RJ: Estudantes da UFRJ realizam ato na reitoria contra a imposição do ensino remoto

RJ: Estudantes da UFRJ realizam ato na reitoria contra a imposição do ensino remoto


Estudantes erguem as faixas que confeccionaram, com os dizeres “Defender a Educação Pública com unhas e dentes! Lutar contra o EaD!” e “Campanha contra a normalização do ensino remoto na UFRJ! EaD é exclusão!”. Foto: Banco de Dados AND

No dia 24 de setembro, estudantes da graduação e da pós-graduação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) se reuniram no vão livre debaixo do prédio da Reitoria universitária em protesto contra a imposição do ensino remoto. A atividade, realizada em nome da Campanha Contra a Normalização do Ensino Remoto e do EaD na UFRJ, exigia também o direito à facultatividade, ou seja, à escolha de participar ou não das aulas a distância, a não reprovação por frequência e a ampliação da assistência estudantil.

Duas faixas foram confeccionadas com as quais denunciaram como o ensino a distância aplicado de forma obrigatória promove a exclusão e a evasão de estudantes, além da precarização da Educação Pública, que já é alvo contínuo de ataques do velho Estado. Também foi colocado um chamado à luta, por meio da consigna combativa: Defender a Educação Pública com unhas e dentes! Lutar contra a EaD!

Também foram produzidos cartazes com denúncias e reivindicações diversas dos estudantes, que rechaçavam, por exemplo, a falta de democracia nas decisões da universidade. Até hoje, a proporção de votos para as decisões nas mais altas instâncias deliberativas ainda não é paritária: enquanto os votos dos professores carregam um peso de 70%, a dos discentes e membros do corpo técnico carregam respectivamente 15%, o que tem contribuído imensamente para a voz dos estudantes não ser ouvida.


Um dos cartazes elaborados pelos estudantes da UFRJ.

Por conta do caráter obrigatório das aulas remotas, os estudantes temem que aqueles que não conseguirem acompanhá-las, por qualquer motivo que seja – desde aqueles que não têm condições de fazê-lo nesse momento, como os estudantes que trabalham, que estão tendo que cuidar de seus filhos e parentes etc. até aqueles que se inscreveram em cursos presenciais e simplesmente não estão satisfeitos em cursá-los remotamente –, sofram impactos na vigência de suas bolsas e auxílios, no tempo de integralização do curso e até mesmo em processos seletivos. 

Os estudantes da pós-graduação, por exemplo, têm como demanda a prorrogação dos prazos e bolsas, pois estão sendo muito pressionados, mesmo em meio à pandemia e no contexto da aplicação do ensino remoto, em que a qualidade do ensino está muito prejudicada, a publicarem e produzirem, uma vez que possuem pouca perspectiva de que o prazo de suas bolsas seja estendido. 

Um cartaz fabricado durante o ato trazia as palavras de ordem Boicote a EaD! Rebelar-se é justo!, em razão desses vários motivos listados, concluindo a importância de se impulsionar a luta contra a imposição da EaD por meio do boicote às aulas virtuais em todo o Brasil. Outro cartaz também trazia a consigna Pelo direito de ensinar, estudar e aprender!, reiterando a luta do povo por uma Educação pública, gratuita e de qualidade.

Todos os participantes seguiram as recomendações para prevenção ao coronavírus, com o uso de máscaras, álcool em gel e praticando o distanciamento. Apesar das atividades presenciais de ensino terem sido suspensas na UFRJ, funcionários administrativos e integrantes da atual gestão da reitoria continuam indo ao campus universitário, inclusive para realizar as reuniões dos conselhos deliberativos. 

Foi a primeira atividade presencial organizada pela Campanha, da qual também participam professores e técnicos administrativos, porém já foi considerada como vitoriosa. Reunidos, os estudantes puderam debater e trocar experiências de como tem sido a aplicação do ensino remoto, e pensar coletivamente em atividades futuras. 

AS INCONSISTÊNCIAS DO ENSINO REMOTO

Um ponto levantado pelos presentes é de como a “discussão” sobre a implementação do ensino remoto tem sido feita de forma superficial e antidemocrática na UFRJ. Com a aprovação de um calendário letivo regular e oficial, eles pontuam que diversos cursos continuam sem saber como farão para acompanhar, visto que suas disciplinas não são apenas teóricas e não têm como ser ofertadas a distância. É o caso de cursos que têm atividades práticas, em laboratórios e também trabalhos de campo, como os de Educação Física, Química, Geografia, Biologia e Belas Artes.

Um estudante de Pintura, da Escola de Belas Artes (EBA), que estava presente no ato, ao ser questionado pelo AND sobre as dificuldades particulares que o curso dele possui, frente ao avanço do ensino remoto, respondeu:

— Então, em cursos como o de Pintura, mais de 70% das matérias são práticas, envolvem materiais de pintura que são caros, como tintas, solventes, secantes, telas, pincéis etc., além de exigirem espaços amplos e arejados para a realização dos nossos trabalhos. Com auxílio insuficiente (e muitas vezes inexistente), a situação só piora no contexto do ensino remoto. E a grande maioria dos alunos não tem, dentro de casa, espaços adequados para realizar remotamente aulas que envolvem materiais tóxicos e químicos, que são utilizados nas pinturas.

— Sendo que a maior parte das matérias obrigatórias é prática, então um período “regular”, obrigatório, feito a distância, é basicamente impossível – ele continua a explicar –, fora que muitos alunos moram com seus avós em casa, ou com crianças pequenas e esses materiais são perigosos e não podem ser utilizados perto dessas faixas etárias.

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