RJ: Moradores confiscam carne de caminhão frigorífico abandonado em favela

RJ: Moradores confiscam carne de caminhão frigorífico abandonado em favela

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Moradores confiscam caminhão frigorífico na Penha. Foto: Banco de Dados AND

Um caminhão frigorífico abandonado na comunidade Kelson’s, no Complexo da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro, teve sua carga confiscada por centenas de moradores famintos. Em vídeo que circula na internet, a multidão avança sobre o caminhão cheio de carnes e leva a mercadoria para seu consumo. Policiais militares foram até o local e dispararam para o alto para tentar dispersar a multidão. 

Embora os reacionários façam parecer coisa do passado, a fome ainda existe e atinge milhares de pessoas em nosso país. Mesmo com o avanço da tecnologia em todo o mundo, dados apontam que grande parte da população tem enfrentado dificuldade para se alimentar; carne vermelha virou um privilégio, depois o preço da peça subiu 32% no final de 2019.

O preço da cesta básica aumentou em 15 das 17 capitais que participaram da Pesquisa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) – Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada no período de 1 a 18 de março de 2020. A capital com a cesta mais cara foi o Rio de Janeiro (R$ 533,65), seguida de São Paulo (518,50) e Florianópolis (R$ 517,13). O Dieese estima que, em março de 2020, o salário mínimo deveria ser 4,29 vezes maior do que os atuais R$ 1.045.

De acordo com a pesquisa, apenas 19% dos moradores possuem carteira assinada. A Pesquisa Nacional por amostra de Domicílios Contínua 2020 indica que no trimestre de dezembro de 2019 a fevereiro de 2020, havia aproximadamente 12,3 milhões de pessoas desempregadas no Brasil (sem contar os milhões subocupados e desalentados). No país, segundo o Ministério da Saúde, 15 pessoas morrem de desnutrição por dia.

Tratando ainda sobre a fome, Taís Lopes, professora do Instituto de Nutrição Josué de Castro da Universidade Federal do Rio de Janeiro, afirmou: “A fome já existe dentro das comunidades sem a pandemia, com o atual cenário ela só tende a piorar. São muitas famílias vivendo em situação de extrema pobreza e vulnerabilidade”.

Ao longo das últimas duas décadas, o jornal A Nova Democracia tem se sustentado nos leitores operários, camponeses, estudantes e na intelectualidade progressista. Assim tem mantido inalterada sua linha editorial radicalmente antagônica à imprensa reacionária e vendida aos interesses das classes dominantes e do imperialismo.
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