SP: Um milhão de paulistanos vivem em moradias superlotadas

SP: Um milhão de paulistanos vivem em moradias superlotadas

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Um pouco mais de um milhão de pessoas moram em locais superlotados, com mais de três pessoas por dormitórios em São Paulo, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Isso dificulta a implementação de medidas de isolamento para pacientes diagnosticados com o Covid-19 e faz acelerar a transmissão da doença. Os dados foram feitos com base na Síntese de Indicadores Sociais (SIS) do instituto e referem-se a 2018.

A média de adensamento populacional da cidade, que tem 8,3% da população vivendo nestas condições, é bem mais alta que a do Brasil, que é de 5,6%. Ambos os números, embora oficiais, tendem a ser subestimados.

Em números absolutos, 11,6 milhões de brasileiros dividem o quarto com pelo menos três pessoas. O excesso de pessoas na residência é uma barreira ao isolamento, uma das principais recomendações médicas para conter o vírus.

O infectologista Jamal suleiman, do Instituto Emílio Ribas, explicou que é preciso, ao infectar-se, manter-se isolado, mesmo em casa: “A higienização do espaço deve ser feito pelo próprio paciente ou quando não houver essa possibilidade, sob demanda”, alerta.

Um morador da comunidade Paraisópolis, zona leste de São Paulo, Francisco Chaves filho, 57 anos em entrevista ao monopólio de imprensa disse que divide sua casa com três filhos e quatro netos; a residência possui apenas três cômodos: quarto, banheiro e uma cozinha que também serve de sala. “Ficamos todos, um pertinho do outro, não dá para fazer nada”, contou Antônio, se referindo à quarentena.

A situação da família de Francisco se tornou ainda mais difícil. Com a família desempregada, não sobra dinheiro para a compra de sabão e muito menos álcool em gel. A maioria das vezes, relatou ele, a higiene é feita só com água e às vezes até a água falta. “Tem vezes que ficamos o dia inteiro sem água na torneira”, diz, revoltado.

Diante disto a única forma que Francisco encontrou para proteger a família foi alterar a rotina e evitar ao máximo sair de casa.

Uma pesquisa do Instituto Data favela divulgada semana passada mostrou que 97% dos moradores de áreas mais pobres já mudaram o cotidiano por causa do vírus. Na casa de Francisco o vírus também trouxe desemprego. A única filha que ainda tinha uma renda trabalhando com evento foi dispensada. “Estamos todos parados, não tem ninguém recebendo, assim fica difícil de combater essa praga”.

Sem saber como farão para pagar as contas e colocar comida na mesa, gastos com material de proteção, como máscaras, não cabem no orçamento de muitas famílias como a de Francisco, que estão no desemprego ou no trabalho informal. Segundo o infectologista, Jamal, muitas pessoas vivem em locais onde não há estrutura para cumprir isolamento. “A máscara deve ser fornecida pelos serviços de saúde”, diz. 

A pesquisa do Data favela mostra 55% dos moradores destes locais são trabalhadores informais ou empregados sem a carteira assinada e três em cada quatro estão muito preocupados como o efeito que o coronavírus terá na sua renda.

“Se essas pessoas não trabalham, elas não comem. Ou você morre de fome ou leva o vírus para casa, e é nesse momento que a desigualdade social dá um salto”, comentou Celso Athayde, fundador de um conjunto de movimentos de favelas.

Imagem aérea da favela de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo. Foto: Banco de Dados AND

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