RO: Mentiras sobre chacina vem à tona e Exército reacionário faz exibição tentando intimidar camponeses

RO: Mentiras sobre chacina vem à tona e Exército reacionário faz exibição tentando intimidar camponeses

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Cápsulas deflagradas são encontradas por toda Área Ademar Ferreira. Foto: Banco de dados AND

Após a chacina realizada no dia 13 de agosto pela Força Nacional de Segurança Pública (FNSP) e pela Polícia Militar (PM) de Rondônia (onde foram assassinados os camponeses Amarildo, Amaral e Kevin, ambos moradores da área Ademar Ferreira, em Nova Mutum Paraná, área rural de Porto Velho), uma série de versões contraditórias e farsantes foram propagadas pelas forças repressivas do velho Estado e pelos portais satélites do latifúndio.

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Força Nacional tenta esconder participação na chacina

No dia 15/08, a página oficial da PM publicou uma matéria intitulada “Operação da PM-RO na área da Fazenda Santa Carmem prende invasores e apreende farta munição e armas”, onde reproduzem o Boletim de Ocorrência (BO) redigido pelos policiais. O fato informado é que a Força Nacional havia participado da chacina. Pouco tempo depois afirmaram que a Força Nacional negou a participação e logo a matéria saiu do ar. 

As famílias testemunharam a participação das tropas da Força Nacional, não só no dia dos assassinatos, como também nas incursões ocorridas semanas antes. O AND repercutiu no final de julho as denúncias de ataques da Força Nacional em conjunto com a PM e pistoleiros contra os camponeses nas áreas conhecidas como Dois amigos, Tiago dos Santos e Ademar Ferreira. 

Imagens de veículos da Força Nacional, PM e pistoleiros atuando juntos. Nas fotos local onde abriram fogo contra os camponesas. Foto: Jornal Resistência Camponesa

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As diferentes versões para justificar os assassinatos

O argumento propagandeado nas diferentes versões dos PMs para justificar os assassinatos é que estes foram recebidos a tiros e só atiraram para se defender. Isto é denunciado pelos camponeses como uma velha estória contada em conluio de parte dos monopólios de imprensa e sites financiados com verbas do governo, todas as vezes em que ocorrem crimes contra famílias camponesas em luta pela terra.

Uma alegação dos policiais relatada no inquérito policial, é que o jovem Kevin, um dos camponeses assassinados na chacina, atirou contra as tropas enquanto pilotava a moto. Porém, dois fatos que contradizem os relatos são apresentados pela PM: o jovem foi alvejado com dezenas de disparos nas costas enquanto seguia em direção ao seu lote e uma vez que este pilotava sua moto com embreagem (que necessita o uso das duas mãos) não poderia ao mesmo tempo disparar contra os policiais.

Outra alegação contestada é que os pai e filho, Amarildo e Amaral, também assassinados na chacina, dispararam contra os policiais. Os relatos de testemunhas, no entanto, dão conta que os camponeses trabalhavam na roça quando houve a ação. Ao lado de onde estavam os corpos foram encontradas ferramentas de trabalho e garrafas d’água. Os corpos dos trabalhadores, já sem vida, retirados do local onde ocorreram os assassinatos. 

De acordo com as denúncias, esta iniciativa visava dificultar a perícia e ocultar os vestígios do crime. As armas utilizadas não foram apresentadas pela PM para serem periciadas.

A verdade já revelada

O que não pôde de imediato ser contestado pelos reacionários foi o fuzilamento de veículo que transportava dois trabalhadores enquanto as tropas pediam para que eles parassem, admitido pelos próprios no inquérito. Os camponeses presos foram libertados no mesmo dia devido a falta de prova.

Marcas dos tiros de fuzil disparados na criminosa ação contra camponeses da área Ademar Ferreira. Foto: Resistência Camponesa

Em meio a desmoralização, farsas e assassinatos, Forças Armadas reacionárias tentam impressionar

Diante de tamanha desmoralização, as Forças Armadas reacionárias de Bolsonaro e generais realizaram uma tentativa desesperada de intimidar os camponeses em luta pela terra em Rondônia.

Um vídeo divulgado recentemente através de redes sociais mostra um comboio do Exército reacionário com caminhões carregando tanques, viaturas que transitam de Cacoal, município da região central de Rondônia, em direção a Porto Velho. 

A Liga dos Camponeses Pobres (LCP) denuncia que possivelmente estas ações são parte dos preparativos de intimidação e ameaça do fascista Bolsonaro contra a luta pela terra, especialmente a LCP. Isto ocorre em meio ao golpe militar preventivo em curso há vários anos, no qual disputam sua direção o Alto Comando das Forças Armadas (ACFA) e a extrema-direita de Bolsonaro. Nesse contexto, os fascistas abundam ameaças com a exibição de seus aparatos bélicos. 

A LCP denuncia ainda que as Forças Armadas reacionárias são genocidas, e que têm responsabilidades diretas pela mortandade da população brasileira. O movimento afirma que durante a pandemia do Covid-19, as Forças Armadas não construíram hospitais de campanha, nem abriram para a população suas unidades de atendimento à saúde vazias e ociosas, com inúmeros médicos, enfermeiros e leitos, inclusive de UTI, “tudo custeado com impostos pagos pelo povo, mas destinadas para atendimento apenas da casta de privilegiados oficiais militares, outros ricaços e membros do governo”. 

Trecho de vídeo mostra comboio das Forças Armadas reacionárias tentando intimidar camponeses em Rondônia. Foto: Reprodução

O movimento enfatiza que em uma outra ocasião, anterior aos recentes assassinatos dos três camponeses, durante a inauguração da ponte sobre o rio Madeira em Abunã, o fascista Bolsonaro ameaçou os camponeses e a LCP, defendendo abertamente que policiais deveriam atirar para matar sem passar por nenhum tipo de investigação ou punição. O movimento camponês denuncia que “esta é a continuação da política de terror do velho Estado burguês-latifundiário contra o povo que segue inalterável há séculos” e que é também a confirmação das ameaças de Bolsonaro.

A LCP, de frente a estas ações reacionárias, afirma que não são como os oportunistas que vivem “dependurados nos carguinhos rendosos do velho Estado e capitulam frente às Forças Armadas reacionárias”, e segue dizendo: “Os milicos e suas demonstrações de força não nos assombra. Sabemos que são tigres de papel, e o destino dessa corja será a lata de lixo da história”.

Por fim o movimento conclui: “Nós somos revolucionários verdadeiros, trabalhamos incansavelmente pela Revolução Agrária, como parte da Revolução de Nova Democracia para construir um Brasil Novo sem injustiça, exploração e opressão. A história está a favor do povo! Quem viver, verá!”.

Ao longo das últimas duas décadas, o jornal A Nova Democracia tem se sustentado nos leitores operários, camponeses, estudantes e na intelectualidade progressista. Assim tem mantido inalterada sua linha editorial radicalmente antagônica à imprensa reacionária e vendida aos interesses das classes dominantes e do imperialismo.
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