Manifestantes reúnem-se em frente ao Distrito 1 do Departamento de Polícia de Chicago exigindo a libertação dos manifestantes. Foto: Tyler LaRiviere/Sun-Times
Centenas de pessoas se rebelaram em protesto, por dois dias seguidos, contra a violência policial que alvejou um homem preto de 20 anos, no bairro de Englewood, na noite de 9 de agosto. A rebelião tomou forma horas após o crime e se arrastou até a manhã do dia 10, se desenvolvendo até o centro de Chicago. Durante o levantamento das massas, que cessou apenas na noite do dia 10, houve enfrentamentos com as forças de repressão, ataques e confiscos a lojas do monopólio e até trocas de tiros.
Pelo menos 13 dos 400 agentes da polícia de Chicago destacados para a repressão no centro da cidade foram feridos durante os dois dias de protesto, por arremessos de garrafas e ataques físicos. Muitos foram alvos de disparos, tiroteios que têm se generalizado dada a violência policial; a polícia apreendeu cinco armas entre a multidão.
Logo após o jovem ser ferido, no dia 09/08, 30 pessoas enfrentaram os destacamentos policiais, e houve troca de tiros. Um agente foi atingido com gás pimenta e um outro foi ferido no ombo. Em outro ponto da cidade, uma viatura foi cravada à bala, como medida de vingança da juventude.
No dia 10, manifestantes de toda a cidade se dirigiram a partes do centro da cidade de Chicago frequentadas pelas classes dominantes e, entre confrontos com a polícia, as massas empobrecidas realizaram confiscos de materiais de higiene pessoal e de produtos de dezenas das grandes lojas do monopólio e da burguesia em geral. Cerca de 100 manifestantes foram presos.
A polícia só conseguiu cessar temporariamente com a rebelião do dia 09/08 após um último combate de quatro horas contra os manifestantes, já na noite de 10/08, teve que recorrer mais uma vez a pedidos de ajuda à Guarda Nacional do estado de Illinois. Em decorrência das seguidas noites de revolta, o Juiz Chefe do Tribunal do Condado ordenou o encerramento de todos os tribunais da cidade (com exceção de um), e uma cerimônia de inauguração no bairro de Englewood para um novo tribunal de justiça também foi cancelada.
No dia 11/08, protestos novamente aconteceram em frente à estação de polícia do 7° distrito de Englewood.
o caos social gerado pela pobreza na terceira maior cidade do USA
Expondo a profunda desigualdade da cidade de Chicago, os dados oficiais mostram que, ao total, 20,6% da população vive abaixo do limiar da pobreza, sendo que um em cada 4,8 residentes de Chicago vive em tal situação (cerca de 550 mil pessoas). Um número que é superior à média nacional estadunidense, de 13,1%.
Escancarando as diferenças nos padrões de vida entre a população preta e branca na cidade, os dados do American Community Survey de 2017 (em estimativas de 5 anos) mostram que dos negros que vivem em Chicago (29,8% da população geral), 32% deles vivem abaixo do limiar da pobreza. Em contrapartida do total de brancos, 9,7% deles vivem abaixo desse limiar. Também as maiores populações que vivem na pobreza são as mulheres de 25 a 34 anos, seguidas pelas mulheres de 18 a 24 e depois as mulheres 35 à 44.
Sobre o genocídio do povo preto praticado pelo Estado imperialista através de suas forças policiais, de acordo com a Better Government Association, a polícia de Chicago matou 240 pessoas no período 2010-2014, cerca de uma por semana. Dessas, dois terços eram pretas.