Gilcemir da Silva foi morto por policiais do Bope na zona norte do Rio de Janeiro. Foto: Fabio Costa
Manifestantes fecharam a via expressa Linha Amarela com barricadas e pneus incendiados no dia 14 de março em protesto contra o assassinato do trabalhador Gilcemir da Silva, 47 anos. O jardineiro foi morto durante uma operação do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar (PM) no dia 13 de março, no morro do Dezoito, em Água Santa, na zona norte do Rio de Janeiro.
Os manifestantes começaram o bloqueio no início da tarde num trecho próximo ao morro do Dezoito. Imagens divulgadas na internet mostram pessoas escalando grades de proteção da via com os rostos cobertos e colocando fogo em objetos no meio da pista. Os moradores somente saíram da pista com a chegada do Batalhão de Policiamento em Vias Expressas (BPVE). A Linha Amarela é uma importante via que liga a região norte do Rio à Barra da Tijuca, na zona oeste.

Gilcemir da Silva foi morto por policiais do Bope na zona norte do Rio de Janeiro. Foto: Fábio Costa
Além do protesto na Linha Amarela, moradores também fizeram manifestações em outras partes da favela e nas ruas dos bairros de Água Santa e Piedade. Um helicóptero da PM sobrevoava a região, militares do Batalhão de Choque também se concentraram nos entornos da favela.

Gilcemir da Silva foi morto por policiais do Bope na zona norte do Rio de Janeiro. Foto: Reprodução
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Bope assassina morador
Familiares de Gilcemir e demais moradores denunciam que os militares entraram na favela durante a madrugada do domingo, dia 13/03, por volta de 1h da madrugada com um grande efetivo e fazendo muitos disparos. De acordo com eles, neste momento, vários moradores estavam pelas ruas da comunidade devido ao calor, por ser um dia fim de semana e também porque já havia acontecido uma operação dois dias antes do assassinato, com isso os moradores não estavam previnidos, pois não esperavam uma nova incursão das forças militares. Segundo as denúncias, mais de 40 agentes militares apoiados por dois veículos blindados entraram na favela atirando, mesmo com crianças e outros moradores fora de suas casas.
Foi nessa hora que Gilcemir acabou sendo atingido por um tiro no pescoço. O trabalhador estava com familiares próximo a um bar quando foi alvejado pelos disparos. O jardineiro ainda correu mesmo baleado, mas não resistiu e caiu morto nos braços da esposa.
“A gente estava em frente ao comércio dela, normal, uma confraternização de final de semana. Foi sábado, uma hora. Daqui a pouco começou a dar um tiroteio do nada. Todo mundo correu para se abrigar. Quando o tiroteio deu uma parada, a gente veio para o lado de fora, que tinha pessoas gritando. Foi aí que a gente viu que o nosso irmão faleceu”, denunciou Gilcelio da Silva, irmão da vítima.
Ele ainda conta que pelo número de policiais envolvidos, a ação havia sido planejada e não uma simples resposta a disparos que supostamente teriam sido efetuados por delinquentes, como justificou a PM. Moradores e familiares exigem justiça e cobram que os resposáveis por autorizar e planejar a operação e os policiais envolvidos no assassinato sejam punidos.