Após a Polícia Militar de João Dória (PSDB) ter assassinado 9 jovens no bairro de Paraisópolis durante a realização de um baile funk, ativistas da Unidade Vermelha – Liga da Juventude Revolucionária (UV-LJR) realizaram uma exitosa panfletagem no dia 11 de dezembro, em denúncia a esse crime.
O panfleto distribuído à população continha, na íntegra, a nota de denúncia produzida pela organização contra o bárbaro crime.
Um dos trechos em destaque da nota afirmava:
“O que se tem em comum em todas essas revoltas citadas acima é a presença e o peso da juventude, principalmente das massas mais empobrecidas, que entra com toda sua energia na rebelião contra o velho Estado. Nós jovens estamos cada vez mais privados de acesso a lazer e cultura, sabemos que dentro das periferias tem pouco ou nenhum local para simplesmente conversar, fazer teatro, sarau, música ou praticar algum esporte. Ocupamos as ruas por conta disso, e quando fazemos isso, automaticamente somos alvos desse velho Estado! E se ficamos em casa somos alvo do mesmo jeito, vide o caso do jovem Lucas de Santo André que foi assassinado e jogado no rio pela polícia enquanto praticava o “terrível crime” de jogar videogame. Dentro dessas condições duras de vida que estamos vivendo, não existe outro caminho, senão se organizar (…).”
A população recebeu a panfletagem com grande entusiasmo, manifestando concordância com o conteúdo da nota e denunciando as mentiras propagadas pelo monopólio de imprensa e PM a respeito do caso. Criticaram a ação extremamente violenta da PM, que fez uso de bombas de gás, tiros de bala de borracha e torturas em becos sem saída.
Um dos moradores, ao receber o panfleto, associou os crimes da polícia aos recentes ataques contra os direitos do povo, como a “reforma” da previdência: “Enquanto os engravatados estão recebendo milhões, o povo aqui da favela continua morrendo e vivendo na miséria”, declarou.