SP: Entregadores realizam novo ‘breque dos apps’ contra altas taxas de exploração

SP: Entregadores realizam novo ‘breque dos apps’ contra altas taxas de exploração

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Entregadores de aplicativos realizam terceira manifestação por melhores remunerações e condições de trabalho. Foto: Comitê de Apoio ao AND – São Paulo

Neste dia 25 de Julho, pela manhã, entregadores de aplicativo realizaram uma paralisação em diversos pontos da cidade de São Paulo. Às 15 horas, ocorreu um ato unificado na praça Charles Muller. Esta é a terceira manifestação da categoria, que reivindica melhor remuneração e melhores condições de trabalho.

Tendo em vista a participação massiva dos trabalhadores na última manifestação do dia 1 de julho, policiais armados inclusive com fuzis, compareceram ao local, desde bem antes do horário previsto para a concentração. Além da presença ostensiva, os policiais filmavam e fotografavam os participantes e tudo aquilo que consideravam ter relação com a paralisação, com o objetivo claro de tentar intimidar os trabalhadores.

Em um dos pontos de concentração, no Shopping Center 3, apoiadores do AND realizaram uma brigada de distribuição de exemplares do AND, manifestando solidariedade aos trabalhadores mobilizados. Os apoiadores do AND notaram nos trabalhadores ali presentes ampla recepção das ideias apresentadas pelo Jornal, além da disposição dos trabalhadores em prosseguirem com sua luta. 

Muitos aproveitaram para relatar os diversos abusos cometidos pelas empresas e as condições precárias de trabalho. Um dos entregadores relatou que durante a pandemia, aumentaram as demandas de pedidos por aplicativos, ao mesmo tempo em que as empresas reduziram o valor da taxa de entrega que é repassado aos entregadores. Também relatou a luta contra o fim dos bloqueios realizados pelas empresas, impostos aos trabalhadores de maneira injustificada ou como maneira de punir aqueles que decidem abertamente reivindicar seus direitos. 

Conforme relatou outro entregador, que chegou a ser bloqueado pois se recusou a fazer uma entrega, cujo peso excedia o limite estabelecido pela própria empresa – limite já acima do adequado. Teria sido impedido de trabalhar pois se recusou a fazer um entregar que encheu toda sua mochila, adicionada de três galões de 5 litros de água, em apenas uma bicicleta.

Os trabalhadores reivindicam melhores condições de trabalho, aumento do valor recebido por quilômetro rodado, do valor mínimo das entregas; seguro roubo, acidente e vida; auxílio-pandemia, bem como equipamentos de proteção individual e licença remunerada para contaminados; além do fim do sistema de pontuações. O sistema de pontuações estabelece um ranking entre os entregadores pelo número de entregas, e penaliza aqueles que não realizam tantas entregas, o que, na prática faz com que o trabalhador tenha de se submeter a praticamente qualquer demanda da empresa, sob risco de não receber novas entregas.

Os entregadores tem lutado cada vez mais para conquistar suas reivindicações e condições dignas de trabalho. “A categoria unida é o pesadelo dos patrões!”, concluiu um entregador ao AND.

Veja mais imagens da manifestação aqui:

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