RJ: PM envolvido com execuções e jogo do bicho é reintegrado à corporação

O sargento reformado da Polícia Militar (PM), Márcio Araújo de Souza, apontado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro como envolvido em esquemas de execução e jogo do bicho, foi reintegrado às fileiras da corporação após uma decisão judicial no dia 1° de outubro, revelada no dia 14 de novembro pelo monopólio de imprensa O Globo.

RJ: PM envolvido com execuções e jogo do bicho é reintegrado à corporação

O sargento reformado da Polícia Militar (PM), Márcio Araújo de Souza, apontado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro como envolvido em esquemas de execução e jogo do bicho, foi reintegrado às fileiras da corporação após uma decisão judicial no dia 1° de outubro, revelada no dia 14 de novembro pelo monopólio de imprensa O Globo.
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O sargento reformado da Polícia Militar (PM), Márcio Araújo de Souza, apontado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro como envolvido em esquemas de execução e jogo do bicho, foi reintegrado às fileiras da corporação após uma decisão judicial no dia 1° de outubro, revelada no dia 14 de novembro pelo monopólio de imprensa O Globo. Oito dias depois, Márcio Araújo foi libertado por uma segunda decisão judicial. Ele havia sido excluído ex-officio (por lei, ou oficialmente) da PM em 31 de março, mas agora voltou a integrar a força. A decisão judicial também devolveu ao militar o direito à aposentadoria. 

Márcio Araújo estava preso desde o dia 19 de fevereiro de 2021, e possui uma lista extensa de acusações contra si. O PM é acusado de chefiar a segurança dos pontos de bicho de Rogério de Andrade e gerir os recursos bélicos, militares e humanos da corja encabeçada pelo bicheiro. Além disso, Araújo é suspeito do MPRJ de envolvimento no assassinato de Fernando Iggnácio, bicheiro cunhado de Castor de Andrade que disputava com Rogério de Andrade os espólios do jogo do bicho de Castor. Iggnácio foi morto em 2020, fuzilado por homens encapuzados no estacionamento de um heliporto no Recreio dos Bandeirantes, zona oeste do Rio de Janeiro. 

O caso de Márcio é absurdo, e deixa claro o vínculo esdrúxulo da PM com os grupos de contravenção e extermínio que operam no Rio de Janeiro. Lado a lado com Márcio, há uma série de outros exemplos do mesmo tipo, e que envolvem, além da PM, diversas outras forças de repressão do velho Estado, como prova cabal da ligação desses grupos com as diversas instâncias estatais, seja para esquemas de enriquecimento ilícito, seja para funções de força auxiliar de repressão. 

Há dois meses atrás, a prisão do ex-capitão do Exército e bicheiro de grande porte Ailton Guimarães Jorge junto de outras 12 pessoas revelou a participação massiva de policiais militares e civis nas operações do grupo de Guimarães. PMs foram flagrados em operações de translado de dinheiro para tesouraria do bando, enquanto policiais civis foram denunciados por coordenar um esquema de forja de boletins de ocorrência. A intenção da patranha era, por meio dos registros falsos, impedir ou reduzir bruscamente o nível de operações e apreensões reais contra o grupo. Semanas depois, novas revelações acerca da mesma corja trouxeram à tona um esquema de fornecimento de armas coordenado por 23 PMs, policiais civis e agentes penais

E a impunidade para os envolvidos nas práticas também é regra nas corporações. Esse ano foi descoberto que o sargento da Polícia Militar Anderson Orrico, acusado em 2020 de chefiar um grupo de extermínio no 21° Batalhão de Polícia Militar (BPM), ainda estava na PM. O assassino foi recompensado com um cargo na Diretoria de Recrutamento e Seleção de Pessoal (DRSP), onde desempenhava a função de selecionar novos recrutas.

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