RJ: Enfermeiros declaram novas greves exigindo o piso

Enfermeiros, auxiliares e técnicos de enfermagem de hospitais estatais e privados do estado do Rio de Janeiro (RJ) declararam greve total da categoria por 48h, a partir do dia 29 de junho, exigindo seu piso salarial.
Profissionais da enfermagem bloqueiam pista da Avenida Brasil em manifestação exigindo o piso. Foto: Cléber Mendes/ Agência O Dia
Profissionais da enfermagem bloqueiam pista da Avenida Brasil em manifestação exigindo o piso. Foto: Cléber Mendes/ Agência O Dia

RJ: Enfermeiros declaram novas greves exigindo o piso

Enfermeiros, auxiliares e técnicos de enfermagem de hospitais estatais e privados do estado do Rio de Janeiro (RJ) declararam greve total da categoria por 48h, a partir do dia 29 de junho, exigindo seu piso salarial.
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Enfermeiros, auxiliares e técnicos de enfermagem de hospitais estatais e privados do estado do Rio de Janeiro (RJ) declararam greve total da categoria por 48h, a partir do dia 29 de junho, exigindo seu piso salarial. A greve foi declarada durante uma paralisação de 24 horas, no dia 23/06, após assembleia e manifestação com cerca de 400 profissionais em frente ao Hospital Federal de Bonsucesso, na Zona Norte da capital.

Além do piso, os enfermeiros exigem o fim das privatizações dos hospitais estatais no RJ, realizadas através de sua “estadualização”, por manobra do governador reacionário Cláudio Castro (PL), que logo os entrega às “Organizações Sociais de Saúde” (OSS). Também exigem a jornada de trabalho de 30 horas e a criação do Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) para a categoria

Após o protesto em frente do Hospital Geral de Bonsucesso, os trabalhadores seguiram pela pista lateral da Avenida Brasil, bloqueando-a, até a principal da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). No ato, os manifestantes empunhavam faixas e cartazes que exclamavam: Sem piso, sem Enfermagem!, entre outras palavras de ordem.

Profissionais da enfermagem bloqueiam pista da Avenida Brasil em manifestação exigindo o piso. Foto: Cléber Mendes/ Agência O Dia

Rosiani Rocha Vieira, de 55 anos, enfermeira há 33 anos, relatou sobre a labuta dos profissionais na época da pandemia, e denunciou o governo oportunista de Luiz Inácio: “Nós pagamos com as nossas vidas, perdemos muitos companheiros, adoecemos.”, e demarcou: “Hoje somos enganados o tempo todo pelo governo federal. Representamos os vilões, a categoria que vai quebrar a economia do país por conta de um simples aumento, um aumento irrisório que ainda não vai atender as nossas necessidades”, afirmou Rosiane ao jornal do monopólio de imprensa O Dia.

Os trabalhadores da Saúde também marcaram um ato na frente do Hospital dos Servidores, no centro da capital, e uma marcha até a Prefeitura do Rio no dia de início da greve. 

Enfermeiros exigem condições dignas e rechaçam o imobilismo

No dia 20/06, Conselhos de Enfermagem denunciaram as condições de trabalho dos profissionais em carta aberta, exigindo o piso: “O desafio diário de cuidar das pessoas tem sido massacrante e insuportável diante dos salários miseráveis, jornadas exaustivas, descanso indigno, preconceito, assédio moral e sexual, transporte precário, insegurança, violência e sobrecarga com as responsabilidades do lar e da família”, afirmam. 

A isso, somam-se as constantes ameaças de privatização dos hospitais federais, estaduais e municipais sob regime de contrato com as OSS, empresas privadas responsáveis por administrar os hospitais públicos e que aprofundam ainda mais a precarização do trabalho e dos serviços prestados, uma vez que é formalizado juridicamente a busca por superlucros.

A aplicação do piso para a enfermagem, que daria mínima dignidade salarial a mais de 2,5 milhões profissionais da saúde no Brasil, está sendo enrolada desde setembro do ano de 2022, após ser suspensa pelo Supremo Tribunal Federal (STF) sob alegações de que não haveria verbas para pagar. Tudo isso a serviço dos tubarões da saúde privada. 

Após quase um ano de grandes greves e manifestações combativas pelos enfermeiros, o piso continua a ser motivo de protelação: ele foi aprovado pelo STF em maio deste ano e suspenso novamente em 16 de junho. Uma nova votação será realizada pelos excelentíssimos burocratas no dia 30/06.

Frente à tentativa de desmobilizar a categoria com adiamentos intermináveis da decisão sobre o piso, os enfermeiros, auxiliares e técnicos do Rio de Janeiro já botaram em prática o início de uma agenda de lutas.


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