O ex-juiz e senador Sérgio Moro (União) se tornou alvo de um inquérito aberto pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no dia 15 de janeiro. O inquérito faz parte de uma investigação entre o STF, a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR), que acusam Moro e outros procuradores de fraude e coação durante uma delação premiada de Tony Garcia que ocorreu em 2004.
A delação de Tony foi dada no curso da chamada “Operação Banestado”. Nela, Garcia era acusado de gestão fraudulenta do Consórcio Garibaldi. Após fechar um acordo de delação premiada com Moro, Garcia passou a ser usado pelo juizeco para investigar outros grandes empresários. Na função de “agente infiltrado”, Garcia ofereceu a Moro telefones pessoais de pessoas a serem investigadas, usou escutas ilegais cujos conteúdos foram usados por Moro por fora da Operação Contestado e chegou até mesmo a se encontrar com agentes da Abin.
Os relatos de Tony apontam ainda para o uso de métodos similares na “Operação Lava Jato”, lançada dez anos depois da delação de Tony Garcia na “Operação Banestado”. Além dos métodos, Garcia citou outros nomes de agentes que, posteriormente, estiveram envolvidos na Lava Jato.
Lava Jato: intervencionismo e irregularidades
Se for o caso, não será surpreendente. Lançada em 2014 logo após as grandes manifestações que estremeceram o País, a Operação Lava Jato contou com diversas irregularidades e arbitrariedades, além de ter sido um caso claro de intervencionismo estrangeiro na política nacional. Desde a montagem da operação até sua execução, o Estados Unidos tutelou de perto. Agentes do FBI e procuradores ianques participaram direta e indiretamente da operação.
A operação tinha como propósito central tentar contornar a crise política do País ao tentar reverter o grau de desmoralização severa que atingiu o velho Estado e toda a casta política com uma “grande operação anticorrupção”. A operação atingiria uma certa parte de importantes políticos enquanto preservaria a imagem das “instituições brasileiras” e, assim, a velha ordem de exploração e opressão.
Juizeco dos ianques
Sérgio Moro foi uma das figuras centrais da Lava Jato, tendo assumido de prontidão as tarefas dos ianques no país a qualquer custo. Em 2019, o juiz chegou a receber, durante uma visita a Washington, já na condição de ministro de Bolsonaro, um agradecimento do FBI pelos “serviços prestados”.
A atuação de Moro, além de entreguista e profundamente submissa aos ianques, foi profundamente irregular, arbitrária e ilegal. São diversos os casos que revelam a natureza do juizeco. Moro já foi acusado de ter repassado R$ 2 bilhões para a Petrobrás em acordos “debaixo da mesa” durante suas operações e atualmente corre o risco de perder o mandato devido à uma ação movida contra o mesmo pelo Tribunal Eleitoral do Paraná (TRE-PR).
A tal “cruzada anticorrupção” que foi promovida por diversos políticos e figuras públicas em todo Brasil, é dissecada e a verdade é exposta a todo o povo. Certos “protegidos” que encabeçavam esquemas enormes de corrupção nunca tiveram punição, enquanto os encarregados de “combater” os corruptos, eram corruptos eles mesmos.
Os objetivos de “remaquiar” o velho Estado para salvá-lo da desmoralização política nunca foram atingidos, e as revelações sobre a podridão que assola todas as instituições, desde o judiciário até o planalto e congresso tornaram ainda mais claro que a podre estrutura do velho Estado é composta por um conluio de vigaristas a serviço das classes dominantes, que alternam-se no poder e se acusam do que mesmo são, para no fim do dia continuar a manter seus privilégios e explorar as massas que os elegeram.