o afastamento do diretor foi negado em segunda instância. Os jovens envolvidos na agressão não prestaram depoimentos e, segundo a juíza, o pedido de afastamento ainda pode ser reavaliado.

“Há elementos cabais de que ele (Portugal) não tem condições de dirigir uma unidade para adolescentes. É um escândalo! Além disso, já é citado há muito tempo pelos menores, ainda que informalmente, como uma pessoa agressiva. Mas na hora de falar oficialmente, colocar em depoimento, eles não têm coragem.”, afirma o promotor.

Após a denúncia servidor sofre retaliação

O agente que denunciou o crime retornou de suas férias em 5 de dezembro do ano passado e deu-se com a inesperada notícia de que Portugal virou diretor da unidade, além de ser informado da sua transferência para uma unidade do Degase em Niterói. Segundo ele, isso foi uma retaliação.

“Na volta das férias, ele (Portugal) não deixou nem eu me apresentar. Disse que eu tinha sido transferido para Niterói. O problema é que eu fiz um concurso regionalizado, para Campos, e não tenho condições de trabalhar fora de Campos. Tenho dois filhos menores, uma mulher em tratamento de depressão e moro com uma mãe idosa e acamada.”, ressalta o servidor ao Extra.

O diretor Gabriel Portugal, de 29 anos, possui antecedentes criminais, sendo réu em processo da 2ª Vara Criminal de Campos dos Goytacazes, além de responder por fraude em certames de interesse público e associação criminosa.

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