Nos últimos dias, a crise diplomática entre o Brasil e o Estados Unidos envolvendo a plataforma Rumble aumentou, na medida em que o Judiciário ianque, em uma violação da soberania nacional brasileira apoiada pelo Departamento de Estado do Estados Unidos, deu uma decisão favorável ao funcionamento da plataforma no Brasil.
A nota do órgão ianque diz que o bloqueio da rede social no país é “incompatível com os valores democráticos”.
A plataforma é administrada por magnatas ligados ao governo Trump e tem relação direta com a rede social mantida pelo presidente ianque, a Truth Social. Ou seja, há um conflito de interesses direto na questão.
Além disso, o Brasil não é o único país a impor restrições ao funcionamento da Rumble, segundo uma apuração do jornal A Nova Democracia. A França, a Nova Zelândia, a Austrália, a China e a Rússia estão entre países que já restringiram o funcionamento da plataforma de vídeos, segundo um documento emitido pelo CEO da empresa, Chris Pavlovski, no dia 7 de maio de 2024, e acessado por AND.
A plataforma foi investigada até mesmo no Estados Unidos, em uma ação movida pelo judiciário do Texas. O governador do estado tem um caráter inquestionavelmente reacionário e é ligado ao partido Republicano, o mesmo de Donald Trump.
França x Rússia
Na França, a polêmica com o Rumble ocorreu depois que o Estado imperialista francês exigiu que a plataforma restringisse notícias dos portais russos Russia Today e Sputnik no contexto da guerra de agressão russa à Ucrânia. O CEO da empresa decidiu encerrar todas as atividades da plataforma no país europeu em resposta à exigência francesa.
“Ficamos surpresos em 2022 quando recebemos uma solicitação do governo francês para bloquear determinadas fontes de notícias”, diz o documento publicado na Fox News e acessado por AND. “Em vez de atender à solicitação do solicitação do governo francês, simplesmente desativamos o acesso à plataforma na França e contestamos a legalidade dessa exigência.”
Se bem que é verdade que a ação se tratou de uma restrição do Estado francês das informações advindas do Estado russo, também é verdade que todo sistema político restringe, na literatura nacional, a disseminação de notícias escritas e interpretadas pelos inimigos políticos.
O próprio Estados Unidos (EUA), que agora acusa os outros países de censura por banir o Rumble, restringiu a disseminação de notícias do Russia Today e de outros veículos russos no país. O YouTube disse que removeu mais de 230 canais com conexões a “mídias apoiadas pela rússia”.
Na época, o então secretário de Estado do EUA, Antony Blinken, usou o argumento de “soberania nacional” para defender a restrição. “Esses meios de comunicação apoiados pelo Kremlin não estão apenas desempenhando esse papel de influência secreta para minar a democracia nos Estados Unidos, mas também para se intrometer nos assuntos soberanos de países em todo o mundo”.
Rússia e China banem Rumble
O Rumble também não é apoiado na Rússia. A plataforma foi banida no país em maio de 2024, segundo informações confirmadas pelo próprio CEO da empresa.
A censura ocorreu em meio à maior restrição do Estado russo de conteúdos disseminados na internet.
Pelo mesmo motivo, o Estado social-imperialista chinês também baniu a plataforma de vídeos. A China é conhecida por manter um controle firme das informações e plataformas mantidas digitalmente.
Vídeos de tiroteios em massa na Austrália e Nova Zelândia
O documento também diz que “no mês passado, recebemos solicitações da Nova Zelândia e da Austrália para censurar conteúdo politicamente impopular.” De acordo com a apuração de AND, a Nova Zelândia e a Austrália exigiram que o Rumble restringisse conteúdos do portal, como o vídeo de um tiroteio em massa na igreja de Christchurch, na Nova Zelândia, e a filmagem de um homem que atacou um bispo de uma igreja em Sidney, capital da Austrália.
O Rumble, além de sediar os vídeos, servia de fonte de disseminação para outras redes sociais: uma investigação do jornal monopolista ianque New York Times encontrou evidências de que, depois que o Facebook e outras redes baniram os vídeos do tiroteio em massa, internautas usaram links do Rumble para burlar as restrições e continuar a disseminar a filmagem.
Informações falsas sobre a eficácia de vacinas contra a Covid-19 também entraram no rol de conteúdos a serem excluídos.
Rumble sob investigação no Texas
A plataforma de vídeos trumpista também foi investigada no próprio EUA, pelo procurador-geral do Texas, Ken Paxton.
O procurador investigou 15 empresas de tecnologia por suspeitas de coleta e uso de dados de pessoas menores de 18 anos, segundo uma investigação do jornal WIRED.
O jornal ressalta que “o interesse de Paxton no Rumble, um site parecido com o YouTube, popular entre comentaristas políticos conservadores dos EUA, também é talvez inesperado, dado seu histórico de visões partidárias sobre empresas de rede social. O Rumble se autopromoveu como um paraíso para a liberdade de expressão, diferentemente de plataformas que supostamente se envolvem em moderação de conteúdo mais pesada. Paxton é republicano e criticou plataformas que silenciam injustamente os texanos.”