USA: Novas leis anti-imigração produzem crise nas fronteiras ianques 

USA: Novas leis anti-imigração produzem crise nas fronteiras ianques 

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Milhares de migrantes buscando atravessar a fronteira do USA estão retidos nas fronteiras ou em centros de custódia superlotados. O movimento de migração aumentou desde que a substituição do Artigo 42, lei anti-imigração ianque (Estados Unidos, USA), por medidas ainda mais duras contra os imigrantes, no dia 11 de maio, produziu uma nova crise nas fronteiras do país norte-americano. A nova legislação impõe ainda mais restrições sobre os imigrantes ilegais, proibindo-os de retornar ao país pelos próximos cinco anos após a detenção. 

A crise se intensificou ao longo dos dias imediatamente anteriores à expiração do Artigo 42. Dezenas de milhares de imigrantes de diversos países da América Latina, temerosos com os efeitos ainda mais duros das novas medidas, atravessaram os perigosos rios e planícies deśerticas do México na tentativa de escapar das misérias de seus próprios países, resultado da dominação imperialista, e chegar ao USA sob a falsa promessa de uma vida mais digna. 

O reacionário Artigo 42, aprovado no ano de 2020 pelo ex-presidente ianque Donald Trump e mantido por Biden até então, permitia a expulsão imediata de imigrantes ilegais de volta ao país de origem. Desde sua aprovação, a medida foi responsável por expulsar cerca de 2,8 milhões de imigrantes do USA, incluindo os números de reincidência. As novas medidas são denunciadas por serem ainda mais severas, uma vez que acrescentam a proibição de retorno após a deportação e julgamentos no sistema criminal ianque aos que voltarem ao país norte-americano depois de proibidos.

Enquanto milhares de imigrantes aguardavam o atendimento do sistema de imigração ianque em acampamentos improvisados nas fronteiras, sem ter o que comer ou como se aquecer, outros montes foram detidos e levados aos infernais centros de detenção da Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês) do USA. Somente no dia 10/05, 10 mil imigrantes foram detidos por policiais de patrulha e levados a centros de detenção já lotados e que atingiram taxas exorbitantes de superlotação com a recente crise. Em poucos dias, a cifra de detidos alcançou 27 mil pessoas, o triplo da taxa de março. Os centros da ICE são conhecidos pelos casos de abusos, torturas, maus tratos e até mortes pelas péssimas condições de alojamento, como foi o caso de Kesley Vial, jovem brasileiro de 24 anos que morreu em agosto de 2022 em um centro de detenção da ICE após quatro meses de espera para entrar no USA. 

Além das medidas mais punitivas para os imigrantes enviados de volta aos seus países de origem, as novas leis também impõem mais restrições e vigilância àqueles que aguardam julgamento no USA, como o rastreamento por GPS, toques de recolher e uso de algemas eletrônicas. Biden propôs ainda a deportação em massa de imigrantes que carecessem da documentação adequada mesmo sem um julgamento posterior, mas a medida foi anulada por um juiz federal. O presidente ianque anunciou também a fundação de centros destinados à imigração em países semicoloniais, como Colômbia e Guatemala, mas não apresentou planos sobre seu funcionamento, custos ou fonte de financiamento.

As medidas de Biden são parte da ofensiva anti-massas migrantes da América Latina. São medidas que impõem todo tipo de violência aos milhares que, cotidianamente, buscam fugir da miséria promovida pelo imperialismo em seus países e chegar nos países imperialistas, onde são absorvidas nos trabalhos mais precarizados ou largadas ao desemprego. 

Objetivamente, o endurecimento das punições e a proibição de retorno aos imigrantes lançará ainda mais massas ao mercado de imigração ilegal, financiado por cartéis de drogas e polícias fronteiriças do USA com auxílio de agências de “segurança” e inteligência ianques. Já os centros construídos em países semicoloniais e destinados a “promover” a imigração serão incapazes de absorver toda a massa de despossuídos e desesperados que compõem as ondas de imigração, dada a burocracia, custos e prazos excessivamente longos (alguns prazos chegam até 24 anos) envolvidos nos processos de concessão de vistos para imigração do USA. Ao fim e ao cabo, a migração em massa para o USA continuará a ocorrer, porém em condições ainda piores, o que barateará ainda mais o custo dessa mão de obra, com salários miseráveis sendo pagos a uma imensa parcela de trabalhadores fundamentais para a manutenção da economia ianque.

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