No dia 13 de junho, dezenas de moradores do bairro Três Marias, em Porto Velho, se mobilizaram em um grande protesto contra a falta de saneamento básico na região. A chuva recente havia causado alagamentos que tornaram diversas ruas intrasitaveis, especialmente na zona leste da cidade. Esta situação de calamidade não é novidade; políticos exploram frequentemente a escassez de serviços básicos com promessas vazias em busca de votos. Cansados de esperar, os moradores perceberam que a mobilização popular era a única saída viável, e decidiram agir diretamente.
Os residentes do bairro Três Marias, uma área periférica de Porto Velho, organizaram-se para fechar a BR-364, uma das principais rodovias do estado e um corredor logístico crucial, especialmente para o agronegócio. O protesto, que ocorreu próximo à Avenida Mamoré, bloqueou a rodovia por duas horas, durante as quais os manifestantes queimaram pneus e pedaços de madeira, impedindo o trânsito em ambas as pistas. Segurando cartazes com dizeres como “Prefeito Hildon não consegue asfaltar uma rua e quer ser governador?” e “Hildon, onde está o asfalto na Rua Capão da Canoa?”, eles tentavam chamar a atenção das autoridades para suas demandas.

A prefeitura de Porto Velho, comandada por Hildon Chaves, do partido União Brasil, havia prometido resolver esses problemas. No entanto, quando o prefeito visitou o bairro, permaneceu em seu carro, e sequer dialogou com a população. A falta de saneamento básico e infraestrutura adequada para o escoamento da água pluvial transformou-se em uma questão crítica de saúde, segurança e qualidade de vida para os moradores da região. Dias antes do protesto, uma forte chuva havia inundado dezenas de casas, causando grandes prejuízos aos moradores.
Durante o protesto, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e o Corpo de Bombeiros foram chamados ao local para controlar a situação. Após um período de negociações e sob ameaças de repressão, os manifestantes chegaram a um acordo em desobstruir a via, permitindo que o tráfego fosse restabelecido. A mobilização popular revela que os moradores não suportam mais esperar; estão prontos para ir às ruas lutar por seus direitos através da organização popular.
Algumas ruas do bairro são cortadas por um igarapé que, devido à ausência de saneamento básico, os moradores acabaram utilizando como depósito de lixo ao longo do tempo. A contínua negligência da prefeitura de Porto Velho, perceptível desde a fundação do bairro, apenas agrava essa situação. Isso é mais um indicativo de que as políticas do velho estado não estão a serviço do povo.
Porto Velho ocupa a última posição no ranking de saneamento básico do Brasil, de acordo com um estudo do Instituto Trata Brasil. Somente 9,89% dos habitantes têm acesso ao tratamento de esgoto, enquanto mais da metade da população vive sem água tratada. Nos últimos doze meses, a cobertura de coleta de esgoto teve um aumento insignificante de apenas 4,73 pontos percentuais. O estudo também revela que o investimento médio anual por habitante na cidade foi de apenas R$ 37,47, valor que está mais de 70% abaixo do necessário para se alcançar a universalização do saneamento básico, conforme a média nacional.