RS: 700 camponeses produtores de leite bloqueiam BR-386 contra ruína econômica

No dia 27/09, 700 camponeses produtores de leite bloquearam a BR-386 contra a crise na cadeia produtiva e a ruína camponesa.

RS: 700 camponeses produtores de leite bloqueiam BR-386 contra ruína econômica

No dia 27/09, 700 camponeses produtores de leite bloquearam a BR-386 contra a crise na cadeia produtiva e a ruína camponesa.
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No dia 27 de setembro, 700 camponeses produtores de leite bloquearam a BR-386, no trevo de Frederico Westphalen (RS), contra a crise na cadeia produtiva provocada pelas importações do governo federal do leite e seus subprodutos de países do Mercosul, em detrimento da pequena e média produção brasileira.

Na manifestação, os camponeses denunciaram que a baixa do preço do produto e o aumento dos valores dos insumos necessários para manter a atividade agudizaram a ruína econômica,  e exigem a formação de estoque regulador e a criação de uma linha de subsídio aos produtores de leite. “O produtor está recebendo cerca de R$ 1,20 por litro. Esse valor não paga o custo de produção, sem considerar o que tem de investimento na sua propriedade. Não tem nem como pagar as dívidas”, afirmou o produtor Deonir Sarmento ao monopólio de imprensa GZH, da RBS.

Esta é a segunda grande mobilização dos camponeses da região, que realizaram um grande protesto pelo mesmo motivo em agosto deste ano, em Porto Xavier (RS), com a participação de 1,8 mil camponeses.

Crise na cadeia produtiva 

Segundo dados oficiais, 91% das importações brasileiras de leite e derivados no ano de 2021 vieram da Argentina e do Uruguai, devido aos seus preços mais baixos em comparação aos dos pequenos produtores brasileiros, gerando uma forte crise na cadeia produtiva do leite.

De acordo com um levantamento da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater/RS), publicado em agosto deste ano, o número de produtores de leite no Rio Grande do Sul diminuiu 60,78% em oito anos, diminuindo também a quantidade de vacas leiteiras e a produção de leite do estado. A pesquisa também revelou os principais fatores que contribuem para que as famílias abandonem a produção: o baixo preço pago pelo litro do leite, apontado por 49,89%, a mão de obra (45,96%), o custo de produção (42,11%) e a dificuldade na sucessão familiar (41,91%). Isso é, a ruína camponesa causada pelo encarecimento da produção pelas exigências das empresas imperialistas ou latifundiárias compradoras do produto final e pelas dificuldades de competição com os competidores monopolistas e internacionais, que tem como consequência direta o abandono das produções pelos filhos ou a própria falência. 

Nos últimos meses, o preço médio do leite no RS (pago ao produtor) recuou entre R$ 0,60 a R$ 0,70 por litro, dependendo da região e do tipo de produtor. Tudo isto ocorre enquanto a compra de leite e derivados pelo governo federal aumenta. Apenas no primeiro semestre de 2023 o aumento foi de 273%, apontam dados oficiais.

Nada para o campesinato, tudo para o latifúndio

Enquanto os pequenos produtores carecem de incentivos e sofrem com a miséria imposta pelo laticínio monopolista, o governo de Luiz Inácio destinou milhões aos latifundiários por meio do recente Plano Safra. O plano concedeu R$ 364,22 bilhões em crédito a juros baixíssimos ao latifúndio, enquanto destinou migalhas ao campesinato pobre e com pouca terra. 

A luta camponesa pelo preço justo para sua produção é parte integrante da luta dos camponeses pobres pela terra e de todos os camponeses contra a opressão e a economia arruinada que o latifúndio lhes impõe. Para esses pequenos e médios produtores, o caminho da Revolução Agrária e a destruição cabal do latifúndio, com distribuição das terras aos camponeses sem terra ou com pouca terra e a consequente libertação das forças produtivas, elenca-se como caminho mais claro para a resolução dos problemas fulcrais, para a vida e o trabalho dignos.

Ao longo das últimas duas décadas, o jornal A Nova Democracia tem se sustentado nos leitores operários, camponeses, estudantes e na intelectualidade progressista. Assim tem mantido inalterada sua linha editorial radicalmente antagônica à imprensa reacionária e vendida aos interesses das classes dominantes e do imperialismo.
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